Arquivos . Lugares


terça-feira, agosto 31, 2004

Encerro para férias

Reabro brevemente. Acho.

O VENTRE SECO, por Raduan Nassar

«1. Começo te dizendo que não tenho nada contra manipular, assim como não tenho nada contra ser manipulado; ser instrumento da vontade de terceiros é condição da existência, ninguém escapa a isso, e acho que as coisas, quando se passam desse jeito, se passam como não poderiam deixar de passar (a falta de recato não é minha, é da vida). Mas te advirto, Paula: a partir de agora, não conte mais comigo como tua ferramenta.

2. Você me deu muitas coisas, me cumulou de atenções (excedendo-se, por sinal), me ofereceu presentes, me entregou perdulariamente o teu corpo, tentou me arrastar pra lugares a que acabei não indo, e, não fosse minha feroz resistência, até pessoas das tuas relações você teria dividido comigo. Não quero discutir os motivos da tua generosidade, me limito a um formal agradecimento, recusando contudo, a todo risco, te fazer a credora que pode ainda chegar e me cobrar: "você não tem o direito de fazer isso". Fazer isso ou aquilo é problema meu, e não te devo explicações.

3. Nem foi preciso fazer um voto de pobreza, mas fiz há muito o voto de ignorância, e hoje, beirando os quarenta, estou fazendo também o meu voto de castidade. Você tem razão, Paula: não chego sequer a conservador, sou simplesmente um obscurantista. Mas deixe este obscurantista em paz, afinal, ele nunca se preocupou em fazer proselitismo.

4. E já que falo em proselitismo, devo te dizer também que não tenho nada contra esse feixe de reivindicações que você carrega, a tua questão feminista, essa outra do divórcio, e mais aquela do aborto, essas questões todas que "estão varrendo as bestas do caminho". E quando digo que não tenho nada contra, entenda bem, Paula, quero dizer simplesmente que não tenho nada a ver com tudo isso. Quer saber mais? Acho graça no ruído de jovens como você. Que tanto falam em liberdade? É preciso saber ouvir os gemidos da juventude: em geral, vocês reclamam é pela ausência de uma autoridade forte, mas eu, que nada tenho a impor, entenda isso, Paula, decididamente não quero te governar.

5. Sem suspeitar da tua precária superioridade, mais de uma vez você me atirou um desdenhoso "velho" na cara. Nunca te disse, te digo porém agora: me causa enjôo a juventude, me causa muito enjôo a tua juventude, será que preciso fazer um trejeito com a boca pra te dar a idéia clara do que estou dizendo? É bastante tranqüilo este depoimento, é sossegado, ao fazê-lo, me acredite, Paula, não me doem os cotovelos. Está muito certa aquela tua amiga frenética quando te diz que sou "incapaz de curtir gentes maravilhosas". Sou incapaz mesmo, não gosto de "gentes maravilhosas", não gosto de gente, para abreviar minhas preferências.

6. Você me levava a supor às vezes que o amor em nossos dias, a exemplo do bom senso em outros tempos, é a coisa mais bem dividida deste mundo. Aliás, só mesmo uma perfeita distribuição de afeto poderia explicar o arroubo corriqueiro a que todos se entregam com a simples menção deste sentimento. Um tanto constrangido por turvar a transparência dessa água, há muito que queria te dizer: vá que seja inquestionável, mas tenho todas as medidas cheias dos teus frívolos elogios do amor.

7. Farto também estou das tuas idéias claras e distintas a respeito de muitas outras coisas, e é só pra contrabalançar tua lucidez que confesso aqui minha confusão, mas não conclua daí qualquer sugestão de equilíbrio, menos ainda que eu esteja traindo uma suposta fé na "ordem", afinal, vai longe o tempo em que eu mesmo acreditava no propalado arranjo universal (que uns colocam no começo da história, e outros, como você, colocam no fim dela), e hoje, se ponho o olho fora da janela, além do incontido arroto, ainda fico espantado com este mundo simulado que não perde essa mania de fingir que está de pé.

8. Você pode continuar falando em nome da razão, Paula, embora até o obscurantista, que arranja (ironia!) essas idéias, saiba que a razão é muito mais humilde que certos racionalistas; você pode continuar carregando areia, pedra e tantas barras de ferro, Paula, embora qualquer criança também saiba que é sobre um chão movediço que você há de erguer teu edifício.

9. Pense uma vez sequer, Paula, na tua estranha atração por este "velho obscurantista", nos frêmitos roxos da tua carne, nessa tua obsessão pelo meu corpo, e, depois, nas prateleiras onde você arrumou com criterioso zelo todos os teus conceitos, encontre um lugar também para esta tua paixão, rejeitada na vida.

10. Sabe, Paula, ainda que sempre atenta à dobra mínima da minha língua, assim como ao movimento mais ínfimo do meu polegar, fazendo deste meu canto o ateliê do desenhista que ia no dia-a-dia emendando traço com traço, compondo, sem ser solicitada, o meu contorno, me mostrando no final o perfil de um moralista (que eu nunca soube se era agravo ou elogio), você deixou escapar a linha mestra que daria caráter ao teu rabisco. Estou falando de um risco tosco feito uma corda e que, embora invisível, é facilmente apreensível pelo lápis de alguns raros retratistas; estou falando da cicatriz sempre presente como estigma no rosto dos grandes indiferentes.

11. Não tente mais me contaminar com a tua febre, me inserir no teu contexto, me pregar tuas certezas, tuas convicções e outros remoinhos virulentos que te agitam a cabeça. Pouco se me dá, Paula, se mudam a mão de trânsito, as pedras do calçamento ou o nome da minha rua, afinal, já cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho, dou-lhe o meu silêncio.

12. No pardieiro que é este mundo, onde a sensibilidade, como de resto a consciência, não passa de uma insuspeitada degenerescência, certos espíritos só podiam mesmo se dar muito mal na vida; mas encontrei, Paula, esquivo, o meu abrigo: coração duro, homem maduro.

13. Não me telefone, não estacione mais o carro na porta do meu prédio, não mande terceiros me revelarem que você ainda existe, e nem tudo o mais que você faz de costume, pois recorrendo a esses expedientes você só consegue me aporrinhar. Versátil como você é, desempenhe mais este papel: o de mulher resignada que sai de vez do meu caminho.

14. Entenda, Paula: estou cansado, estou muito cansado, Paula, estou muito, mas muito, mas muito cansado, Paula. (Teu baby-doll, teus chinelos, tua escova de dentes, e outros apetrechos da tua toalete, deixei tudo numa sacola lá embaixo, é só mandar alguém pegar na portaria com o zelador.)

15. Ainda: "a velha aí do lado", a quem você se referia também como "a carcaça ressabiada", "o pacote de ossos", "a semente senil" e outras expressões exuberantes que o teu talento verbal sempre é capaz de forjar mesmo para falar das coisas mirradas da vida, nunca te revelei, Paula, te revelo agora: "aquele ventre seco" é minha mãe, faz anos que vivemos em kitchenettes separadas, ainda que ao lado uma da outra. Não seja tola, Paula, não estou te recriminando nada, sempre assisti com indiferença aos arremedos que você fazia da "bruxa velha, preparando a poção pra envenenar nossas relações". Te digo mais: você talvez tivesse razão, é provável que ela vivesse a espreitar minha porta das sombras da escadaria, é provável que ela do fundo dos corredores te olhasse "de um jeito maligno", é provável ainda que ela, matreira dentro do seu cubículo, te alcançasse todas as vezes que você saía através do olho mágico da sua porta. Mas contenha, Paula, a tua gula: você que, além de liberada e praticada, é também versada nas ciências ocultas dos tempos modernos, não vá lambuzar apressadamente o dedo na consciência das coisas; não fiz a revelação como quem te serve à mesa, não é um convite fecundo a interpretações que te faço, nem minha vida está pedindo esse desperdício. Quero antes lembrar o que minha mãe te dizia quando você, ao cruzar com ela, e "só pra tirar um sarro", perguntava maliciosamente por mim, te sugerindo eu agora a mesma prudência, se acaso amanhã teus amigos quiserem saber a meu respeito. Você pode dispensar "a ridícula solenidade da velha", mas não dispense o seu irrepreensível comedimento, responda como ela invariavelmente te respondia: "não conheço esse senhor".»

(retirado de www.releituras.com; integra também o livro MENINA A CAMINHO, editado pela Cotovia)

EsclareciMinto

Dei-me conta de que uma frase que escrevi a propósito da série The Ofiice - partidas do subconsciente - e cito-me: “Mantê-las ao largo, o mais afastado possível da costa das nossas vidas quotidianas, policiadas de noite e de dia, é tarefa que cabe a todos e que ao mínimo descuido produz surtos de monstruosidade...”, pode suscitar equívocos sobre aquilo que penso em relação à vinda do Barco do Aborto (BdA) e à reacção do governo português com fragatas da Marinha de Guerra e tudo.
Então, o que penso eu em relação ao BdA e à atitude dos nossos governantes? A chegada do BdA, para mim, é circo. E a colocação de duas fragatas a controlá-lo é responder-lhes com mais circo. Ganha com toda esta palhaçada a pobre ficção dos telejornais que põem guardanapo de pano e afiam a faca à pala destes fait-divers. Agora, se me dou licença


o circo é uma coisa triste

Ontem foram editados três fortes candidatos (aposto!) a Melhor Disco do Ano

THE BLUE NILE - HIGH
«If you've read anything else about the Blue Nile you already know it takes them eight to ten years between albums, they're elegant sad sacks, and critically adored for the most part. Their last album, 1996's Peace at Last, was their first stumble with mainman Paul Buchanan yammering wistfully about family and domestication instead of giving us the skeletal poems and studio magic of their first two albums. If you weren't staring at your newborn, Peace at Last could grow tiresome, but the Blue Nile have returned with a more balanced album and Buchanan is broken-hearted again, thank the stars.»
(All Music Guide, classificação: 3 ½ estrelas)

JILL SCOTT – BEAUTIFULLY HUMAN: WORDS AND SOUNDS, VOL. 2
«It has taken Jill Scott four long years to complete Beautifully Human: Words and Sounds, Volume II. Using the core part of the team that brought her debut to the ears of the masses, Ms. Scott has revaluated her trademark blend of soul, hip hop and jazzy grooves, refined its essence and has come out swinging. This album showcases the lyricist/songwriter not only a keen observer of the culture, particularly when it comes to the loaded relationships between the sexes, but also by flaunting her considerable gifts as a top flight soul singer.»
(All Music Guide, classificação: 4 ½ estrelas)

BJÖRK – MEDULLA
«After a three-year wait, Björk delivers Medulla, her highly-anticipated followup to Vespertine, this week. Nearly all the music on Medulla is sculpted out of almost nothing but singing and vocal samples, including guest appearances by vocalists as varied as Robert Wyatt, Mike Patton and former Roots beatboxer Rahzel. The result is one of Björk's most challenging albums and one of her most rewarding, as well.»
(All Music Guide, classificação: 4 estrelas)

NOTA: Por cá, julgo que apenas o disco de Björk se encontra já disponível. Como tal, optei pela solução Amazon.UK, ideal para almas ansiosas e compulsivas. Vêm a caminho...

segunda-feira, agosto 30, 2004

Letra D (projecto Paulo Francis)

DODECAFONIA: O serialismo de Schönberg se tornou a música do dia. Até Stravinsky (influenciado por Robert Craft) aderiu. Pouco se ouve. Os músicos tocam financiados por burocracias culturais. Estas acreditam estar sustentando a cultura. Sempre preferi Debussy e Ravel a qualquer germânico. Me falam mais ao coração e prefiro Milhaud ou Auric à última fase de Stravinsky. (Folha de São Paulo, 13/9/84)

Acho que a música entrou mesmo na dodecafonia. Não me diz nada. Achei em Virgil Thomson, um crítico e compositor, a explicação de que depois de Stravinsky ninguém mais criou formas orgânicas de vida. Me satisfaz. (Folha de São Paulo, 25/1/85)

A música dodecafônica faz “música de fundo” para a morte do humanismo. É a morte da alma, ruidosamente comemorada. (Folha de São Paulo, 23/1/86)

Magano, Magano (estou-te a ver a ddoobbrraarr... )

Há malta que escreve e que diz que o álcool potencia a criatividade. Não é a criatividade que procuro mas a sinceridade. Deixa ver o que o álcool faz por mim... Hoje fui jantar em Campo de Ourique, só, logo mal acompanhado. Levei o Dicionário do Paulo Francis e uma vez que o Solar dos Duques se encontrava de férias e que o Stop do Bairro estava de folga, só me restou a possibilidade de ir conhecer o Magano da Tomás da Anunciação.
Sentei-me sozinho e antes que me apresentassem a esplêndida carne de porco à alentejana, ainda consegui varar a letra D do Dicionário da Corte. Quando a refeição chegou à fase dos digestivos, pedi uma aguardente velha Ferreirinha para encharcar a encharcada. O rapaz perguntou se eu queria saber o preço; percebi ao receber a conta ao que o rapaz se referia: a aguardente custou o mesmo que o prato principal...
Com um jarro de tinto e uma Ferreirinha para amansar o animal, saí do Magano assim a modos como os astronautas que experimentaram a ausência de gravidade da Lua pela primeira vez. Vantagem minha, porque não creio que no espaço as refeições sejam tão primorosas como esta que experimentei, sozinho, em mais uma noite de abandono no bairro que me adoptou desde a primeira noite.
Campo de Ourique será sempre Campo de Ourique, eu é que não serei o mesmo uma vez acompanhado por quem me deu a conhecer este maravilhoso bairro pela primeira vez. Bebedeiras incluídas, é forçoso admitir que não há como trocar os passos para cima daquela que os nossos passos trocados decidiu amparar com o seu coração. Ela diz que me ama mais quando me vê, assim, fragilizado. Oxalá ela me visse esta noite, fragilizado como nunca antes... SAÚDE.

Sorriso amarelo em fundo cinza

O quinto episódio da primeira época da série THE OFFICE (disponível em DVD de venda directa: publicidade que se justifica) é uma pequena obra-prima de humor sórdido: para quem tem estômago para a combinação humor + sórdido. O mesmo episódio envolve o recrutamento de uma secretária para David Brent, (para os leigos) director do escritório de Slough da Wernham Hogg – inenarrável empresa que vende papel. David (o genial Ricky Gervais, criador da série e actor principal) faz à pobre candidata uma daquelas entrevistas que não dá para contar de tão surreal e inexistente - põe-se a cantar Desree e acaba a propor à rapariga tomarem um copo com alguns dos outros imprestáveis da empresa.
Se a entrevista tinha sido beyond real, a saída da pandilha para o Chasers – uma das duas únicas discotecas da parvónia cinzenta que é Slough – é uma sequência de antologia e nó no estômago de incredulidade e desconforto. Vale todo o tipo de ofensas quando os tipos ficam entornados. E a câmara anónima, que cumpre o papel do espectador, testemunha daquele teatro sexista e humilhante, potencia à máxima amplitude de um vulgar sorriso amarelo, a nossa reacção aos acontecimentos.
Se a série The Office é por vezes tão ofensiva e desconfortável de ver, porque é que é também tão divertida e irresistível? Talvez porque David Brent e os desgraçados que o rodeiam nos fazem lembrar a tristeza iminente em qualquer ser "homem" uma vez reunidas as circunstâncias apropriadas. Mantê-las ao largo, o mais afastado possível da costa das nossas vidas quotidianas, policiadas de noite e de dia, é tarefa que cabe a todos e que ao mínimo descuido produz surtos de monstruosidade como aqueles que observamos na mais original comédia dramática desde os tempos áureos do saudoso Dennis Potter.

Nocturno lusitano

Para quem gosta de fazer da noite o amor
mesmo quando à noite dá sono e faz tanto calor...
ainda que os Franz Ferdinand dêem grande tesão
com Junior Boys conseguimos sonhar com o Verão

RIMAR, RIMAR PARA NÃO ESQUECER.

A causa musical dos muito bons FF

Desde sexta-feira que não ouço outra música a não ser o disco dos FRANZ FERDINAND. Só tenho escutado música no carro, e o som destes rapazes de Glasgow tem-se revelado perfeito para as minhas voltinhas, sozinho, pela cidade e arredores.
Foi o Pedro Mexia que me falou deles pela primeira vez, e com enorme! entusiasmo. O Pedro é pessoa de bom gosto, mas normalmente eu tenho já todos os discos de que ele me fala. Não foi o caso: os Franz Ferdinand foram por mim ignorados com base na comparação simplista com o hype Strokes, White Stripes, Yeah Yeah Yeahs para o qual havia dado em tempos não muito distantes o meu modesto contributo. Tremenda injustiça! A atitude dos escoceses Franz Ferdinand terá algo a ver com a irreverência cool das bandas mencionadas; agora a sua música tem raízes numa outra geografia.
Sempre que regresso ao CD dos Franz Ferdinand, identifico várias influências cujo nome nem sempre consigo trazer à memória. Entretanto, confirmo a captura de elementos sonoros dos Clash, dos Dexys Midnight Runners, dos Velvet Underground e, para meter à conversa referências mais recentes, dos James, dos Blur, dos Pulp... não consigo lembrar-me das muitas outras, vêem como é? O revivalismo dos FF justifica-se porque como o Pedro bem observa no texto escrito para o Fora do Mundo (consultar link à direita), a motivação para quem faz (esta) música e para quem a ouve (esta música) sempre foi e sempre será a mesma: to score, that is, levar as meninas para o vale dos lençóis, nem sempre tão branquinhos e esticadinhos como se desejaria que estivessem - será que alguém repara nestes pormenores na hora do aperto (eu sim, e como me dava mal com esses constrangimentos?). "Fantasmas, meu filho, fantasmas... !", ouço falar agora, fora de tempo, uma voz interior.
Claro que isto não é regra que não contemple as suas muitas excepções. O meu caso, por exemplo, que vivo retirado das práticas, ditas, juvenis, que vão do platonismo à decepção (a eterna promessa adiada para a qual a música servia quase sempre de um dos dois únicos tipos de consolo...), e a viver comodamente os abalos e os regalos de uma vida a dois.
Autobiografias à parte, o que interessa que fique claro é que os Franz Ferdinand são uns danados de uns muito bons rock’n’rollers e que o seu primeiro disco tem um alinhamento inteligentíssimo que nos prende a atenção nunca da mesma forma. Leiam o meu conselho com atenção, rapazes: vão-se as meninas e ficam os discos. Invistam neste Franz Ferdinand que vos servirá de excelente companhia. E não se assustem se «Michael» vos parecer frequentemente um dos temas mais fortes do disco: os tempos não estão para que se desprezem descargas hormonais por ninharias que não convertem ninguém a outra causa que não seja a da própria música.

Sem eira nem beira

Wanda conta uma história tipicamente americana que já vimos contada antes: uma mulher abandonada pelo marido que se junta a um assaltante até que circunstâncias forçam a que seja de novo abandonada, indo-se juntar mais tarde (para sempre?) a um grupo de gente anónima que vive à margem da sociedade – outros tantos abandonados como Wanda.
Wanda recorda-nos também como era o cinema norte-americano da década de 70. Filmado num formato amador (o 16mm utilizado por Cassavetes na sua obra de estreia, Shadows, e usado mais recentemente também por Vincent Gallo em Brown Bunny) e num registo próximo do documentário, Wanda privilegia a deriva da protagonista e a sua aparente apatia emocional – alguém caracteriza a certa altura Wanda como uma pessoa lenta...
Nos anos 70, o cinema americano filmava, repito, muitas histórias assim: desoladoras e derrotistas, próximas dos excluídos pelas imagens dominantes. Hoje são cada vez mais exclusivas as narrativas edificantes – histórias que se querem, por outro lado, exemplares.
Confesso que nos últimos tempos é este o tipo de cinema que prefiro ver: um cinema que marque um ponto de vista e uma moral, perdoem-me!, masculina pautada pela virtude e a coragem (sobretudo a de homens comuns). Mas reconheço que Wanda é um bom filme e que Barbara Loden – argumentista, actriz e realizadora de uma só obra – deixa testemunho de uma grande sensibilidade e de um olhar não menos invulgar.

domingo, agosto 29, 2004

Liedson 3 - Gil Vicente 2

Sr. Peseiro, está encontrada a receita para sermos campeões: daqui prá frente, o que é preciso é marcar sempre mais um golo do que os adversários. Sempre.

Foi uma noite espectacular. No final do jogo comprei uns calções do equipamento alternativo para jogar à bola com os colegas do trabalho: 32,5 euros "para" o meu Sporting.

sexta-feira, agosto 27, 2004

O oposto do cinema

A Pequena Lili, La Petite Lili é o cinema a imitar o cinema que por sua vez imita a vida, e os resultados mostram-se nulos no filme de Claude Miller (não é Kiarostami quem quer, monsieur Miller). Pôr os actores (gente do cinema) a fazer de gente do cinema que reconstitui a sua própria vida ficcional, parece-me de péssimo gosto – até prova em contrário.
A Pequena Lili despe-se integralmente no início do filme: nudez fugaz de Ludivigne Sagnier a tocar o absoluto da fotogenia. O resto do filme é uma natureza morta. Um amontoado de lugares-comuns sobre os tais cinema e vida, liofilizados desde os ensaios de Truffaut de quem Miller foi aprendiz de cineasta.
Agora, com A Pequena Lili, procura reproduzir a inocência (e a sua perda) da juventude e a sua relação com a criação cinematográfica. Claude Miller, 62 anos, chega no entanto fora de prazo. Este seu filme é em alguns sentidos o oposto do cinema.

O que tem o pai a ver com o fantasma da repressão? DOIS

O Regresso é um filme sobre os fantasmas do autoritarismo e da repressão que permanecem na Rússia actual. É um filme estimável, embora demasiado consciente da construção e do acerto das suas proezas pictóricas. O realizador Andrei Zvyagintsev mostra-se possuidor de um olhar cuidado e impregnado de várias referências cinéfilas: do road-movie norte-americano a Tarkovsky, passando pelo cinema do dinamarquês Carl T. Dreyer. Mas neste seu filme de estreia não vai além da promessa de uma obra de um outro fulgor, talvez mais surpreendente e menos refém do atolamento num certo facilitismo alegórico.
Os actores que compõem as figuras dos dois irmãos são muito bons; já o filme é demasiado académico no sentido de denunciar que cada plano, cada enquadramento, procura ir ao encontro do gosto do público culto do cinema - gosta-se porque se gosta de identificar a genealogia e as referências autorísticas de Zvyagintsev. Talvez que numa próxima investida pela realização, menos desejosa de agradar ao circuito dos festivais de cinema, aconteça ver Andrei Zvyagintsev ultrapassado pelos resultados do seu próprio trabalho. Talvez?

ESTE É OTEXTO DA MANHÃ SEGUINTE.

O que tem o pai a ver com o fantasma da repressão? UM

Percebo o entusiasmo da crítica e do júri de Veneza em torno do filme O Regresso. O russo Zvyagintsev é um cineasta alinhado com a cartilha autorística que em Portugal se definiu pela obra de gente como Pedro Costa ("O Sangue"), Teresa Villaverde ("A Idade Maior", "Três Irmãos") e Manuela Viegas ("Glória"). É a cartilha do cinema soturno, rico em subentendidos, em alegorias, psicanalítico em primeiro grau, que soterra as relações familiares num negrume sufocante que se propõe dar expressão à perturbação e à tragédia.
O Regresso consegue ser uma versão mais vistosa desse universo predominantemente desolador: tem actores excelentes nas figuras dos dois irmãos; tem uma direcção de imagem notável; faz uma utilização rigorosa do plano, mesmo quando os propósitos discerníveis parecem ser exclusivamente estéticos.
O filme de Zvyagintsev começa em jeito de road-movie americano - há até um plano picado em que o carro é filmado a afastar-se na direcção do horizonte -, mas quando o pai e os dois filhos alcançam a ilha, deparamo-nos com o empastelamento narrativo. A recruta dos rapazes adquire contornos de maior violência (psicológica, sobretudo) e o conflito estala.
No final fica a sensação de que momentos após ter-se dado a tragédia, os dois irmãos tornam-se como que reféns nostálgicos da figura repressora e autoritária do pai - coisas de russos.
Em suma, para tanto virtuosismo plástico, o que acontece é bem encanzelado de surpresa. Mais trabalho de argumento e menos metáforas exige-se à próxima realização de Andrei Zvyagintsev, se me permitem o autoritarismo.

ESTE É O TEXTO DA NOITE ANTERIOR.

5º nos 200m

Francis Obikwelu é a "febre de vencer" e voltou a sê-lo esta noite. Foram os 20s mais longos da minha vida. Obrigado Francis, pela verdade e pela emoção!

quarta-feira, agosto 25, 2004

João d'Arc

O Luciano Amaral condenou-me à fogueira n'O Acidental. E tem toda a razão... As coisas que me dou ao trabalho de escrever para que pessoas como o LA reparem em mim...
Mas não vou arder sem antes acrescentar mais alguns nomes à lista de cantores geniais dele: Sarah Vaughn, Scott Walker, David Sylvian, Camané, Joan Manuel Serrat, Caetano Veloso, Roberto Murolo, Henri Salvador, Shirley Horn, Paul Buchanan, Merle Haggard, Tom Waits, Joni Mitchell, Marvin Gaye, Anne Sofie von Otter, Nanci Griffith, June Tabor, Norma Waterson... bem, acho que é suficiente.

Grande abraço, caro Luciano. E manda brasa. SEMPRE.

Meu Raduan

O Ma-Schamba tem a melhor frase de abertura dos blogues que conheço: "cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio" (Nassar) A Cotovia editou o livro de contos de onde a mesma frase foi retirada - chama-se Menina a caminho. Procurei-o em algumas das melhores livrarias da cidade e nem sinal: do livro ou de qualquer outro título de Raduan Nassar do qual li, em tempos, o excelente Um copo de cólera. Medidas extremas impõem-se!

Nesta casa

No Stop do Bairro, o lema da casa é:
Vá entrando
Vá pedindo
Vá pagando
Vá saindo
Obrigado

Obrigado eu! Que estupendo entrecosto. E o modo como cozinham o feijão verde com gosto a alho, então...

Piruetas semânticas

A 2: apresenta mais Olimpíadas, desta feita provas artísticas de equitação com música e tudo. Piruetas a galope, passagens de mão: o animal, sem maldade, vai deslargando bosta enquanto cumpre rigorosamente o programa, sintonizado com o instrumental de "You can't take that away from me". Que belo animal! Alguém na sala interrompe: "Temos aí algum português?". Resposta pronta: "Temos, o cavalo." Animal nascido na coudelaria da Fundação Eugénio de Almeida mas, ó maldição!, enviado para Espanha em tenra idade e posteriormente vendido para os Estados Unidos.
Caso para dizer que a besta é nossa, a arte espanhola e que as piruetas até já falam inglês.

Diga boa... tarde com Jeff Bernard!

MEN’S PAGE, por Jeffrey Bernard

«If any of you men out there have got any problems you’d like to discuss with me, please feel free to write. It’s high time someone got a men’s page going, and I must assume that the editors of national newspapers have never heard of the Sex Discrimination Act. Last Sunday I spent most of the morning reading a piece about ovarian cysts in the Observer. It grabbed me so much that my own cyst-free egg got quite cold alongside the toast. Now don’t worry that I’m going to write about my testicles in a sort of retaliatory way because I’m not, and anyway they still haven’t returned to me. But I’m sure you get my drift. I mean – why can’t they devote a little space to subjects such as “husband-batterring”? And what about beauty care? Every time I look into a mirror I curse the fact that they don’t make cosmetics for men. The wear and tear inflicted on one day-to-day existence is colossal and it shows. Yes, a few beauty tips – and I for one would like to know where Bernard Levin goes to get his hair waved.
I sometimes think these female hacks think that only women have sexual problems. (When you see some of them you realize that premature ejaculation could be a blessing in disguise and I’m pleased to say that Cosmo Landesman is writing a book on the subject.) Yes, they’re all so absorbed with their own problems that they can’t be bothered to help us find the male multiple orgasm. I’d very much like to know just where the hell that’s been hiding all these years. It would kill the men who found it, but where’s the spirit of Dunkirk? Which reminds me: all the medical advice columns in print are for women only. There’s no doctor I can write to to ask why my hands shake, why I forget my own telephone number and why the bed keeps catching fire. And, speaking as an orphan and bachelor, where is there a word of cheer? Women think that only women get depressed and lonely, and as I write this, the tears streaming down the channels of my face, it occurs to me that if I don’t get laid this weekend then I may have to make a cry for help. Probably in the Man in the Moon.
There’s also very little advice in print for men with career problems. My own is that, quite simply, I’m virtually unemployable, and it’s no joke, although I sometimes manage to put on a brave grin. I mean, what the hell can I do? I’m too old and weak now to do anything strictly physical like dig holes and if I got a job as a bank clerk I’d probably get a bit fidgety round about 11 a.m. I couldn’t even get a job as a barman since it’s assumed that anyone over forty is on the fiddle. Both Oxford and Cambridge Universities have rejected my proposal to inaugurate a chair of cracker-barrel philosophy and that would have suited me down to the ground. I must admit that the press does indulge in a bit of male fashion, but once a man’s got a pair of jeans and jersey, a suit for the races, what on earth more can he want?
My dear friend Irma Kurtz was willing for me to take over her agony column in Cosmopolitan for the duration of her holiday but they won’t hear of it. You see, they think men can’t feel agony. God almighty, if they knew what it was like to have a menopause that lasted twenty years, to have cold flushes and morning sickness for twenty bloody years and to be under the moon every night! And what about those endless interviews they do in women’s magazines on the likes of Robert Redford? I don’t give a toss for Robert Redford but I’d very much like to know for example whether or not Cyd Charisse has got varicose veins after all these years. Yes, we men must counter-attack the “women’s page” and do the opposite; namely, alienate men from women. The only danger though is that we could end up as a nation of wankers and the trade union movement would never allow that.»
(in Low Life, págs 50/52)

PARA OS INTERESSADOS: UMA PESQUISA NO GOOGLE, NO ABEBOOKS E NA AMAZON, NÃO PRODUZIU QUAISQUER RESULTADOS PARA O TAL LIVRO DE COSMO LANDESMAN ON “THE” SUBJECT. SORRY ABOUT THAT.

terça-feira, agosto 24, 2004

Um Benfica à imagem do País...

O Benfica é um clube onde o impensável tornou-se rotina. O árbitro apitou para o fim do jogo há segundos atrás, fixando o resultado num categórico 3-0. Este era um dos mais importantes jogos da época. Se não mesmo o mais importante. By€-by€.

O rapto

Informo que o DESESPERADA ESPERANÇA - www.desesperadaesperanca.blogspot.com - foi retirado dos meus links porque fizeram desaparecer a mão invisível do Bruno e substituiram-na por uma outra coisa.

Melhor do que João só Caetano

ROSA PASSOS puxa o saco de JOÃO GILBERTO no simpático «Amorosa» que me emprestaram para ouvir: e o disco é gostoso de ouvir, de verdade. Agora consta que o ancião retribuiu o cumprimento, tecendo elogios a Rosa Passos e reconhecendo nela a sua herdeira artística. Consta ainda que CAETANO VELOSO não gostou desta troca de mimos e que ficou enciumado.
Por amor das musas e das semifusas, meu caro Caetano! Já vai sendo tempo de te emancipares de João Gilberto e perceberes que o teu estatuto é mil quinhentas e quarenta e sete vezes superior ao do vovô da bossa-nova. É certo que João Gilberto é único no seu monocordismo introvertido e que, por muito que o queiram copiar, é também insubstituível. Mas para além da voz, do jeito rigoroso e ascético de tocar violão e de uma vintena (estou a ser generoso...) de músicas que ele continua a regravar obsessivamente, nada mais há. Ao passo que tu Caetano, tens uma discografia incomparavelmente mais rica e numerosa e injectaste na língua portuguesa uma criatividade sem paralelo na música popular brasileira. A esta altura do campeonato, já era tempo de ser João Gilberto a bajular-te e, já agora, a agradecer-te o facto de teres produzido um dos seus melhores discos: «João, voz e violão».

Esclarecimento final: depois de muito escutar os discos mais emblemáticos de João Gilberto (tenho-os todos), deu para perceber que ainda não cheguei à conclusão se o homem é um génio ou um chato. E já foi assunto que me tirasse mais horas de sono...

segunda-feira, agosto 23, 2004

Whisky & no co.

"Love doesn't end just because we don't see each other."
Devemos procurar ter sempre presentes os grandes momentos dos grandes livros (para o caso, o de Graham Greene) e dos grandes filmes (no caso, o de Neil Jordan). Refiro-me a The end of the affair e às suas palavras e às suas imagens extraordinárias. Imagens tão extraordinárias, que pressinto cada vez mais forte na adaptação de Jordan o livro que esteve na sua origem a pontos de hesitar em ir lê-lo, acabando por rever o filme uma outra vez.
É invariavelmente uma experiência dilacerante: e a partitura de Michael Nyman - a mais comovente por ele jamais escrita - também ajuda.
Para que conste, isto é um post sobre o amor...

... para a M.

dolby-surround

«It' all around you» é o nome do álbum produzido e editado em 2004 pelos norte-americanos TORTOISE, super-banda que ajudou a consolidar o conceito do pós-rock. Depois de um disco mais ruidoso, «Standards», ao qual me baldei descaradamente, os TORTOISE, momentaneamente apaziguados, apostam numa sonoridade panorâmica que é como que o resultado da fusão da música do Pat Metheny Group com as bandas-sonoras do compositor japonês Joe Hisaishi - o dos filmes de Kitano.
Para os já familiarizados com o som instrumental do grupo, «It's all around you» apresenta os TORTOISE em versão technicolor: há como que uma atracção pelo "abismo" da beleza, na música e nos arranjos, que corre o risco de ser interpretada como cedência a um certo facilitismo pronto-a-ouvir.
Será em último caso, um disco para escutar com o coração (se excluirmos a rudeza das faixas #6 e #10, mais dada a arritmias...).
O que aconteceu aos TORTOISE, acontece a muitos artistas na maturidade. A integração do visionarismo na busca do maravilhoso. E exige igual maturidade, isto é, ausência de preconceitos por parte de quem escuta. Os TORTOISE estão noutra. E nós, estamos com eles? Eu, apesar de resistências pontuais, sim! Sobretudo na primeira metade do disco.

domingo, agosto 22, 2004

Meanwhile...

Celebro a prata de Obikwelu nos 100m com uma medida de Isle of Jura. Grande Francis!

O que não acontece...

Nathalie... é um filme sobre o que não acontece (o sexo), e quando algo está prestes a acontecer (o amor, a paixão), torna-se elíptico. Retrato da mulher enquanto ser medroso e encucado. Elas sabem do que filmam...

Um filme inteligente

Apostei seguro ao ir de cabeça fresca (à sessão das 11h30) assistir ao mais recente filme de David Mamet. Spartan/ O rapto é obviamente sobre a América de Bush de que Mamet não gosta. É forçoso ler as coisas desta forma, embora o filme seja hábil ao verter a sua desconfiança sobre todos os governantes em abstracto.
Gostei do filme de Mamet por ser um filme inteligente e por eu ter tido inteligência suficiente para o perceber. O realizador insiste em contar histórias de um mundo que cria aparências: imagens que mentem. E a TV volta a destacar-se como orgão principal de desinformação. Não é novo, mas é cada vez mais pertinente.

Ooops, mas eu sou do Sporting!

Se eu fosse aos sportinguistas, pensava várias vezes antes de diminuir o futebol praticado neste momento pelo Benfica e pelo Porto. É que a fasquia do jogo de ontem com o Chiveo não subiu acima dos níveis de uma taça Intertoto (é esse o nosso objectivo?). O Sporting mostrou desenvoltura na peladinha, mas entrar na área dos italianos está quieto! O Chievo parecia querer levar um bom resultado para resolver na 2ª mão, só que as coisas resolviam-se ontem mesmo: fecharam-se a muitas pernas, à boa maneira transalpina, e tinham muitos jogadores de estatura superior à dos leões.
Na primeira parte não me apetece destacar ninguém excepto, entenda-se um não-destaque, Hugo Viana (alguns bons remates inconformados e muita atrapalhação, na convalescência do equívoco chamado selecção do Romão) e Douala, esforçado e inconsequente como aliás tem-se mostrado em todos os jogos - e nós ontem bem precisavamos que ele furasse o queijo veronês...
O segundo tempo foi ligeiramente melhor, um pouco mais animado e aguerrido. As substituições à balda (sempre era noite de festa) deram outra acutilância(!) ao Sporting, e o golito solitário lá apareceu pelo suspeito do costume: Liedson. Bom foi ver Danny e Pinilla entrarem bem no jogo. O madeirense é raçudo, tem bons pés e jogou prá equipa. Pinilla fez boas assistências, rematou com intenção (tem excelente pontapé, que se viu) mas duvido que seja o matador de que o Sporting precisa: cheira-me que temos de ir ao mercado, novamente, em Dezembro.
De resto, a festa foi pirosa (assim como a mancha verde no cabelo de Maria José Valério que lá fez a sua perninha pela enésima vez). O estádio estava pela metade e o futebol por não mais do que isso. VIVÓ SPORTING (!) com muita(s) cautela(s)...

sexta-feira, agosto 20, 2004

Embrulha mais um caneco... carago!

Um relvado impossível que mais parecia um areal. Um Porto totalmente descaracterizado na primeira parte. O Benfica massacrava mas sem resultado: o Benfica tem um plantel vulgar, em termos de individualidades é o mais fraco dos três grandes. Tem Miguel, um fora-de-série que não quer nada com a baliza (dos outros); tem dos Santos e tem rasgos cada vez mais espaçados do Sabrosa. O resto mete dó de tão previsível que é.
Na segunda parte, a arte veio ao de cima através de Carlos Alberto e Quaresma: irregulares, irrequietos e desequilibradores (o cigano meteu Argel no bolso cá com uma pinta...). O Porto ficou a ganhar e o Benfica continuou preso à sua impotência (o mesmo mal de que, por enquanto, sofre também ainda, leram bem, AINDA, o Sporting).
O Benfica teve mais equipa, mas o Porto teve mais futebol: aquilo que no jogo dá sentido à existência de uma baliza em cada extremo do campo.

Os centrais: o Luisão que me desculpe, até porque fizeram ambos um bom jogo, mas prefiro de caras o Pedro Emanuel.

Um senhor: Baía esteve imperturbável na baliza e arrecadou o seu 26º título. Para que conste, um recorde mundial.

Diga bom fim-de-semana com Bernard Levin!

GAY GO UP AND GAY GO DOWN, por Bernard Levin

«Surely the United States is the only country in the world, and San Francisco the only city in that country, which could think up the idea of a male voice choir consisting entirely of homosexuals, 16 per cent of whom are suffering from Aids. Certainly America is the only country in which, when San Francisco had pioneered this curious artistic phenomenon, it would be copied so enthusiastically that there are now dozens of cities with such unisex musical groups, including New York.
It was a good many years ago now that San Francisco became the homosexual (or at any rate male homosexual) capital of the US; after a time, their number was so substantial that the politicians of the city were obliged to take account of a significant voting bloc. Why San Francisco? I have always believed that its well deserved reputation as the most tolerant city in the country drew to its hilly streets many who had experienced rejection and discrimination because of their sexual orientation, particularly those who had “come out”.
It is said that God is not mocked; probably not, but the devil certainly isn’t, for it was in tolerant San Francisco that the infected scythe mowed down the first substantial numbers, and it is mowing them down still. The work of the Gay Men’s Chorus is only one of the ways in which the beleaguered army keep up their spirits; many of the singers had found a sense of unity in the choir long before Aids struck. And their spirits, in some cases, need a great deal of keeping up; one of the group, a tenor, has worked to lower his pitch to baritone level because the Aids cancers in his throat make him unable to sing his usual music. Another member put it succinctly, saying: “Before I joined the chorus, my whole outlook on being gay was going to bars; now there are people who mean more to me than sexual attraction. We’re friends.”
I take that quotation from a remarkable article in the New York Times by Jane Gross. And I call it remarkable because I am measuring it against British standards of comment on homosexuals. When Paul Johnson can write of “screaming perverts”, and Chief Constable Anderton speak of homosexuals “swirling around in a human cesspit of their own making”, we are in real danger of altogether dehumanising the image of homosexuality. In my own lifetime uncountable – literally uncountable – millions have been first dehumanised and then done to death as unpersons, whether classified as enemies of the state in the Soviet Union, or race-polluting Jews in Nazi Germany. (Where, incidentally, homosexuals were savagely persecuted; many of them died in the concentration camps, branded with a grisly parody of the Jewish yellow star in the form of a pink triangle.)
I do not suppose that homosexuals in Britain are in danger of pogroms. But I am not here making a plea for more consideration for homosexuals; I am making comparisons between British and American attitudes, and when I make them I find that the British ones are wanting.

Jane Gross’s article does not judge, let alone condemn, nor does it patronise or gush; it describes, holding fast as it does so to the belief that charity never faileth. But what is much more extraordinary is the tone adopted by New York’s two daily tabloid papers, the Daily News and the New York Post. The Post reported the conclusions of a panel set up by the President to study the question of adoption; the panel declared that although race should not be taken into account in adoption decisions, homosexuals should be barred from adopting.
Meanwhile, there was a move afoot for the establishment of homosexual “marriages”, on which the Daily News commented. There are practical reasons, on top of emotional ones, for this idea; in certain circumstances and professions, American spouses can obtain a variety of benefits, such as health insurance, and a group of teachers who argue for homosexual marriage are suing the Board of Education for discriminating against them in denying them the financial advantages that married couples automatically have.
Never mind what you think of such proposals; what I want to draw to your attention is that both the Post’s presentation of the report that came down against homosexual couples adopting children (“We feel that the American public is not ready to give, and we are not ready to give, support for homosexual adoption”), and the editorial in the Daily News arguing against homosexual marriage (“Unmarried heterosexual couples could them claim entitlement…”), were couched in generous and decent tones. There was none of the coarse jeering that would accompany such reports in the tabloids of Britain, none of the odious cartoons that decorate such stories, none of the brutal headlines that mingle prurience with contempt.
America is widely thought of as much more straitlaced than Britain, at least by those who do not confine their soundings to the East and West coasts. Certainly, there has been much cruel rejection of American sufferers from Aids. Yet I note here an almost complete absence of the tittering about homosexuality that is so prevalent in Britain. The tittering, I believe, is part of the dreadful infantilism of the British when it comes to anything concerning sexual matters, and represents, as most tittering does, nervousness.
Oddly enough, there is a precedent in Britain for homosexual adoption. Some years ago a lesbian couple were allowed to adopt a child; one of the two women was very well known publicly, but the confidentiality that surrounds the procedure of adoption ensured that the secret de Polichinelle never got into the headlines. The relationship between the two women was stable and serious; even so, the judge who ruled in their favour must have been an exceptionally wise and far-seeing man. (But no one who new anything about the ménage of Benjamin Britten and Peter Pears doubted that homosexual relationships could be as close, full and enduring as any marriage, at any rate a childless one.) I think, though, that it would be inconceivable today for any homosexual couple to be allowed do adopt a child, so far has the clock been turned back.
It is unlikely to go forward again in Britain until a cure or a vaccine for Aids has been found, and the fire has burned itself out; that will not be for many years, even if the magic pill is found tomorrow. But must we really continue with our refusal to come to terms with the very fact of homosexuality? After all, the number of Aids cases in Britain is proportionately almost invisible when compared to the thousands in America; besides, if Aids had never been heard of, we would still, as a nation, display all the lack of comprehension or empathy that has again and again driven homosexuals to despair and indeed suicide.

For a start, we could be less fond of the word they. Literally, of coarse, homosexuals are “they”, when heterosexual are discussing them. But “they” has come to mean very much more than merely classification. “They”, in truth, are fully as varied, in their habits, nature, behaviour, character and tastes, as are “we”, but our theying inevitably leads us to feel not only that they are different from us but that they are inferior to us.
It ought to be possible for even the dimmest of homophobic Tory MPs (Dame Elaine Kellett-Bowman, I presume) to notice, even if it takes a supreme and exhausting effort, that apart from the fact of their sexual nature, there is no reason to believe that homosexuals have any more in common than heterosexuals have.
When you come to think of it, it really is very odd that that one distinction has been turned into a kind of Morton’s Fork, on the prongs of which homosexuals are to writhe for ever, proclaiming in vain that they should not, and in fact cannot, be defined by the only thing that they share. Somebody once said, in a more terrible time than this, that a society can be judge by the way it treats its Jews. It is high time that Britain began to treat its homosexuals at least as well as America does.»
(in NOW READ ON, 1991, págs. 193/196)

BERNARD LEVIN, UM DOS MAIS RESPEITADOS JORNALISTAS E COLUNISTAS BRITÂNICOS DO SÉC. XX, FALECEU ESTE MÊS, COM 75 ANOS, VÍTIMA DE ALZHEIMER. ENTRE 1971 E 1997, MANTEVE UMA COLUNA FAMOSA NO THE TIMES. VIVIA SOZINHO EM LONDRES, NUM APARTAMENTO REPLETO DE GATOS EMPALHADOS. ESTOU A COMEÇAR A LÊ-LO E, FELIZMENTE, HÁ MUITO POR ONDE O FAZER.

O fado do Público (a VOZ)

CAMANÉ a cantar, hoje, numa banca perto de si. Não perca. Não percas. Não percam.

Tuning

Ken Vandermark, Dave Rempis, Jeb Bishop, Kent Kessler, Tim Daisy num VW Lupo com apenas 1000 cv de cilindrada. A força da imprevisibilidade ou a imprevisibilidade da força. Elements of Style.

quinta-feira, agosto 19, 2004

Perdoa-lhes Moodymann, que eles não sabem o que fazem...

Ouço “Black Mahogany”, música de publicitários. Música que, suponho, tocará em festas de publicitários. Nunca frequentei tal deslumbramento, mas consigo imaginar. Aliás, uma das coisas boas que o cinema deu ao homem, foi a capacidade de imaginar quase tudo. Bem, para isso também é preciso ter ido vezes suficientes ao cinema. E continuar a fazê-lo. É que o imaginário promovido pelo cinema (todos eles), para o melhor e para o pior, actualiza-se todas as semanas.
Mas regressemos à festa dos publicitários. A noite vai longa. Imagino pessoas encostadas ao balcão do bar e outras dispersas pela enorme varanda e pelos muitos puffs coloridos que pululam pelo espaço. E vejo directores criativos, ainda, finalmente, agora que o teor de álcool no sangue permite um arrojo suplementar, piscarem o olho às recepcionistas e contactos, da sua ou de agência alheia (topam-se bem no seu ar de senhorinha, mais sóbrio do que as criativas, mesmo quando a visão vai ficando turva...), oferecendo-lhes algo para beber. Eles pagam. Acontece que a festa tem bar aberto. Boa música. Tristes figuras.

Letra C (Projecto Paulo Francis)

CASAMENTO: Aquele olhar de êxtase que a mulher tem quando se casa. E por que não? Talvez seja o melhor momento da vida dela, e há também, inconscientemente, o acúmulo de necessidade genética e tradição cultural.
(O Estado de S. Paulo, 28/2/93)

O DICIONÁRIO DA CORTE TEM CONSTATAÇÔES SIMPLES SOBRE TEMAS COMPLEXOS.

Diga bom dia com João Pereira Coutinho!

FRANCIS BACON, por J.P.Coutinho

«Francis Bacon finalmente em Serralves. Compareço à exposição em dia de abertura. Casa cheia, algum horror entre a plebe. «O que é isto?», parece perguntar a pequena burguesia portuense, que resolveu passar pelo museu depois do jantar. Bacon à sobremesa. Deus meu. Razão tinha Elliot: o género humano não consegue suportar demasiada realidade.
Porque é de realidade que Bacon nos fala. Só de realidade. O termo não é pacífico e alguns eruditos têm escrito abundantemente sobre o assunto. O que entendemos nós por «realidade»? Depois de Picasso, dos Surrealistas – o que entendemos nós por «mundo real»? Existe ainda um mundo real après Freud? A pergunta é mais velha do que o sexo – mas a resposta primeira, a resposta moderna, a resposta modernamente experimentada surge com o expressionismo agónico de Van Gogh (um dos pintores de bacon, et pour cause). «A arte é o homem adicionado à natureza que ele próprio traz à luz», dizia Vincent ao irmão em momento particularmente epifânico. Nem mais. O mundo não existe na sua exterioridade radical. Existimos nós no mundo – e este passa a ser a extensão daquilo que somos, sentimos e experimentamos. É uma posição seminal que marcou decisivamente a história da arte contemporânea – e que encontra em Bacon uma expressão sublime.
Francis Bacon é um pintor realista porque, em Bacon, a realidade não é idealização da ordem. A realidade é violência, caótica e cruel. E por que motivo as suas figuras nos perturbam tanto? A resposta é mais simples do que parece: porque as pessoas nos perturbam tanto. Porque não ficamos indiferentes perante elas. Porque, como Bacon diria, não ficamos indiferentes às «emanações» daqueles que nos rodeiam. Os nossos sentimentos são múltiplos, contraditórios, avessos a qualquer hierarquia. Amamos, desejamos, tememos, invejamos, odiamos – de uma só vez, perante uma só pessoa. Ao mesmo tempo, num mesmo tempo. Por isso «distorcemos» os outros: porque imprimimos nos outros aquilo que apenas nos pertence. Porque só podemos pintar os outros, pintando aquilo que os outros nos sugerem – aquilo que os outros significam para nós. Nesta, como noutras matérias, convém lembrar o velho Wilde. Todos acabamos por matar aquilo que amamos? Precisamente.»

(Vida Independente 1998-2003, págs. 131/132)

quarta-feira, agosto 18, 2004

Código de Honra

SILMIDO, de Woo-Suk Kang – em exibição numa única sala de Lisboa – é o «Doze Indomáveis Patifes»/ «The Dirty Dozen» (Robert Aldrich, 1967), sabotado, em versão sul-coreana. Se os patifes são agora bem mais de uma dúzia, o pessimismo do filme então...

Nota aos dreads – Ver filmes no Colombo é arriscar partilhar a sessão com dreads que não sabem estar numa sala de cinema. Quando não existe alternativa, lixa-se o espectador civilizado.

Diga bom dia com Auberon Waugh!

OLDER OR YOUNGER, por A. Waugh

«It cannot be a coincidence that the Government should choose the same day to announce its intention to raise the age at which young people are permitted to buy cigarettes, and reduce the age at which young people may be seduced into a life of homosexuality. Homosexual acts will be legal at 16, instead of 18, while buying cigarettes will be legal only at 18, instead of 16.
I do not share the hatred of male homosexuals which runs so deep in certain elements of English society, and number many among my friends. It may seems a pity that they should decide to turn their backs on the female sex, when women are so delightful, as well as being purpose-built, as it were. But I agree it is none of my business, and can well imagine that some confirmed homosexuals would find 16-year-old boys even more tempting than 18-year-olds.
If that is what members of the Commons want, let them have it. But I am appalled at the suggestion that these 16-year-old boys, being seduced for the first time, will not be allowed a cigarette to help them through an ordeal which may be painful as well as unfamiliar.
A nauseating leader in Monday’s Times – “Stub it out: changing the law could curb smoking” – seems to accept that public policy is designed ultimately to prohibit smoking. Under these circumstances, the writer found it perfectly reasonable to raise the age for buying cigarettes to 18.
It is true that within the anti-tobacco lobby there are countless zealots working for a total ban, but the function of an alert and responsible press is to keep these bossy fanatics down and protect the people from weak, vain politicians who will always respond to them.»

(16 Julho 1997)

terça-feira, agosto 17, 2004

Be Gaye

O novo «Express Way», dos franceses TROUBLEMAKERS, consegue superar o nível atingido com o disco de estreia que era já muito bom. O que acontece agora? Possuídos pela aura de Marvin Gaye, influência cada vez mais notória no que de melhor se faz na música soul/jazz actual, os TROUBLEMAKERS abandonam a manipulação virtuosista do primeiro disco em favor de uma música mais orgânica, mais profunda, mais soul.
O trio vê-se agora reduzido a uma dupla aumentada por convidados pontuais: bons instrumentistas e até rappers*. E consegue mais do que impressionar pelos resultados globais de «Express Way», disco onde é escusado procurar músicas fortes ou menos conseguidas, pois é da totalidade do alinhamento que nasce o impacto que connosco permanece e que nos obriga a repetir a audição. Recomendado com sublinhado.

P.S. A edição-dupla traz um DVD de 52 minutos que serve de complemento de imagem aos sons de «Express Way»: daqui decorre certamente o lado panorâmico da música do disco. Se o DVD estiver à altura da mesma, os efeitos produzidos são incalculáveis.

* The Gift of Gab dos Blackalicious, Mino Cinelu, Magic Malik, Julien Lourau...

The Milk-Eyed Mender

Quando pessoas à minha volta começaram a rir das canções de Joanna Newsom, percebi que esse disco podia mostrar-se uma compra bem interessante. Joanna tem uma voz que desconforta. É demasiado infantil, sem vergonha da sua demasiada exposição, e as pessoas sentem-se incomodadas. O riso torna-se mera expressão desse incómodo. Outra forma de se sentir vergonha pela desavergonhada Joanna Newsom. Como ficar corado ou corada.

A obra de Deus

Se Francis Obikwelu ganhar, será uma medalha para a Nigéria, para Portugal ou para a Espanha? A resposta é mais simples do que parece. A medalha será para o próprio Francis Obikwelu e para as pessoas que com ele treinam. E só.

segunda-feira, agosto 16, 2004

O pessimismo revisto

CRIMES E ESCAPADELAS é um filme sábio, porque Woody Allen mostra-nos que só com uma boa dose de amargura e pessimismo o mundo torna-se habitável.
Se ainda se recordam, trata-se de uma história onde o mal triunfa sobre o bem. Onde um indivíduo (Judah Rosenthal/ Martin Landau) aprende a viver com as consequências morais de um acto terrível: o homicídio da sua amante (Dolores Paley/ Anjelica Huston). É também um filme onde outro tipo (Cliff Stern/ Woody Allen), um falhado aos olhos de todos menos da sobrinha, vai realizar um documentário sobre a vida de um homem de sucesso (Lester/ Alan Alda) e acaba a “aprender umas coisas sobre a vida”.
Mas então e o bem, que lugar tem neste filme tão desesperançado? O bem é representado pelas figuras de outros dois indivíduos: um rabino (Ben/ Sam Waterson) e um filósofo (Prof. Louis Levy/ Martin Bergmann). O primeiro cega, talvez para não se vir a aperceber da miséria humana que o rodeia. O segundo suicida-se, uma vez que o optimismo do seu edifício teórico terá aparentemente cedido. Ou então o velho professor terá decidido pura e simplesmente ir desta para melhor.
CRIMES E ESCAPADELAS é atravessado por uma lucidez cortante e tem o melhor cast de sempre num filme de Woody Allen: fabulosos actores! É preciso dizer mais alguma coisa?

Política é incoerência

VERDADE...
«Porém, as ironias abundam. Três décadas atrás, Kerry tornou-se conhecido pela sua militância contra a guerra do Vietname; agora apresenta de forma orgulhosa a sua participação nessa guerra para se distanciar "patrioticamente" da guerra do Iraque, que, no entanto, começou por apoiar.»

... E CONSEQUÊNCIA.
«A "doutrina da necessidade" de Kerry, se entendida com seriedade, representaria um pacifismo e um isolacionismo como os Estados Unidos não conhecem desde a década de 30 do século XX. Excluiria todas as guerras travadas por motivos humanitários, todas as intervenções destinadas a prevenir genocídios, a defender democracias ou, como teria sido o caso do primeira guerra do Golfo, a repor a lei internacional contra os seus agressores. Porque todas essas guerras seriam "guerras de escolha".»

À falta de um link mais profissional para o texto completo de ROBERT KAGAN, no PÚBLICO de sábado, fica o endereço por extenso com as devidas desculpas:
http://jornal.publico.pt/publico/2004/08/14/EspacoPublico/O04.html

domingo, agosto 15, 2004

Guia nilehciM*

O Caruso do páteo Bagatela está uma grande bosta. Para comer boas pizzas em Lisboa, agora só no Liguria (quando não está em remodelações...), no Lucca e no Casanova.

* Michelin ao contrário.

Chapa 2 e a Corunha

Ouve lá, Douala, não passes outra noite sem dormir que não vale a pena.
O Pinilla, que é pouco reguila, é que podia começar a pensar em jogar mais à bola.

sexta-feira, agosto 13, 2004

Egoísmo

Dois sacos violeta cheios de boa música, renderam ontem na ANANANA:

JUNIORBOYS/ LastExit/ Kin;
JOANA NEWSOM/ The milk-eyed mender/ Drag City;
JAGA JAZZIST/ Magazine/ Smalltown Supersound;
TORTOISE/ It’s all around you/ Thrill Jockey;
KEN VANDERMARK’S JOE HARRIOTT PROJECT/ S.T/ Atavistic;
THE VANDERMARK FIVE/ Elements of style/ Atavistic;
DAVID GRUBBS/ A guess at the riddle/ Fat Cat Records;
MURCOF/ Martes/ Leaf;
MURCOF/ Utopía/ Leaf;
TROUBLEMAKERS/ Express way/ Blue Note;
ROB ELLIS/ Music for the home vol. 2/ Leaf;
ICARUS/ I tweet the birdy electric/ Leaf;
MOODYMANN/ Black mahogany/ Mahogany Music;

É chato escrever isto, mas no fundo a reacção que espero de quem lê esta lista de música é, para ser sincero, o reconhecimento do eclectismo e da sofisticação do meu gosto musical. Que é, reconheço, influenciado pelo gosto de tantas outras pessoas, gente alguma que nem sequer conheço a não ser de assinatura.
O egoísmo dos que seguem é sempre pior do que o daqueles que lideram. Em todo o caso, se arriscarem nalguns destes discos, o prazer é garantido. Cada qual com o seu prazer. À distância que a blogosfera promove, limitando-nos a partilhar convenientemente de longe.

MORAL DO POST
Enquanto existirem tipos, como eu, que gostam que lhes invejem os discos desde que não mexam neles, o mundo terá garantida a sua quota de pessoas socialmente deformadas.

Letra B (Projecto Paulo Francis)

BEAUVOIR, SIMONE DE: Sartre insistiu, com argumentação existencial, que experimentasse o lesbianismo. Simone, sentindo repulsa, obedeceu. Sartre deixou de ter relações sexuais com ela quando Simone tinha 25 anos... Há cartas de Simone implorando que ele lhe dê uns minutos de atenção... Que deixe de lado, por um tempo, suas femmelettes, como chamava o harém. Na carta mais patética, agradece que Sartre tenha beijado seus rosto velho. Simone tinha 39 anos. Nunca tinha tido um orgasmo com Sartre. Foi o escritor americano Nelson Algren que fez com que ela experimentasse essa consumação sexual, aos 39 anos... O segundo sexo, o livro, foi prescrito por Sartre a Beauvoir, como terapia sexual. Ele se cansou momentaneamente das femmelettes e resolveu se casar. Beauvoir queria se suicidar. Sartre consegui dissuadi-la e convencê-la de que devia escrever um livro sobre o potencial de independência da mulher. Beauvoir escreveu O segundo sexo, e feminismo em nosso tempo ganhou o seu Corão, seu Capital, sua Bíblia. Mais surpreendente ainda é que Sartre não estava sendo hipócrita. Ante uma Simone prostrada a seus pés, ele pregava sobre a autonomia e o poder de expressão da mulher. Há um indício claro, freudiano, inconsciente, de que se ressentia do seu donjuanismo, da maneira que mesmo mulheres subservientes têm de infernizar a vida dos homens. Sua melhor peça, Huis-clos, representa o inferno como um homem atormentado por duas mulheres. Sartre era um espírito livre. Ganhou milhões de dólares, como escritor, e deu tudo. No fim da vida, quase cego, bêbado e drogado, andava pelo Quartier Latin de chinelos porque não lhe sobrara dinheiro para comprar sapatos. Beauvoir, talentosa, talvez tenha escrito, ou, ao menos, completado, boa parte dos livros de Sartre. Ele passava a ela os manuscritos inacabados para que finalizasse. Há a suspeita de que tenha sido ela quem escreveu a obra-prima literário-existencial de Sartre, A náusea, sobre notas dele. E nunca sequer lhe passou pela cabeça pedir reconhecimento ou dinheiro. Sartre era o homem dela, por quem uma mulher de verdade sacrifica tudo. Amélia de Beauvoir.
(O Estado de S. Paulo, 19/9/91)

O DICIONÁRIO DA CORTE TAMBÉM CONTA HISTÓRIAS TRISTES.

Boys will be boys

Tanto os POST INDUSTRIAL BOYS já aqui elogiados, como agora os JUNIORBOYS, fazem música como se estivéssemos nos anos 80. Os rapazes Post Industrial movimentam-se por território Pet Shop... Boys "meets" Soft Cell, e a rapaziada Junior está mais próxima da sonoridade Blue Nile "meets" Scritti Politti. Afinal são ambos "junior" no sentido em que dão ainda os primeiros passos na edição discográfica, e são também os dois "post" porque fazem uma música revisionista do electro-pop que experimentou o seu apogeu há duas décadas atrás. Em relação aos discos agora lançados, apetece dizer, usando outra referência também com sentido revisionista, que os Post Industrial Boys e os JuniorBoys conseguem por vezes ser “even better than the real thing”.

Adenda: JuniorBoys. LastExit. 2ª Audição. Excelente. EXCELENTE.

quinta-feira, agosto 12, 2004

Letra A (Projecto Paulo Francis)

ALLEN, WOODY: A gravitas européia a que Woody Allen aspirava em seus malsucedidos filmes como Interiores, Interiors, Setembro, September, e o chatérrimo A outra, Another woman, é obtida plenamente em Crimes e pecados, Crimes and misdemeanors. É o seu filme mais sombrio, mas ele encontrou o tom certo, não aquele lúgubre à Bergman que nos deixa um gosto ruim na boca. O horrendo no filme não é portentoso e literário, mas engraçado, espirituoso, e as ambivalências são sempre quase sutis.
(Folha de S. Paulo, 19/10/89)

Crimes e pecados é o filme europeu que eu e muitos outros dissemos que Woody nunca faria. É sofisticado sem ser pomposo. A vontade é cantar como Cole Porter, “You’re the top”...
(Folha de S. Paulo, 22/10/89)

ENTRADA DEDICADA a quem me sugeriu a leitura d’“O Dicionário da Corte de Paulo Francis”. Lá vai ela. Viram?

Red Bach tem asas

Para quê ter quatro gravações das «6 SUITES PARA VIOLONCELO» de J. S. BACH? De todas as grandes obras da história da música ocidental, estas peças que Bach compôs com o intuito de servirem de exercícios de estudo são das mais inesgotáveis na sua beleza e nas subtilezas de cada interpretação, sensíveis até para ouvidos impreparados.
Pois é, a partir de hoje passei a ter quatro gravações das suites de Bach, e nenhuma delas é por Casals, Bylsma, Tortelier, Rostropovitch ou qualquer outro paradigma do instrumento. Possuía já as gravações de Patrick Demenga (Accord), Jaap ter Linden (Harmonia Mundi) e Paolo Beschi (Winter & Winter) e todas se abeiravam do sublime alcançado agora com a interpretação de BRUNO COCSET (em violoncelos Charles Riché: bem hajam!) para a Alpha. Excelente apresentação gráfica (convém referir que piratear esta obra-prima é um sacrilégio) ao serviço de uma leitura enérgica que, não traindo a gravidade da música (e) do violoncelo, dir-se-ia dar-lhe asas.
Bach voa nos dedos de Cocset e estende-se por todo o lado.

quarta-feira, agosto 11, 2004

Projecto Paulo Francis

«(...) Pretendo para meu jornalismo um certo desprendimento racional. Ou seja, procuro olhar o que analiso sem as habituais pressuposições, preconceitos e hábitos meus. Sei que não é bem assim, que todos somos criaturas do nosso ambiente físico, social, mental. Mas falei de um certo desprendimento. É o que vale meu jornalismo. E uma certa atitude de desafio do que é vetado pelo respeito humano, do que é a ortodoxia da moda.
Faz bastante tempo que me convenci de que a vida não tem pé nem cabeça, que religião é uma tentação emocional resistível, porque não faz sentido. E ideologias, waaal. Mesmo em momentos muito emocionais me dei conta de que havia um outro eu, ausente. Medo de Morrer, not really. Não tenho filhos, não deixei a ninguém o legado da minha passagem.
Durante anos descobri coisas sobre o ser humano, experimentei prazeres vários, mas hoje nada vejo de novo. Estou habituado a viver e a idéia da extinção me assusta, até que me dou conta do que Kingsley Amis escreveu a Philip Larkin, que morrer é como antes de nascermos. Mas Larkin, em Aubade, descreveu um medo da morte inimaginável por Amis (...)


AUBADE

I work all day, and get half-drunk at night.
Waking at four to soundless dark, I stare.
In time the curtain-edges will grow light.
Till then I see what’s really always there:
Unresting death, a whole day nearer now,
Making all thought impossible but how
And where and when I shall myself die.
Arid interrogation: yet the dread
Of dying, and being dead,
Flashes afresh to hold and horrify.

The mind blanks at the glare. Not in remorse
- The good not done, the love not given, time
Torn off unused – nor wretchedly because
An only life can take so long to climb
Clear of its wrong beginnings, and may never;
But at the total emptiness for ever,
The sure extinction that we travel to
And shall be lost in always. Not to be here,
Not to be anywhere,
And soon; nothing more terrible, nothing more true.

This is a special way of being afraid
No trick dispels. Religion used to try,
That vast moth-eaten musical brocade
Created to pretend we never die,
And specious stuff that says No rational being
Can fear a thing it will not feel
, not seeing
That this is what we fear – no sight, no sound,
No touch or taste or smell, nothing to think with,
Nothing to love or link with,
The anaesthetic from which none come round.

And so it stays just on the edge of vision,
A small unfocused blur, a standing chill
That slows each impulse down to indecision.
Most things may never happen: this one will,
And realization of it rages out
In furnace-fear when we are caught without
People or drink. Courage is no good:
It means not scaring others. Being brave
Lets no one off the grave.
Death is no different whined at than withstood.

Slowly light strengthens, and the room takes shape.
It stands plain as a wardrobe, what we know,
Have always known, know that we can’t escape,
Yet can’t accept. One side will have to go.
Meanwhile telephones crouch, getting ready to ring
In locked-up offices, and all the uncaring
Intricate rented world begins to rouse.
The sky is white as clay, with no sun.
Work has to be done.
Postmen like doctors go from house to house.

(Philip Larkin, Collected Poems, ff 2003)


(...) Quero agradar? Gosto que me leiam e saibam o que acho das coisas. É uma forma de existir. Trabalho é a melhor maneira de escapar da realidade, de embromá-la. O trabalho bem-feito é satisfatório como realização, saber que se deu um teco no marasmo, na confusão, que se fez círculos na água, que volta a parar, mas o movimento é real enquanto dura (...)»


Nos próximos tempos, e ao sabor das leituras, irei aqui citar uma entrada por cada letra do alfabeto de WAAAL – O DICIONÁRIO DA CORTE DE PAULO FRANCIS (Companhia das Letras, 1996) para dar testemunho do meu crescente entusiasmo por este plumitivo incendiário que, infelizmente, como os melhores plumitivos incendiários que jamais existiram, deixou de escrever pelo pior dos motivos. Porque morreu.

KV aos molhos

DISCOGRAFIA QUASE COMPLETA DO MÚSICO DE JAZZ MAIS IMPORTANTE DA ACTUALIDADE. SE VOS PARECE EXTENSA, IMAGINEM QUE TAMBÉM ME FALTAM 98% DAS REFERÊNCIAS............................................


KEN VANDERMARK: DISCOGRAPHY
by Seth Tisue / seth@tisue.net
last update 9 July 2004

Notes
Dates are release dates, not recording dates. On all recordings, Vandermark plays tenor saxophone, clarinet, and/or bass clarinet. On some recent recordings (2002 or newer), he also plays baritone saxophone.

Contents
solo
collaborations
guest appearances
active groups: Vandermark 5, DKV Trio, AALY Trio, Spaceways Inc., Territory Band, School Days, FME, Tripleplay, Free Fall, Sound in Action Trio, Peter Brötzmann Chicago Tentet, Caffeine
other groups: Witches and Devils, Steam, Cinghiale, Boxhead Ensemble, DK3, FJF, Barrage Double Trio, Steelwool Trio, Crown Royals, NRG Ensemble, Vandermark Quartet, Waste Kings, Flying Luttenbachers, Lombard Street, Fourth Stream
Ken has an official site now at http://kenvandermark.com/.

SOLO
Ken Vandermark
Furniture Music
CD (OkkaDisk) 2003
Ken Vandermark
album details at http://okkadisk.com/releases/od12046.html


COLLABORATIONS
Ken Vandermark & Paal Nilssen-Love
[?]
2CD (Smalltown Supersound) forthcoming
Ken Vandermark, Paal Nilssen-Love
one disc studio, one disc live

Paul Lytton
CD (OkkaDisk) forthcoming
Paul Lytton, Ken Vandermark, Kent Kessler

Gold Sparkle Band + Ken Vandermark
CD forthcoming

Dropp Ensemble
Ingen Tid
7″ (Longbox) forthcoming
Amy Cimini, Sam Dellaria, Steven R. Hess, Aram Shelton, Adam Sonderberg, Ken Vandermark, Katherine Young

Ken Vandermark & Brian Dibblee
Duets
CD (Future Reference) 2003
Ken Vandermark, Brian Dibblee
also available as free 128Kbps MP3 downloads from http://www.futureref.com/vandermark_dibblee.htm

Ken Vandermark & Paal Nilssen-Love
Dual Pleasure
CD (Smalltown Supersound) 2002
Ken Vandermark, Paal Nilssen-Love

Ken Vandermark
Two Days in December
2CD (Wobbly Rail) 2002
Ken Vandermark, Raymond Strid (on half a disc); Ken Vandermark, Sten Sandell (on half a disc); Ken Vandermark, David Stackenas (on half a disc); Ken Vandermark, Kjell Nordeson (on half a disc)

AALY Trio/DKV Trio
Double or Nothing
CD (OkkaDisk) 2002
Mats Gustafsson, Kjell Nordeson, Ingebrigt Håker-Flaten, Hamid Drake, Kent Kessler, Ken Vandermark
album details at http://okkadisk.com/releases/od12035.html

Anna Linder
cum pane
film/DVD (Lisbet Gabrielsson Film AB) 2002
Mats Gustafsson, Kjell Nordeson, Peter Janson, Ken Vandermark
this is a short (8 minute) documentary film with an improvised soundtrack by AALY Trio + Ken Vandermark
DVD is limited edition of 500 copies

Carlo Actis Dato
USA Tour/April 2001/Live
CD (Splasc(h)) 2002
Carlo Actis Dato, Ken Vandermark
Vandermark plays on three tracks; the given personnel is for those three tracks only

Portastatic featuring Ken Vandermark & Tim Mulvenna
The Perfect Little Door
CD (Merge) 2001
Mac McCaughan, Ken Vandermark, Tim Mulvenna

Karayorgis/McBride/Vandermark
No Such Thing
CD (Boxholder) 2001
Pandelis Karayorgis, Nate McBride, Ken Vandermark

Paul Lytton & Ken Vandermark
English Suites
2CD (Wobbly Rail) 2000
Paul Lytton, Ken Vandermark
album details at http://www.wobblyrail.com/009.html

no99 comp
5CD (Entartete Kunst) 2000
Ken Vandermark, Fred van Hove
Ken Vandermark, Don Dietrich, Jim Sauter
Ken Vandermark, Alan Licht, Jim O’Rourke, John Clement
recorded live at the No Music Festival in 1999
the duos with van Hove include a 45 minute tenor sax/pipe organ set and a shorter clarinet/accordion track
many other performers and combinations of performers are featured on the set as well
limited edition of 500 copies
album details at http://www.ek-records.com/nomusic99.htm

Joe Morris w/DKV Trio
Deep Telling
CD (OkkaDisk) 1999
Joe Morris, Ken Vandermark, Kent Kessler, Hamid Drake
album details at http://okkadisk.com/releases/od12027.html

Ken Vandermark’s Joe Harriott Project
Straight Lines
CD (Atavistic) 1999
Ken Vandermark, Jeb Bishop, Kent Kessler, Tim Mulvenna

Misha Mengelberg
Two Days in Chicago
2CD (hatOLOGY) 1999
Misha Mengelberg, Ken Vandermark, Hamid Drake
Vandermark plays on two tracks; the given personnel is for those two tracks only

Jeb Bishop
98 Duets
CD (Wobbly Rail) 1998
Jeb Bishop, Ken Vandermark
Vandermark plays on two tracks; the given personnel is for those two tracks only

Joe Morris
Like Rays
CD (Knitting Factory Works) 1998
Joe Morris, Ken Vandermark, Hans Poppel

Joe McPhee
A Meeting in Chicago
CD (Eighth Day) 1997
CD (OkkaDisk) 1998
Joe McPhee, Ken Vandermark, Kent Kessler
many tracks are solo or duo, including a solo Vandermark piece
the OkkaDisk reissue has improved cover art
album details at http://okkadisk.com/releases/od12016.html

Fred Anderson
Fred Anderson/DKV Trio
CD (OkkaDisk) 1997
Fred Anderson, Hamid Drake, Kent Kessler, Ken Vandermark
album details at http://okkadisk.com/releases/od12014.html

Ken Vandermark
Standards
CD (Quinnah) 1995
Ken Vandermark, Hamid Drake, Kent Kessler (3 tracks);
Ken Vandermark, Mars Williams, Michael Zerang (3 tracks);
Ken Vandermark, Jim Baker, Daniel Scanlan (3 tracks);
Ken Vandermark, Kevin Drumm, Steve Hunt (3 tracks)
album details at http://home.earthlink.net/~quinnah/Q08.html

Ken Vandermark & Curt Newton
Concert for Jimmy Lyons
cassette (Stoidal Circus) 1992

GUEST APPEARENCES
Yakuza
Way of the Dead
CD (Century Media) 2002
Vandermark plays tenor sax on one track

Lord High Fixers
The Beginning of the End—The End of the Beginning
CD (In the Red) 2002

Zu
Igneo
CD (Amanita) 2002
Jeb Bishop and Fred Lonberg-Holm also appear

Sinister Luck Ensemble
Anniversary
CD (Perishable) 2002

The Nomads
Up-Tight
CD (Sympathy for the Record Industry) 2001
CD/LP (White Jazz) 2001
Vandermark plays on one track

Chamber Strings
Month of Sundays
CD (Bobsled) 2001

Simon Joyner
The Lousy Dance
CD (Atavistic) 1999

Superchunk
Come Pick Me Up
CD (Merge) 1999
“Hello Hawk” is also available as a CD single with four non-album tracks; I don’t know if Vandermark plays on those tracks

Common Rider
Last Wave Rockers
CD (Lookout) 1999

Jim O’Rourke
Eureka
CD/LP (Drag City) 1999
Vandermark plays on the track “Through the Night Softly”

Alan Licht & Loren Mazzacane Connors
Hoffman Estates
CD/LP (Drag City) 1998

Pinetop Seven
Rigging the Toplights
CD/LP (Atavistic) 1998

Gastr del Sol
Camoufleur
CD/LP (Drag City) 1998
Vandermark plays on the track “Black Horse”

“Suicide Suite”
on The Last Time I Committed Suicide soundtrack
CD (Blue Note) 1997
Ken Vandermark, Jeb Bishop, Brad Goode, Jamie Passman, Kent Kessler, Alex Locascio
soundtrack to the 1997 film

Falstaff
II
CD (Homestead) 1996

The Metronomes
Meditation Suite I-III
7″ (Searchlight) 1996
written, arranged, and recorded by Barry Phipps
Vandermark plays bass clarinet

Denison/Kimball Trio
Soul Machine
CD (Skin Graft) 1995
Vandermark plays on the track “Blue Ball”

Denison/Kimball Trio
“Landshark”/“Whirlpool”
7″ (Sub Pop) 1995
Vandermark plays on A-side only

Maestro Subgum and the Whole
Don’t Flirt
CD (Ponk) 1995
Vandermark plays bass clarinet on three tracks

Coctails
“Lights on a Satellite”
on Wavelength Infinity: A Sun Ra Tribute comp
2CD (Rastascan) 1994

Syl Johnson with Hi Rhythm
Back in the Game
CD/cassette (Delmark) 1994
produced by Pete Nathan
Vandermark arranged five tracks, and plays on nine (of fourteen total)
album details at http://delmark.com/delmark.674.htm

Coctails
Long Sound
LP (Hi Ball) CD (Carrot Top) 1993
Vandermark plays on three tracks


WITH the Vandermark 5
[?]
CD (Not Two) forthcoming
Ken Vandermark, Dave Rempis, Jeb Bishop, Kent Kessler, Tim Daisy
recorded live in Cracow in March 2004

Elements of Style/Exercises in Surprise
CD (Atavistic) 2004
Ken Vandermark, Dave Rempis, Jeb Bishop, Kent Kessler, Tim Daisy
first 1500 copies include the bonus live CD Free Kings: The Music of Roland Kirk

Airports For Light
CD (Atavistic) 2003
Ken Vandermark, Dave Rempis, Jeb Bishop, Kent Kessler, Tim Daisy
the first 1500 copies include Six For Rollins, a bonus CD of live versions of tunes by Sonny Rollins

Free Jazz Classics Vols. 1 & 2
2CD (Atavistic) 2002
Ken Vandermark, Dave Rempis, Jeb Bishop, Kent Kessler, Tim Mulvenna
this is a reissue of the bonus discs included with early copies of Burn the Incline and Acoustic Machine

Acoustic Machine
CD (Atavistic) 2001
Ken Vandermark, Dave Rempis, Jeb Bishop, Kent Kessler, Tim Mulvenna
the first 1500 copies included a bonus CD called Free Jazz Classics Vol. 2 with live versions of tunes by Archie Shepp, Jimmy Giuffre, Julius Hemphill, et al

Vandermark 5 w/ Wolter Wierbos
“8K (for Peter Brötzmann)”
on Hangin’ From the Devil’s Tree comp
2CD (Your Flesh) 2001
Ken Vandermark, Dave Rempis, Jeb Bishop, Kent Kessler, Tim Mulvenna, Wolter Wierbos

Burn the Incline
CD (Atavistic) 2000
Ken Vandermark, Dave Rempis, Jeb Bishop, Kent Kessler, Tim Mulvenna
the first 1000 copies included a bonus CD called Free Jazz Classics with live versions of tunes by Ornette Coleman, Anthony Braxton, Cecil Taylor, et al

“Distance”
on Chicago 2018—It’s Gonna Change comp
2CD (Clearspot) 2000

Simpatico
CD (Atavistic) 1999
Ken Vandermark, Dave Rempis, Jeb Bishop, Kent Kessler, Tim Mulvenna

Vandermark 5 vs. Santo
CD-R (Savage Sound Sydicate) 1999
Ken Vandermark, Dave Rempis, Jeb Bishop, Kent Kessler, Tim Mulvenna
out of print

Target or Flag
CD (Atavistic) 1998
Ken Vandermark, Mars Williams, Jeb Bishop, Kent Kessler, Tim Mulvenna
cover art is based on Jasper Johns’ “Target With Four Faces” (1955)

Live! at the Empty Bottle
CD-R (Savage Sound Sydicate) 1997
Ken Vandermark, Mars Williams, Jeb Bishop, Kent Kessler, Tim Mulvenna
out of print

Single Piece Flow
CD (Atavistic) 1997
Ken Vandermark, Mars Williams, Jeb Bishop, Kent Kessler, Tim Mulvenna

“Limited Edition”
on Out of Their Mouths Mk. 2 comp
2CD (Atavistic) 1996
Ken Vandermark, Mars Williams, Jeb Bishop, Kent Kessler, Tim Mulvenna
studio recording; not the same version as on Single Piece Flow


WITH DKV Trio
Notes: The trio, before it was officially named, recorded several cuts on Vandermark’s Standards CD (c.f.).

Trigonometry
2CD (OkkaDisk) 2002
Hamid Drake, Kent Kessler, Ken Vandermark
album details at http://okkadisk.com/releases/od12042.html

Live in Wels & Chicago, 1998
2CD (OkkaDisk) 1999
Hamid Drake, Kent Kessler, Ken Vandermark
album details at http://okkadisk.com/releases/od12030.html

DKV Live
CD (OkkaDisk) 1997
Hamid Drake, Kent Kessler, Ken Vandermark
limited edition of 600 copies, now sold out
album details at http://okkadisk.com/releases/odl10001.html

Baraka
CD (OkkaDisk) 1997
Hamid Drake, Kent Kessler, Ken Vandermark
album details at http://okkadisk.com/releases/od12012.html


WITH AALY Trio + Ken Vandermark
Notes: Originally just a guest, Vandermark is now a full member of the group, which is billed as “AALY Trio + Ken Vandermark”.

“Unit Character”
on Look at the Music comp
CD (Olof Bright) 2002
Mats Gustafsson, Kjell Nordeson, Peter Janson, Ken Vandermark, plus guests Conny Nimmersjo and John Essing
this was one of two CD’s issued to accompany the catalog for the Look at the Music/SeeSound festival coproduced by Neon Gallery

I Wonder If I Was Screaming
CD (Crazy Wisdom) 2000
Mats Gustafsson, Kjell Nordeson, Peter Janson, Ken Vandermark

Live at the Glenn Miller Cafe
CD (Wobbly Rail) 1999
Mats Gustafsson, Kjell Nordeson, Peter Janson, Ken Vandermark

Stumble
CD (Wobbly Rail) 1998
Mats Gustafsson, Kjell Nordeson, Peter Janson, Ken Vandermark

Hidden in the Stomach
CD (Silkheart) 1998
Mats Gustafsson, Kjell Nordeson, Peter Janson, Ken Vandermark
album details at http://www.silkheart.se/cgi-bin/cgiwrap/silk/silk.cgi?shcd149


WITH Spaceways Inc.
Spaceways Inc. / Zu
Radiale
CD (Atavistic) 2004
Ken Vandermark, Jacopo Battaglia, Massimo Pupillo, Luca T. Mai (4 tracks)
Ken Vandermark, Hamid Drake, Nate McBride, Jacopo Battaglia, Massimo Pupillo, Luca T. Mai (4 tracks)

Version Soul
CD (Atavistic) 2002
Ken Vandermark, Hamid Drake, Nate McBride

Thirteen Cosmic Standards
CD (Atavistic) 2000
Ken Vandermark, Hamid Drake, Nate McBride


WITH Territory Band
Territory Band-3
Map Theory
2CD (OkkaDisk) forthcoming
Ken Vandermark, Fredrik Ljungkvist, Dave Rempis, Axel Dörner, Per-Ake Holmlander, Jeb Bishop, Jim Baker, Fred Lonberg-Holm, Kevin Drumm, Kent Kessler, Paul Lytton, Paal Nilssen-Love
release planned for end of summer 2004

Territory Band-2
Atlas
CD (OkkaDisk) 2002
Ken Vandermark, Fredrik Ljungkvist, Dave Rempis, Axel Dörner, Per-Ake Holmlander, Jeb Bishop, Jim Baker, Fred Lonberg-Holm, Kevin Drumm, Kent Kessler, Paul Lytton, Tim Mulvenna
album details at http://okkadisk.com/releases/od12050.html

Territory Band-1
Transatlantic Bridge
CD (OkkaDisk) 2001
Ken Vandermark, Dave Rempis, Axel Dörner, Jeb Bishop, Jim Baker, Fred Lonberg-Holm, Kent Kessler, Paul Lytton, Tim Mulvenna
album details at http://okkadisk.com/releases/od12040.html

WITH School Days
Atomic/School Days
Nuclear Assembly Hall
2CD (OkkaDisk) 2004
Ken Vandermark, Fredrik Ljungkvist, Magnus Broo, Jeb Bishop, Håvard Wiik, Kjell Nordeson, Ingebrigt Håker-Flaten, Paal Nilssen-Love

School Days / The Thing
The Music of Norman Howard
LP (Anagram) 2002
Mats Gustafsson, Ken Vandermark, Jeb Bishop, Kjell Nordeson, Ingebrigt Håker-Flaten, Paal Nilssen-Love
limited edition of 750 copies
side A is credited to School Days with Mats Gustafsson, side B to The Thing with guests (since the regular membership of the two groups overlap, the same collective personnel can be described both ways)

In Our Times
CD (OkkaDisk) 2002
Ken Vandermark, Jeb Bishop, Kjell Nordeson, Ingebrigt Håker-Flaten, Paal Nilssen-Love
album details at http://okkadisk.com/releases/od12041.html

Crossing Division
CD (OkkaDisk) 2000
Ken Vandermark, Jeb Bishop, Ingebrigt Håker-Flaten, Paal Nilssen-Love
album details at http://okkadisk.com/releases/od12037.html


WITH FME
Notes: The initials stand for Free Music Ensemble.

Underground
CD (OkkaDisk) 2004
Ken Vandermark, Nate McBride, Paal Nilssen-Love

FME
CD (OkkaDisk) 2002
Ken Vandermark, Nate McBride, Paal Nilssen-Love
limited edition of 760 copies
album details at http://okkadisk.com/releases/odl10007.html


WITH Tripleplay
Gambit
CD (Clean Feed) 2004
Ken Vandermark, Nate McBride, Curt Newton

Expansion Slang
CD (Boxholder) 2000
Ken Vandermark, Nate McBride, Curt Newton


WITH Free Fall
Furnace
CD (Wobbly Rail) 2003
Ken Vandermark, Ingebrigt Håker-Flaten, Håvard Wiik


WITH Sound in Action Trio
Notes: Originally known as the Sound and Action Trio. As of January 2003, Tim Mulvenna has been replaced by Tim Daisy.

Sound in Action
[?]
CD (Atavistic) forthcoming
Ken Vandermark, Robert Barry, Tim Daisy

Ken Vandermark’s Sound in Action Trio
Design in Time
CD (Delmark) 1999
Ken Vandermark, Robert Barry, Tim Mulvenna
album details at http://delmark.com/delmark.516.htm


WITH the Peter Brötzmann Chicago Tentet
Notes: Mars Williams left the group in April 2004.

Signs
CD (OkkaDisk) 2004
Peter Brötzmann, Ken Vandermark, Mars Williams, Jeb Bishop, Fred Lonberg-Holm, Kent Kessler, Michael Zerang, Hamid Drake, Joe McPhee, Mats Gustafsson, William Parker

Images
CD (OkkaDisk) 2004
Peter Brötzmann, Ken Vandermark, Mars Williams, Jeb Bishop, Fred Lonberg-Holm, Kent Kessler, Michael Zerang, Hamid Drake, Joe McPhee, Mats Gustafsson, William Parker

Short Visit to Nowhere
CD (OkkaDisk) 2002
Peter Brötzmann, Ken Vandermark, Mars Williams, Jeb Bishop, Fred Lonberg-Holm, Kent Kessler, Michael Zerang, Hamid Drake, Joe McPhee, Mats Gustafsson, William Parker, Roy Campbell
album details at http://okkadisk.com/releases/od12044.html

Broken English
CD (OkkaDisk) 2002
Peter Brötzmann, Ken Vandermark, Mars Williams, Jeb Bishop, Fred Lonberg-Holm, Kent Kessler, Michael Zerang, Hamid Drake, Joe McPhee, Mats Gustafsson, William Parker, Roy Campbell
album details at http://okkadisk.com/releases/od12043.html

Stone/Water
CD (OkkaDisk) 2000
Peter Brötzmann, Ken Vandermark, Jeb Bishop, Fred Lonberg-Holm, Kent Kessler, Michael Zerang, Hamid Drake, Joe McPhee, Mats Gustafsson, William Parker, Toshinori Kondo
album details at http://okkadisk.com/releases/od12032.html

Peter Brötzmann
The Chicago Octet/Tentet
3CD (OkkaDisk) 1998
Peter Brötzmann, Ken Vandermark, Mars Williams, Jeb Bishop, Fred Lonberg-Holm, Kent Kessler, Michael Zerang, Hamid Drake, Joe McPhee, Mats Gustafsson
album details at http://okkadisk.com/releases/od12022.html
this set is now out of print


WITH Caffeine
Notes: Sporadically active; last known concert early 2004.

Caffeine
CD (OkkaDisk) 1994
Ken Vandermark, Jim Baker, Steve Hunt
this disc is now out of print
album details at http://okkadisk.com/releases/od12002.html


WITH Witches and Devils
Notes: This group is led by Mars Williams and plays the music of Albert Ayler. The lineup is somewhat fluid and does not always include Vandermark and may include others including Jeb Bishop, Hamid Drake, etc. Harrison Bankhead, not Kent Kessler, is the usual bassist. Last known concert February 2001.

At the Empty Bottle
CD (Knitting Factory Works) 2000
Mars Williams, Ken Vandermark, Jim Baker, Fred Lonberg-Holm, Kent Kessler, Steve Hunt


WITH Steam
Notes: The original drummer for the group was Tim Keenan. Last known concert June 2001.

Real Time
CD (Atavistic) 2000
CD (Eighth Day) 1997
Ken Vandermark, Jim Baker, Kent Kessler, Tim Mulvenna


WITH Cinghiale
Notes: Last known concert February 2001.

(untitled track)
on State of the Union comp
2CD (Atavistic) 1996
Ken Vandermark, Mars Williams
there is an earlier single CD version of the compilation which does not include the more recent material (such as the Cinghiale cut)

Hoofbeats of the Snorting Swine
CD (Eighth Day) 1996
Ken Vandermark, Mars Williams


WITH the Boxhead Ensemble
Notes: This personnel of this ongoing group is fluid and only sometimes included Vandermark.

The Last Place to Go
CD (Atavistic) 1998
2LP (Secretly Canadian) 1998
Ken Vandermark, Ryan Hembrey, Julie Pomerleau, Jim White
Vandermark plays on one of eleven tracks; listed personnel is for that track only
LP version contains additional tracks, including one (“High Water”) on which Vandermark plays

Dutch Harbor: Where the Sea Breaks Its Back
soundtrack CD (Atavistic) 1997
Charles Kim, Jim O’Rourke, Ken Vandermark, Michael Krassner, David Grubbs, Douglas McCombs, Rick Rizzo
Vandermark plays on four of twelve tracks; personnel varies from track to track; listed personnel is collectively for the tracks on which Vandermark plays


WITH DK3
Notes: Formerly the Denison-Kimball Trio (although they were actually only a duo at the time); the name was changed to DK3 when Vandermark became a regular member. See the Guest appearances section for Vandermark’s appearances with the group under the old name. No recent concerts; presumed defunct.

Neutrons
CD (Quarterstick) 1997
Duane Denison, James Kimball, Ken Vandermark


WITH FJF
Notes: FJF originally stood for “Free Jazz Four” but the group was later identified only by the initials. Last known concert 1998; presumed defunct.

Blow Horn
CD (OkkaDisk) 1997
Mats Gustafsson, Ken Vandermark, Kent Kessler, Steve Hunt
album details at http://okkadisk.com/releases/od12019.html


WITH Barrage Double Trio
Notes: Last known concert September 1995; presumed defunct.

Utility Hitter
CD (Quinnah) 1996
Ken Vandermark, Mars Williams, Kent Kessler, Nate McBride, Hamid Drake, Curt Newton
album details at http://home.earthlink.net/~quinnah/Q09.html


WITH Steelwool Trio
Notes: This group is now defunct. Their last Chicago concert was in January 1997.

International Front
CD (OkkaDisk) 1995
Ken Vandermark, Kent Kessler, Curt Newton
album details at http://okkadisk.com/releases/od12005.html


WITH the Crown Royals
Notes: Vandermark left the group in fall 1999.
It has since disbanded.

Funky-Do
CD (Estrus) 1999
Pete Nathan, Ken Vandermark, Mark Blade, Jeff BBQ

All Night Burner
CD/LP (Estrus) 1997
Pete Nathan, Ken Vandermark, Mark Blade, Jeff BBQ

“Dig In”
on Flaming Burnout comp
CD (Estrus) 1997
Pete Nathan, Ken Vandermark, Mark Blade, Jeff BBQ

“Tipsy Pimp”/“DKRC”
7″ (Trixie) 1995
Pete Nathan, Ken Vandermark, Mark Blade, Jeff BBQ


WITH the NRG Ensemble
Notes: This group was founded and led (with varying lineups) by Hal Russell. Vandermark was a member for most of 1990, replacing Mars Williams during an extended absence. After Russell died in 1992, the group continued under the leadership of Williams; Vandermark rejoined and was a member until mid-1998. The group played some concerts afterwards without him in 1998 and 1999.

Bejazzo Gets a Facelift
CD (Atavistic) 1998
Mars Williams, Ken Vandermark, Brian Sandstrom, Kent Kessler, Steve Hunt

“Bejazzo Gets a Facelift”
on Out of Their Mouths Mk. 2 comp
2CD (Atavistic) 1996
Mars Williams, Ken Vandermark, Brian Sandstrom, Kent Kessler, Steve Hunt
studio recording; not the same version as on Bejazzo Gets a Facelift

This Is My House
CD (Delmark) 1996
Mars Williams, Ken Vandermark, Brian Sandstrom, Kent Kessler, Steve Hunt
album details at http://delmark.com/delmark.485.htm

Calling All Mothers
CD (Quinnah) 1994
Mars Williams, Ken Vandermark, Brian Sandstrom, Kent Kessler, Steve Hunt
album details at http://home.earthlink.net/~quinnah/Q05.html


WITH the Vandermark Quartet
Notes: The group’s final few shows (in 1995) were done as a trio without Scanlan. The group is now defunct.

Solid Action
CD (Platypus) 1994
Ken Vandermark, Daniel Scanlan, Kent Kessler, Michael Zerang

“Here Comes Mr. Weasel”/“Leadfoot”
7″ (Platypus) 1994
Ken Vandermark, Daniel Scanlan, Kent Kessler, Michael Zerang
B-side is from Solid Action; A-side is otherwise unreleased

“Eightball”/“Steel Head Beauty”
7″ (Hi Ball) 1994
Ken Vandermark, Daniel Scanlan, Kent Kessler, Michael Zerang

Big Head Eddie
CD (Platypus) 1993
Ken Vandermark, Todd Colburn, Kent Kessler, Michael Zerang


WITH the Waste Kings
Notes: The CD mentioned in the notes to one of the 7″s was never released. The group is defunct, but with a change of drummer and musical style, they became the Crown Royals.

“Garden of My Mind”/“Ride the Sun”
7″ (Estrus) 1994
Pete Nathan, Ken Vandermark, Mark Blade, Brendan Burke

“Mary’s Attic Sounds”/“Give In”
7″ (1 1/4 York) 1994
Pete Nathan, Ken Vandermark, Mark Blade, Brendan Burke

“Millionth Eye”/“Strange Movies”
7″ (1 1/4 York) 1993
Pete Nathan, Ken Vandermark, Mark Blade, Brendan Burke


WITH the Flying Luttenbachers
Notes: There are both earlier and later Luttenbachers lineups that do not include Vandermark; see http://nowave.pair.com/luttenbachers/ for complete discographical and historical information on the group.

Retrospektiw III
CD (ugEXPLODE/Quinnah) 1998
collects the contents of both of the 7″’s and both of the compilation appearances listed below, plus several previously unreleased tracks that include Vandermark, plus other material
album details at http://nowave.pair.com/luttenbachers/retro.html

Destroy All Music
CD/LP (ugEXPLODE) 1995
Weasel Walter, Chad Organ, Ken Vandermark, Jeb Bishop, Dylan Posa
Vandermark plays on five of ten tracks
album details at http://nowave.pair.com/luttenbachers/dam.html

Constructive Destruction
CD/LP (ugEXPLODE/Quinnah) 1994
Weasel Walter, Chad Organ, Ken Vandermark, Jeb Bishop, Dylan Posa
album details at http://nowave.pair.com/luttenbachers/constr.html

“Throwing Bricks”
on In Bulb-O-Phonic comp
CD (Bulb) 1997
Weasel Walter, Chad Organ, Ken Vandermark, Jeb Bishop, Dylan Posa

“Clammer + Sprint (93B)”
on Experience the NOW Sound of Chicago’s HOT Wicker Park comp
CD (TPG) 1994
Weasel Walter, Chad Organ, Ken Vandermark, Jeb Bishop, Dylan Posa

1389 Seconds of Noise
7″ (ugEXPLODE/Quinnah) 1993
Weasel Walter, Chad Organ, Ken Vandermark
record details at http://nowave.pair.com/luttenbachers/1389.html

“Attack Sequence (93A)”
on Pressure Cooker comp
CD (Furball) 1993
Weasel Walter, Chad Organ, Ken Vandermark
I’m guessing on the lineup

546 Seconds of Noise
7″ (ugEXPLODE/Quinnah) 1992
Weasel Walter, Chad Organ, Ken Vandermark
limited edition of 500 copies
record details at http://nowave.pair.com/luttenbachers/546.html


WITH Lombard Street
Notes: This was a group that Vandermark led in Boston, before moving to Chicago.

All That Falls
cassette (no label) 1989
Ken Vandermark, Peter Warren, Curt Newton

Stone Zoo
cassette (no label) 1987
Ken Vandermark, Geoff Lipman, Curt Newton

WITH Fourth Stream
Notes: This was a group that Vandermark led in school in Montreal, before returning to Boston.

Fourth Stream
LP (Crystal Reflections) 1984
Ken Vandermark, Scott White, Brendan Burke

terça-feira, agosto 10, 2004

Beato Nuno

«Nuno Álvares Pereira (1360-1431) era filho ilegítimo de Álvaro Gonçalves Pereira, prior da Ordem do Hospital. Nasceu de Iria Gonçalves de Carvalhal e foi legitimado por D. Pedro I um mês depois.

Educado com o pai até aos 13 anos, foi depois criado na corte, como escudeiro de Leonor Teles e instruído no oficio das armas por seu tio materno Martim Gonçalves do Carvalhal.

Foi armado cavaleiro por D. Leonor Teles com o arnês do Mestre de Avis, de quem se torna amigo. Adere à causa do Mestre, que o nomeia fronteiro da comarca de Entre-Tejo-e-Odiana.

Pouco depois de D. Fernando lhe conceder em préstimo a terra de Pena e de o ter feito, portanto, vassalo do rei, casou com D. Leonor de Alvim, passando a morar na Quinta da Pedraça, em Cabeceiras de Basto.

Em 1381 iniciada a guerra com Castela, colaborou na defesa do Alentejo com o irmão Pedro. Estava em Santarém no momento do assassínio do conde Andeiro, e logo aderiu ao Mestre de Avis, em posição contraria à de seu irmão Pedro.

Durante os primeiros meses de 1384 chefiou constantes escaramuças em torno de Lisboa, mas por altura da invasão castelhana permaneceu no Alentejo como fronteiro-mor. Obteve a sua primeira grande vitória na Batalha de Atoleiros.

A sua actuação na Batalha de Aljubarrota foi recompensada com generosas doações pelo rei e com o título de conde de Ourém.

Tomou parte das cortes de Coimbra onde foi nomeado condestável e mordomo-mor. Recebeu de D. João I os títulos de 3º conde de Ourém, de 7º conde de Barcelos e de 2º conde de Arraiolos. Professou em 1423 na Ordem dos Carmelitas, tomando o nome de Frei Nuno da Santa Maria. Mandou edificar o Convento de Santa Maria do Carmo, em Lisboa, onde morreu, já com fama de santo.

Desde o século XV que é objecto de culto, o que foi reconhecido pelo Papa, em 1918. É chamado Santo pelos Portugueses e pelos Carmelitas, e Beato pela restante Igreja".

É o patrono dos Dirigentes e do CNE.» (www.cne-escutismo.pt)

SE TIVERAM PACIÊNCIA DE LER ATÉ AQUI, MERECEM SABER QUE ANDA POR AÍ UM VINHO, CHAMADO JUSTAMENTE «BEATO NUNO», QUE É ORIGINÁRIO DE OURÉM EMBORA RECEBA DEPOIS UMA PERCENTAGEM DE TRINCADEIRA QUE LHE ATRIBUI PROVENIÊNCIA COMO SENDO DE FÁTIMA. O TINTO É EXCELENTE E DIZEM QUE O BRANCO TAMBÉM. E MUITO ECONÓMICO. SE LHE PUDEREM DEITAR A MÃO, POR FAVOR, NÃO HESITEM. ESTÁ COM UM GRANDE CORPO E SEM ARESTAS. PALAVRA DE BÊBEDO QUE SABE DO QUE FALA DEPOIS DE BEBER DAQUILO QUE IRÁ FALAR.


Arquivos

Novembro 2003 . Dezembro 2003 . Janeiro 2004 . Fevereiro 2004 . Março 2004 . Abril 2004 . Maio 2004 . Junho 2004 . Julho 2004 . Agosto 2004 . Setembro 2004 . Outubro 2004 . Novembro 2004 . Dezembro 2004 . Janeiro 2005 . Fevereiro 2005 . Março 2005 . Abril 2005 . Maio 2005 . Junho 2005 . Julho 2005 . Agosto 2005 . Setembro 2005 . Outubro 2005 . Novembro 2005 . Dezembro 2005 . Janeiro 2006 . Fevereiro 2006 . Março 2006 . Abril 2006 . Maio 2006 .



Lugares

ABC . Alexandre Soares Silva . Aos 35 . Aranhas, As . Atlântico . Avatares de um Desejo . Bomba Inteligente . Caravaggio Montecarlo . Casa Encantada, A . Contra a Corrente . Da Literatura . Deus me livre de ter um blogue! . E Deus Criou a Mulher . Educação Sentimental . Esplanar . Estado Civil . Homem a Dias . Invenção de Morel, A . Jazz e Arredores . Lugar Comum . Manchas . Memória Inventada, A . Mundo Perfeito, O . Origem das Espécies, A . Papagaio Morto . Porque . Praia, A . Regresso a Veneza, O . Rua da Judiaria . Seta Despedida . Sexta Coluna, A . Sound + Vision . Tradução Simultânea . Tristes Tópicos . Vício de Forma . Vidro Duplo . Voz do Deserto .




Powered by Blogger