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domingo, outubro 31, 2004

O cowboy demonizado contra o resto do Mundo

Acabei de ver na SIC. A campanha contra Bush é de tal modo ensurdecedora que eu, na qualidade de apreciador do silêncio e avesso ao simplismo do politicamente correcto, manifesto a minha preferência pela vitória do texano nas eleições de depois de amanhã. Ninguém no seu perfeito juízo pode afirmar que reagiria assim ou assado caso o seu País fosse alvo de um atentado com as proporções do 11 de Setembro. Na minha opinião, Bush reagiu bem. As consequências são... as consequências e, uma vez tomadas as decisões correctas (as que foram tomadas pela Administração Bush), não acredito que as coisas seguissem um rumo diferente independentemente da filiação Democrata ou Republicana de quem ocupasse a cadeira mais quente do Planeta. Tudo se joga, mais cedo ou mais tarde, no tabuleiro mediático (onde está a verdade?)
A euforia dos media também se encarrega todos os dias de gritar "a sua justiça" com o máximo número de imagens (armas) ao seu dispôr - a guerra é outra, bem mais global e manipuladora. Se Bush ganhar, o Mundo ficará em choque. O choque gera o silêncio. Eu quero o silêncio. Simple as that!

PULSAR

Pulsar é o nome do novo e novamente muito bom disco dos Danças Ocultas, quarteto de acordeões diatónicos que é um tesouro - ora coberto, ora descoberto - da música portuguesa. O disco traz muitos convidados: poucos (mas bons!) foram, no entanto, os que estiveram presentes no concerto, também muito bom, de apresentação do CD no Fórum Lx esta noite. Eu que estive lá, saí algures entre a fila B e as nuvens porque não é todos os dias que testemunhamos em palco quatro músicos talentosos agraciados pela mãe natureza com um pulmão suplementar que expandem e comprimem na frente de todos. Mesmo quando mais festiva, a música dos Danças Ocultas é sempre dramática: questão de fôlego (de ar); questão de vida e de morte.
Os Danças Ocultas estão bem vivos, e o seu novo Pulsar mais do que se recomenda!

Bons sonhos!

Não vi mas fiz questão de confirmar.

87' - GOLO DO SPORTING... Livre na faixa direita do ataque para Rochemback... LIEDSON antecipa-se a Odaír ao primeiro poste e, de cabeça, aumenta a vantagem leonina.

73' - GOLO DO SPORTING, por CUSTÓDIO.Canto na esquerda, com a bola a chegar a Rogério, que lança para a área. A defesa do Penafiel tenta colocar os avançados leoninos em fora-de-jogo, mas Custódio aparece sozinho e marca o segundo do Sporting.

47' - GOLO DO SPORTING... Livre no lado esquerdo para Rochemback, que cruza para o segundo poste... Polga aparece a rematar contra Avelino e depois NUNO SILVA tenta fazer o corte, mas Liedson divide o lance com o central e a bola acaba por entrar para o fundo das redes do Penafiel.

sábado, outubro 30, 2004

A morte de uma puta lusitana/ The killing of a portuguese hooker

Imaginemos João Canijo atrás do balcão. Ele é o barman que nos propõe um cocktail constituído por duas medidas do que aceitamos ser a realidade do alterne no Portugal profundo, uma medida de tragédia grega (não que tal eu esteja certo de haver identificado, mas foi tema abordado em todas as entrevistas com o realizador), e por último uma medida do Cassavetes do The killing of a chinese booker, A morte de um apostador chinês com os seus néons e as suas imagens turvas de fumo e decadência. Provei o cocktail Noite escura e não posso dizer que me tenha sabido lá grande coisa. Como o próprio título deixa antever, tudo se concentra numa única noite e no espaço claustrofóbico de um bar de alterne, situado algures. Depois o resto é demasiado viscoso, a pontos da história central sair empastelada e tolhida no seu impacto. É que com tanta sobreposição de cores e de figuras que não chegam a ser gente – a bem da maior valia artística da proposta (instante para piscar o olho a Wong Kar-wai!) – chegamos ao final com o ímpeto selvagem da “gata borralheira incestuosa” de Beatriz Batarda (uma intensidade perdida num arco-íris de cores borradas), único elemento a que não ficamos indiferentes, na medida em que a figura do pai (Fernando Luís) é intencionalmente apagada, a mãe pérfida de Rita Blanco é mera variação em registo dramático de um qualquer boneco mais garrido do universo Herman (como se Rita Blanco pudesse desatar a rir a qualquer instante...) e que Sónia, irmã da personagem de Batarda (interpretada com zero convicção por Cleia Almeida), chega a ser confrangedora de tão desajustada: também, quem se lembrou de a por a cantar Três Tristes Tigres agarrada ao varão, assim isso fosse minimamente plausível? (... coisas de intelectuais!)
Como a tragédia não chega a acontecer fora do corpo de Batarda; como não acredito naquele universo que olhado e ouvido de perto soa ainda mais estereotipado; como ficamos reduzidos à aprendizagem do Cassavetes exclusivamente assente na sua mais-valia artística, Noite Escura pareceu-me o menos interessante dos últimos filmes de Canijo. Fico nostálgico pelos Sapatos Pretos (até à investigação policial) e também, em certos momentos (quando Canijo não prestava vassalagem à poesia do Wenders de mini-DVD na mão...), pelo Ganhar a Vida, numa fase do seu trajecto em que o realizador se levava menos a sério. Um breve conselho: deixa lá a tragédia grega para os gregos, pá! e mostra o verdadeiro grunho que há em ti de que eu tanto mais gosto.

Projecto Paulo Francis (Letra H)

HITCHCOCK, ALFRED: Tudo é estereótipo em Janela Indiscreta, Rear window. Mas começam as sutis perversidades de Hitchcock. A única personagem sensata do filme é Wendel Corey (o policial). É posto no ridículo por Hitchcock. Há três casais no filme. Isso é muito importante. É perfeitamente possível conceber uma situação em que a personagem de Jimmy Stewart assassinasse a intrometida Grace Kelly. Ela quer amarrá-lo na monotonia de Nova York. Mas Hitchcock só desenvolve o marido assassino. É Raymond Burr. O actor imita à perfeição os maneirismos de David O. Selznick (o produtor de ...E tudo o vento levou, Gone with the wind, e ex-patrão de Hitchcock. Selznick ficou furioso). Sentimos que ele tinha toda a razão em matar a mulher. Mas nos tornamos cúmplices de Stewart no voyeurismo dele em observar, em perseguir Burr. Há uma cena de pura obscenidade. É o telefonema excitadíssimo (sussurrante, parece que está dizendo pornografia) que Stewart dá a Corey antes da cena final. E terminamos nos perguntando se Stewart conseguirá viver com a consumidora (Kelly) do Harper’s Bazaar. Hitchcock é o máximo em cinema. Conseguiu como ninguém usar as limitações de linguagem e de mercado da chamada “sétima arte”. (Folha de S. Paulo, 27/10/84)

MacccGuffin há só um. E escreve-se com três “cês”.

sexta-feira, outubro 29, 2004

Até perdermos o pio (com tanto assobio)

Porque na indústria discográfica portuguesa há pessoas inteligentes que já perceberam que é o consumidor adulto, urbano, culto e com uns cobres de sobra, o único que ainda vai comprando o seu disquinho de vez em quando, a tendência é para que a resistência à erosão galopante no número de CD’s vendidos se faça pelo lado dos objectos mais ou menos conceptuais, mais ou menos bossa, chanson ou smooth-jazz, reunindo um conjunto alargado de intervenientes de perfil artístico estabelecido a exemplo dos casos de sucesso experimentados pelos dois últimos CD’s de Rodrigo Leão, também pel’“O Irmão do Meio”, de Sérgio Godinho, e agora prevê-se que uma vez mais pel'O ASSOBIO DA COBRA, de Manuel Paulo, músico fundador da Ala dos Namorados (vá lá, não comecem já a torcer o nariz…) unido aqui de novo a João Monge que é só o melhor letrista da paróquia: distribui há vários anos o seu dom com as palavras pela música ligeira e pelo fado. Esta parceria de Manuel Paulo e João Monge remete com alcance e sentido para as colaborações de Chico Burque e Edu Lobo que deram origem, por exemplo, a “A Ópera do Malandro” e “O Grande Circo Místico”.
N’O ASSOBIO DA COBRA, o Brasil está de facto presente nas vozes, entre outros (ou outras), de Zeca Baleiro, Arnaldo Antunes, “Arto Lindsay” (se permitem que o considere em parte brasileiro), mas os valores deste lado do Atlântico são compreensivelmente mais numerosos: e aqui detenho-me no destaque das prestações do meu querido Camané (quando a solo, melhor ainda), de Filipa Pais e de Manuel Cruz (ex-Ornatos, hoje Pluto). Se aquilo a que chamamos de música ligeira não for além dos resultados obtidos por este disco, já nos podemos dar por bem satisfeitos, assobiando com aqueles junto dos quais esta “cobra” assobia. Senhoras e senhores, o espectáculo vai continuar… o Público deu (7/10) e com razão.

quinta-feira, outubro 28, 2004

Aprender

“Quem é sábio? Aquele que aprende com todos.” Ben Zoma, Pirkei Avot 4:1

Finalmente compreendo e aceito ser chamado de sábio. Obrigado Alberto.

sábio;
sábio;
sábio;
sábio...

... para me ficar pelo quarteto essencial.

E parabéns ao Nuno, dono da casa que agora que conheço visitarei mais vezes.

Que cor tem o azul do Nilo?

É engraçado como há discos, músicos, músicas, canções que no passado serviram de amparo à nossa solidão e que agora emprestam conforto suplementar a uma situação que não é mais essa: talvez não seja? Será que alguma vez deixamos de estar essencialmente entregues à nossa solidão? Será que queremos encarar de frente a resposta? Há discos que nos fazem sentir a um mesmo tempo mais sós e mais acompanhados também. Enquanto nos demoramos até conclusão definitiva, bem haja a música pelo bem que sabe e pelo bem que faz.

quarta-feira, outubro 27, 2004

Evolução pela canção

Já havia dado conta, e por mais de uma vez, do meu enorme entusiasmo face ao segundo disco dos Telefon Tel Aviv (o único que até hoje conhecia), intitulado Map of What is Effortless, um tratado de bom gosto sob a forma de canções electro-acústicas de pendor orquestral que a cada nova audição se revelam mais e mais arrebatadoras: pensem em Craig Armstrong e elevem à máxima potência, em todos os sentidos... Acontece que há horas atrás adquiri o CD de estreia dos Telefon..., também para a Hefty Records, que estou a ouvir pela segunda vez e que me parece já o prenúncio do fascínio que estava por vir. Trata-se de fahrenheit fair enough, quarenta minutos de música instrumental, nocturna, electrónica, cinematográfica, o esqueleto que depois veio a tomar forma com a matéria de que são feitas as grandes canções.
Este ano, na pop, houve para mim as descobertas dos Telefon Tel Aviv, dos Junior Boys e o regresso dos mestres The Blue Nile e The Magnetic Fields. Discos que independentemente do maior ou menor grau de excelência, deixam todo um deserto em volta: o caminho para a fonte da inspiração faz com que muitos morram à sede, know what I mean...? Os Telefon Tel Aviv foram a meu (ou)ver, pela evolução verificável nos seus dois excelentes discos (do absoluto instrumental para as canções absolutas), a grande revelação musical do ano.

Nota: a Ananana distribui e vende ambos os CD's dos Telefon Tel Aviv. Comecem, como eu, pelo fim... Para que sintam a evolução pela involução!

Deu à costa da misoginia paulista

Partilho com o Ivan esta singela significância escutada da boca de um colega de trabalho, brasileiro, no final de um almoço tardio mas "bacana": O homem casa-se com a mulher na esperança de que ela não mude, mas ela muda. A mulher casa-se com o homem convencida de que ele mudará, e ele não muda. Qualquer coisa assim. Dá para captar a mensagem, não?

Carnaval da Figueira

Três bombas de Roca e Carlos Martins consumaram a vingança do Sporting frente a um Naval 1º de Maio que também traja "à leão" e que é sempre um osso duro de morder (como se observou há dois anos atrás em Alvalade séc. XX). Ontem não vi o jogo mas acompanhei pelo rádio a pilhas os sobressaltos da nossa rapaziada, sobretudo na 2ª parte: a mais sofrida.
A dinâmica de vitórias prosseguirá agora a norte, dentro de dias. Não vamos perdê-lo!

terça-feira, outubro 26, 2004

TIGER 2-PACK

"I'll keep both eyes on the tiger making sure that I'll survive."

Thanks Mark,

Ricardo Gross

Super size me OUT

No meu triste caso, a "tempestade" de hoje passou por um regresso ao McDonald's que não repetirei nos próximos 200 anos. Coisa deprimente, em todos e para todos os sentidos.

segunda-feira, outubro 25, 2004

Minha deslumbrante senhora (contei 14 adjectivos)

A coisa foi pensada ainda durante o sono. O domingo chuvoso teria por contraponto uma sessão dupla com os musicais DE-LOVELY, em sala, e MY FAIR LADY, na sala lá de casa. Sobre DE-LOVELY, disse o que tinha para dizer mais abaixo. Já MY FAIR LADY, que revi como se o estivesse a ver pela primeira vez, é um filme estupendo desde o longuíssimo e belíssimo e muito florido genérico inicial até ao final suspenso segundos antes da apoteose do machismo emproado que percorre o filme de Cukor: (será que?) ela vai buscar-lhe os chinelos de quarto.
Para quem já esqueceu, Rex Harrison compõe a figura de um adorável misógino professor de fonética que vai dar aulas de etiqueta e Língua Inglesa a uma indomável florista de Tottenham Court Road interpretada pela não menos adorável Audrey Hepburn (e pelo canto cristalino de Julie Andrews). Tudo é magnífico e George Cukor coreografa primorosamente cada cena com apontamentos deliciosos do argumento genial de Alan Jay Lerner, com a partitura inesquecível de Frederick Loewe e com um technicolor deslumbrante, restaurado para esta edição DVD. É perfeito (!) e todos os musicais deviam aspirar, no mínimo, à perfeição.

domingo, outubro 24, 2004

De-lovely

Irwin Winkler acomodou-se ao lado mais confortável da biografia do genial Cole Porter – a história (finalmente) de amor deste com Linda, a sua mulher de toda a vida – e o resultado é um musical que quando pretende ser exuberante não consegue ir além da ilustração sem alma da vida mundana do biografado. Já na velhice e decrepitude do compositor norte-americano, Winkler depara-se com território propício a um registo lamuriento e amestrado que melhor se adequa aos factos narrados. O problema de De-lovely foi traduzir em música e movimento o período em que Cole Porter levava a vida diletante de um bon vivant, entre Paris e Nova Iorque, mostrando invulgar talento para escrever das mais belas canções jamais feitas e nos intervalos dar-se a insaciáveis apetites pelo amor sob todas as suas formas – coisa demasiado selvagem (apesar de regada a champanhe) para o académico Irwin Winkler. Mas Kevin Kline e Ashley Judd são muito bons, o mesmo não se podendo dizer das várias estrelas pop (excepção feita ao casal Costello...) que desfilam o seu Porter de prestígio com notória falta de talento para esta outra Arte. De-lovely é filme que se vê entre um abanar de perna e um bocejo.

Black is beautiful vezes dois

Foram precisos dois ferros bem negros e em brasa para arrancar os três pontos a um Belenenses que fez nadinha a não ser defender. Polga esteve soberano mas Liedson e Douala voltaram a ser por razões óbvias as figuras do jogo. Eles e os milhares de adeptos que nunca deixaram de acreditar na (NOSSA) vitória.

sábado, outubro 23, 2004

Gatos e pessoas

Bernard Levin in Enthusiasms (1983, Crown Publishers Inc.)

«It is not difficult for me to guess why I acquired so early a love for cats. Cats will let us love them, in fact they plainly wish us to, but they will not love us in return, though many of us delude ourselves that they do. On the other hand, they do not pretend to reciprocate our feelings, they make no promises that they cannot or will not keep, and they swear no empty vows; better so, much better.»

Um para o Porgy

«I do believe that Tim had a soul, and though I know that that is heresy to the Christians I can think of no other explanation for his truly noble nature. His bearing was proud and gentle; I remember as a child putting my knuckle to his mouth to feel his warm breath, and despite the fact that he normally eschewed any form of demonstrative affection, he licked my finger slowly, so that I felt for the first time that curious roughness that all cats’ tongues have.»

… outro para a Gira

... e ainda para quem como eu gosta muito de gatos.

Intuição (ainda as ADM)

«Isto leva-nos ao segundo ponto que é saber o que levou o líder iraquiano a agir como se tivesse armas de destruição em massa. Segundo o relatório Duelfer, o Iraque não tinha esse tipo de armas, pelo menos desde o final de 1995. Tendo em conta os enormes custos humanos e económicos da contenção imposta ao Iraque pelas Nações Unidas após 1991, como é que se explica esta opção de Saddam pela punição do seu país e dos iraquianos?
Essas armas sempre foram vistas pelo ditador iraquiano como essenciais para dissuadir os seus inimigos internos e externos, manter o seu prestigio regional e garantir a sua sobrevivência pessoal. Sob este ponto de vista era importante que o Irão, o principal inimigo do Iraque, pensasse que as armas existiam e que Saddam nunca hesitaria em usá-las. Segundo Duelfer*, “Saddam Hussein queria recriar os meios de destruição em massa do Iraque que tinham sido destruídos em 1991 após a remoção das sanções e a estabilização da economia iraquiana, mas provavelmente com um conjunto diferente de capacidades em relação às que existiam previamente”. O grande mérito do relatório Duelfer é relembrar-nos a verdadeira natureza e o modo de funcionamento do terrível regime de Saddam.»
(Miguel Monjardino, na Sábado, 15 Out 2004)

* Charles Duelfer, director do Iraq Survey Group (ISG)


«O conflito resumiu-se (?) a uma questão de orgulho desmesurado: Bush em busca de uma vitória que menorizasse os efeitos do 11 de Setembro; Saddam não reconhecendo a inferioridade militar do seu país e alimentando o jogo do gato e do rato com as armas de destruição em massa, afinal inexistentes. Saddam mereceu perder (…)» (Ricardo Gross, no Babugem, 13 Fev 2004)

Não querendo comparar-me com o prof. Monjardino e menos ainda com o sr. Duelfer... dá-me gozo à mesma.

sexta-feira, outubro 22, 2004

O que ler no exemplo do Sr. "quatrolhos"? (Steyn censurado)

THE QUALITY OF MERSEY

Today, for the first time in all my years with the Telegraph Group, I had a column pulled. The editor expressed concerns about certain passages and we were unable to reach agreement, so on this Tuesday something else will be in my space.

I’d written about Kenneth Bigley, seized with two American colleagues but unlike them not beheaded immediately. Instead, sensing that they could exploit potential differences within “the coalition of the willing”, for three weeks the Islamists played a cat-and-mouse game with Mr Bigley’s life, in which Fleet Street, the British public, governments in London and Dublin and Islamic lobby groups in the United Kingdom were far too willing to participate. As I always say, in this war the point is not whether you’re sad about the dead people, but what you’re prepared to do about it. What “Britain” – from Ken Bigley’s brother to the Foreign Secretary – did was make it more likely that other infidels will meet his fate.

I suppose the Telegraph felt the column was a little heartless. Well, this is a war, and misplaced mawkishness will only lead to more deaths. In The Face Of The Tiger, I wrote as follows about the first anniversary of 9/11, when coverage was threatening to go the way of Princess Di and mounds of teddy bears:


3,000 people died on September 11th, leaving a gaping hole in the lives of their children, parents, siblings and friends. Those of us who don't fall into those categories are not bereaved and, by pretending to be, we diminish the real pain of those who really feel it. That's not to say that, like many, I wasn't struck by this or that name that drifted up out of the great roll-call of the dead. Newsweek's Anna Quindlen "fastened on", as she put it, one family on the flight manifest:

Peter Hanson, Massachusetts
Susan Hanson, Massachusetts
Christine Hanson, 2, Massachusetts


As Miss Quindlen described them, "the father, the mother, the two-year old girl off on an adventure, sitting safe between them, taking flight." Christine Hanson will never be three, and I feel sad about that. But I did not know her, love her, cherish her; I do not feel her loss, her absence in my life. I have no reason to hold hands in a "healing circle" for her. All I can do for Christine Hanson is insist that the terrorist movement which killed her is hunted down and prevented from targeting any more two-year olds. We honour Christine Hanson's memory by righting the great wrong done to her, not by ersatz grief-mongering.

That’s the way I feel about Kenneth Bigley. Here’s the column the Telegraph declined to publish:

Whether or not it is, in the technical sense, a “joke”, I find myself, with the benefit of hindsight, in agreement with Billy Connolly’s now famous observation on Kenneth Bigley – “Aren’t you the same as me, don’t you wish they would just get on with it?”

Had his killers “just got on with it”, they would have decapitated Mr Bigley as swiftly as they did his two American confreres. But, sensing that there was political advantage to be gained in distinguishing the British subject from his fellow hostages, they didn’t get on with it, and the intervening weeks reflected poorly on both Britain and Mr Bigley.

None of us can know for certain how we would behave in his circumstances, and very few of us will ever face them. But, if I had to choose in advance the very last words I’d utter in this life, “Tony Blair has not done enough for me” would not be high up on the list. First, because it’s the all but official slogan of modern Britain, the dull rote whine of the churlish citizen invited to opine on waiting lists or public transport, and thus unworthy of the uniquely grisly situation in which Mr Bigley found himself. And, secondly, because those words are so at odds with the spirit of a life spent, for the most part, far from these islands. Ken Bigley seems to have found contemporary Britain a dreary, insufficient place and I doubt he cared about who was Prime Minister from one decade to the next. Had things gone differently and had his fate befallen some other expatriate, and had he chanced upon a month-old London newspaper in his favourite karaoke bar up near the Thai-Cambodian border and read of the entire city of Liverpool going into a week of Dianysian emotional masturbation over some deceased prodigal son with no inclination to return whom none of the massed ranks of weeping Scousers from the Lord Mayor down had ever known, Mr Bigley would surely have thanked his lucky stars that he and his Thai bride were about as far from his native sod as it’s possible to get.

While Ken Bigley passed much of his life as a happy expat, his brother Paul appears to have gone a stage further and all but seceded. Night and day, he was on TV explaining to the world how the Bigley family’s Middle East policy is wholly different from Her Majesty’s Government – a Unilateral Declaration of Independence accepted de facto by Mr Blair’s ministry when it dispatched Jack Straw to Merseyside to present formally his condolences to the Bigleys, surely the most extraordinary flying visit ever undertaken by a British Foreign Secretary. For their pains, the government was informed by Paul Bigley that the Prime Minister had “blood on his hands”. This seems an especially stupid and contemptible formulation when anyone with an Internet connection can see Ken Bigley’s blood and the hand it’s literally on holding up his head.

It reminded me of Robert Novak of The Chicago Sun-Times back in May, quoting “one senior official of a coalition partner” calling for the firing of Donald Rumsfeld on the grounds that “there must be a neck cut, and there is only one neck of choice.”

At pretty much that exact moment in Iraq, Nick Berg’s captors were cutting his head off - or, rather, feverishly hacking it off while raving “God is great!” The difference between the participants in this war is that on one side robust formulations about “blood on his hands” and “calls for the Defence Secretary’s head” are clichéd metaphors, and on the other they mean it.

Paul Bigley can be forgiven his clumsiness: he’s a freelancer winging it. But the feelers put out by the Foreign Office to Ken Bigley’s captors are more disturbing: by definition, they confer respectability on the head-hackers and increase the likelihood that Britons and other infidels will be seized and decapitated in the future. The United Kingdom, like the government of the Philippines when it allegedly paid a ransom for the release of its Iraqi hostages, is thus assisting in the mainstreaming of jihad.

By contrast with the Fleet Street-Scouser-Whitehall fiasco of the last three weeks, consider Fabrizio Quattrocchi, murdered in Iraq on April 14th. In the moment before his death, he yanked off his hood and cried defiantly, “I will show you how an Italian dies!” He ruined the movie for his killers. As a snuff video and recruitment tool, it was all but useless, so much so that the Arabic TV stations declined to show it.

If the FCO wants to issue advice in this area, that’s the way to go: If you’re kidnapped, accept you’re unlikely to survive, say “I’ll show you how an Englishman dies”, and wreck the video. If they want you to confess you’re a spy, make a little mischief: there are jihadi from Britain, Italy, France, Canada and other western nations all over Iraq – so say yes, you’re an MI6 agent, and so are those Muslims from Tipton and Luton who recently joined the al-Qaeda cells in Samarra and Ramadi. As Churchill recommended in a less timorous Britain: You can always take one with you. If Mr Blair and other government officials were to make that plain, it would be, to use Mr Bigley’s word, “enough”. A war cannot be subordinate to the fate of any individual caught up in it.

And, if you don’t want to wind up in that situation, you need to pack heat and be prepared to resist at the point of abduction. I didn’t give much thought to decapitation when I was mooching round the Sunni Triangle last year, but my one rule was that I was determined not to get into a car with any of the locals and I was willing to shoot anyone who tried to force me. If you’re not, you shouldn’t be there.

None of the above would have guaranteed Mr Bigley’s life, but it would have given him, as it did Signor Quattrocchi, a less pitiful death, and it would have spared the world a glimpse of the feeble and unserious Britain of the last few weeks. The jihadists have become rather adept at devising tests customized for each group of infidels: Madrid got bombed, and the Spaniards failed their test three days later; the Australian Embassy in Jakarta got bombed, but the Aussies held firm and re-elected John Howard’s government anyway. With Britain, the Islamists will have drawn many useful lessons from the decadence and defeatism on display.

STEYN ONLINE, October 11th 2004 (ver link na coluna em cima à direita)


Comentário pessoal: assunto delicado, muito muito delicado... isto da coragem.

Projecto Paulo Francis (Letra G)

GUIA, DOMINGOS DA: Em priscas eras, quando havia um bolo daqueles na área do Flamengo, quase invariavelmente Domingos saía com a bola, aliviando a pressão. Foi um dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos. Foi um Pelé da defesa, o maior beque da história. Lembro um dia em que Esquerdinha, ponta-esquerda do Botafogo, passou uma bola entre as pernas de Domingos. O estádio prendeu a respiração. Domingos foi atrás dele, tirou-lhe a bola e deu-lhe três dribles consecutivos. Esquerdinha caiu sentado no gramado e Domingos, por um minuto, pôs o pé sobre a bola, como um toureiro que acabou de dar o coup de grâce no touro, sob aplausos caudalosos da multidão. (O Estado de S. Paulo, 3/12/92)

Bom dia! Está um sol magnífico.

quinta-feira, outubro 21, 2004

Um Ford nunca chega sozinho

Razão pela qual podemos ficar momentaneamente com um par de bolsos vazios, à frente e atrás. Pelo menos enquanto o Público continuar a "presentear" os leitores, os cinéfilos e os leitores cinéfilos com excelentes filmes - Clássicos como OS DOMINADORES, de John Ford - e a Fnac responder com uma Campanha de Westerns onde encontramos, por exemplo, OUTRO Clássico de Ford n'O HOMEM QUE MATOU LIBERTY VALANCE. Valem-se da iniciativa do jornal para aumentar as vendas. E nós... pagamos. Como resistir a uma "coincidência" de toda a conveniência? Pagamos pois... e a dobrar.

I looked all over town

Hoje levantei-me e tomei banho com uma das primeiras músicas do concerto dos Magnetic Fields na cabeça. "A song about a sad clown": o próprio Stephin Merritt. Preciso dizer mais alguma coisa?

sms: sim, era eu lá à frente na primeira fila, e depois? Também tiveste direito à tua canção (I wish I had an evil twin) como eu tive à minha (Smoke and mirrors ;-)

quarta-feira, outubro 20, 2004

Uma noite com Ildo (sem prolongamento)

Certa noite levei uma colega de trabalho, que não é mais, a jantar num restaurante cabo-verdiano chique ali para os lados de Santos, que também já não existe, a pretexto de assistirmos a um pequeno recital de Ildo Lobo com a sobremesa - o típico programa que relacionamos com casas de fado. Ildo e os excelentes músicos que o acompanhavam fizeram o primeiro set, depois intervalo, e retomariam mais tarde o resto do programa. Como a minha ex-colega tinha uma criança que ficara com a baby-sitter (ou seria com o pai?) que não era obrigada a esperar pela noite dentro, resolvi ir despedir-me de Ildo Lobo dizendo que tinha de levar a minha acompanhante a casa e que não podia ficar para o ouvir mais. O homem, de resposta pronta, sugeriu logo que a mandasse de táxi e que me deixasse estar. Mesmo com toda a admiração que sentia por Ildo Lobo, ainda assim cumpri com os requisitos do cavalheirismo... à minha maneira.
Hoje, sabendo da notícia da morte de Ildo Lobo junto com as recordações das poucas histórias que "ambos" protagonizámos, das coisas que mais incomoda é pensar nos meses entretanto passados sem que eu tivesse voltado a ouvir um CD de Ildo, com ou sem os Tubarões. O homem era uma grande figura, sob vários aspectos. Era um puro que fazia o que lhe dava na real gana. Espero sinceramente que onde quer que Ildo Lobo agora esteja, não lhe falte "público" para o ouvir cantar, não lhe falte whisky para matar a sede e não lhe faltem mulheres para Ildo fazer com elas o que bem entenda e, MUITO IMPORTANTE, o que elas deixarem.

Saudade das mornas futuras

Um amigo acabou de me informar da morte do músico cabo-verdiano ILDO LOBO, que ouvira noticiada pela RDP África. Fiz uma pesquisa rápida na Internet e nada. Não deixa de ser sintomático que as notícias do falecimento de Ildo nos cheguem primeiro pela voz, sinal de proximidade, sinal também de uma música que ainda faz da sua força a ligação que estabelece numa comunidade de apreciadores muito inferior em número ao que concebemos como património de utilizadores de um meio tão massificado como a "rede".
Mas isto são filosofices, o que importa é partilhar a tristeza pelo desaparecimento daquele que sempre considerei como a Voz de Cabo Verde: não Bana, não Cesaria, Ildo Lobo foi, dentro e fora dos Tubarões, a referência que nunca deixei de situar acima de qualquer outra. Ildo gravou para mim o melhor disco de música africana de todos os tempos, NOS MORNA, e recordo-o, porque tive o enorme privilégio de o conhecer, como um indivíduo simples, de boa conversa (como ele falava despreocupadamente das suas maleitas: Ildo sofria de diabetes), com uma atracção irresistível pela bebida e pelas "damas". Quando cantava, independentemente do estado em que se encontrava (parecia quase sempre... sóbrio), tudo parava à sua volta: mesmo quando dancei ao som de Ildo Lobo que actuava no palco do B. Leza, os nossos corpos (o meu e o dela) moviam-se mas o pensamento (o meu, apenas) estava totalmente paralisado em face da beleza e da imensidão da voz de Ildo Lobo.
Ildo Lobo morreu hoje com 50 anos de idade, de ataque cardíaco. Não sei o que dizer mais. Ficaram poucos discos para o recordar (seriam de qualquer forma sempre poucos perante um desaparecimento tão abrupto), e fica sobretudo uma saudade eterna pelas mornas e coladeras que este génio ainda podia gravar nos anos de vida que, avaliando unicamente pelo seu talento, muito mais do que se justificavam. E pronto, a morte de Ildo Lobo já está na Internet.

terça-feira, outubro 19, 2004

A boa da má vida

EU SEI QUE O TEXTO É LONGO, MAS ESTE CABRÃO DO BERNARD VALE CADA LETRA COMO SE AS MESMAS FOSSEM ESCRITAS A OURO. LOGO, O QUE SE SEGUE NÃO É UMA SIMPLES CRÓNICA, ANTES UM TESOURO DE PALAVRAS QUE NÃO MAIS SE RENOVARÃO DEPOIS DA MORTE, EM FINAIS DA DÉCADA DE 90, DO INSUBSTITUÍVEL GARIMPEIRO QUE AS VIVEU E LHES DEU VIDA.
AO JEFF, TODOS OS BRINDES DESTA NOITE. CHEERS! AND DOUBLE CHEERS!!

Steamy Weather, por Jeffrey Bernard (in Low Life, 1987 Pan Books)

«Ever since Russell Square and Jermyn Street ran out of steam I’ve despaired of ever getting a Turkish bath again. I much prefer them to saunas, which I find claustrophobic and akin to a punishment box in which you sweat it out metaphorically, so to speak, as well as physically. The Turkish bath is, by comparison, spacious. It’s also nicely social. You can walk about and have a chat and all sorts of oddballs loom up in the steam. To my surprise and delight our friendly Spectator publican, Dave, introduced me to a steam bath just the other day; it must be one of the very few left in this clapped-out (name and address withheld for fear of tourist invasion). But what a pleasant afternoon I had and in the best company. As soon as I’d undressed and left the locker room I was introduced to some very stalwart men who were lolling about and melting in the steam room. “This is Jeff. I’d like you to meet Freddie. Freddie’s one of the most successful bank robbers in the country. This is Jim. Jim’s just come out after a seven stretch and here’s Tom. He’s got a spieler in the Commercial Road.” What a jolly bunch they were and the only one who wasn’t smiling was Solly, a 70-year-old taxi driver, who was staring mournfully at his prick and intoning: “We were born together. We grew up together. We got married together. Why, oh why, did you have to die before me?”
The surprise of the afternoon was the picnic they produced in the locker room. Ice-cold lagger, vodka, cold chicken, grouse or what you would and then back to the steam and in and out of the cold plunge. After that, a fairly ancient man with fingers of steel gave me an excellent massage which really toned up the cupboard I live in. Just as I was about to get off the slab he surprised me by pouring shampoo on my nut and giving my scalp a massage. Then he hosed me down. I haven’t felt so good since Emprerey won the Derby. In fact I felt five years younger, which brought me down to about seventy. I think I’ll go regularly from now on, and for all that it’s a snip for a fiver. It’s also quite safe for me to visit Turkish baths now that I’ve lost my looks. In my pugilistic days, in the days when I could look a clock that was saying 11 o’clock in the face without breaking into a brisk trot to the nearest pub, then I had to repel quite a few would-be boarders. Yes, the sign of being over the hill isn’t policemen getting younger as far as I’m concerned, it’s not being bought drinks by rich queens; the last time someone tried to drown me on the strength of my being a pretty face must be twenty years ago. The journey to the grave is studded with injuries to one’s vanity.
Yes, for my money – and that’s a joke – the Turkish variety beats the Swedish one hands down. And saunas can be dangerous. A very well-known friend of mine (name withheld, birds still pining, address Heaven) got into the habit of indulging in sexual intercourse in a sauna in a private house. I caught him at it one day and showed him the yellow card, but he would persist. Ten days later he had a heart attack and dropped dead in the street. Sex at 100 degrees and more Fahrenheit just isn’t on and it’s a pity, considering the climates of their respective countries, that Khomeini, Amin and Gaddafi don’t screw themselves to death. But there’ll never be another Jermyn Street. When the jockeys used to use it to take off pounds after the races and after a session in Jules Bar then that was a night on the tiles. And the stories you heard, never mind the tips. But the Russell Square establishment was the best one for a night’s kip, which is exactly what I used it for when I was on the bum. At 10 shillings a night it was the cheapest hotel in London and I was the cleanest man in London. And, as I said, I was pretty good at getting ten bobs in those days. Next week’s steam bath will have to be paid for by the sweat of this old brow. »

Browsing com Tom e com Elvis

De visita, mais uma, ao site da Amazon, reparei que a pretexto do lançamento dos novos CD's de TOM WAITS e de ELVIS COSTELLO, o sítio inglês pediu aos dois músicos uma selecção de discos muito pessoal. E há curiosidades que saltam à vista: Tom escolheu o último disco de Costello, e este escolheu um CD de Carlos Paredes que foi-lhe oferecido por ocasião dos concertos deste ano em Portugal. As listas têm comentários o que só enriquece a consulta. Enjoy!

ESCOLHAS E RAZÕES DE TOM:
Let The Buyer Beware by Lenny Bruce
Awesome in its scope and depth. Hal Wilner compiled this from thousands of feet of tape. It is the road that all comics of today are driving on.

In The Wee Small Hours by Frank Sinatra
Actually, the very first "concept" album. The idea being you put this record on after dinner and by the last song you are exactly where you want to be. Sinatra said that he's certain most Baby Boomers were conceived with this as the soundtrack.

The Abyssinian Baptist Gospel Church Choir by the Abyssinian Church
Tony Bennett said this is the greatest rock and roll record ever recorded. You can feel why in these wild powerful performances – produced by John Hammond in the early 60’s. (John was, among other things, an avid fan of gospel) This choir is barely containable. It puts you in the choir with them. Astonishing, awesome. You will be saved.

Y Los Cubanos Postizos by Marc Ribot
This Atlantic recording shows off one of many of Ribot’s incarnations as a prosthetic Cuban. They are hot and Marc dazzles us with his bottomless soul. Shaking and burning like a native.

Purple Onion by The Les Claypool Frog Brigade
Les Claypool’s sharp and imaginative, contemporary ironic humor and lightning musicianship makes me think of Frank Zappa. “Dee’s Diner” is like a great song your kid makes up in the car on the way to the drive-in. Songs for big kids.

The Delivery Man by Elvis Costello
Scalding hot bedlam, monkey to man needle time with his sharp. I’d hate to be balled out by him. I’d quit first. Grooves wide enough to put you foot in and the bass player is a gorilla of groove. Pete Thomas, still one of the best rock drummers alive. Diatribes and rants with steam and funk. It has locomotion and heat. Steam heat, that is.

Ompa Til du Dør by Kaizers Orchestra
Norwegian storm trooping tarantellas with savage rhythms and innovative textures. Thinking man’s circus music. Way out.

Flying Saucer Tour by Bill Hicks
Bill was trying to get free of the nagging hunger for mainstream acceptance. These gems were recorded in towns barely on the map and he sometimes had to make a mad dash for the car, outrunning an angry mob. Hicks was our Lenny Bruce. R.I.P.

Masked Man by Charlie Patton
Beautiful retrospective on one of the pillars of the Delta Blues. Clearly not only a blues man but a songster as well and a teacher to all who would follow.

The Specialty Sessions by Little Richard
The steam and chug of Lucile alone pointed a finger that showed the way. The equipment wasn’t meant to be treated this way. The needle is still in the red.

ESCOLHAS E RAZÕES DE COSTELLO:
More Adventurous by Rilo Kiley
This album has the best lyric writing that I've heard in many a day. "Does he love you?" is the finest and most touching telling of a short story that you are likely to hear all year. Rilo Kiley have wonderful melodies and great playing and singing. Don't miss this one.

Uh Huh Her by PJ Harvey
My favourite Polly Harvey records have always been the raw and bare ones, driven by her great guitar playing and voice. She plays everything on this one, except drums and it is all the more vivid as a consequence. Check out "Slow Drug" and "Pocketknife".

Moments From This Theatre by Dan Penn & Spooner Oldham
This is the best Dan Penn album in catalogue because it is spare and spontaneous, putting the spotlight on those remarkable songs ("Dark End of The Street", "It Tears Me Up" and "I'm your puppet") and Dan's amazing voice. This is what Elvis Presley could have been.

Ollabelle by Ollabelle
A terrific vocal group with several vivid personalities. They have found the gospel in the Rolling Stones' "I am waiting" just as much as in Blind Willie Johnson's "Soul of a Man". Check out "Before this time".

David Ackles by David Ackles
I've loved and recommended this record since the late 60s and I am glad to see it in the CD catalogue. David Ackles was probably the most underrated songwriter of his time. His melancholy voice and adult writing style was totally out of step with the times but the songs really hold up. Check out "Blue Ribbons" or "Road to Cairo". It is hard to choose between this one and the Subway to the Country album. I strongly recommend both.

Bruckner - Mass in D minor conducted by Sir John Eliot Gardiner
I stumbled on this recording recently while looking for a Bruckner symphony (the 9th Symphony is a favourite work of mine). It is a really beautiful piece and this disc also contains some lovely performances of the Motets.

Guitarra Portuguesa by Carlos Paredes
I was given this album recently during my first visit to Portugal in twenty-five years. Now I know what I've been missing; mysterious, delicate melodies and incredible playing.

Practice Tape, Vol. 1 by Bill Evans
There are so many incredible Bill Evans records to recommend but this something curious; a glimpse of his working methods, improvising at home and playing through pieces by Bach. Some of the performances are just fragments but it rare to hear such sketches by a great artist.

The Return of Wayne Douglas by Doug Sahm
The final release by a much-missed character. If you can't find the all-star, Doug Sahm and Band on Atlantic, then this is a great alternative. My favourites are "Cowboy Peyton Place" and the really funny "Oh no, not another one", a must for "real country" fans.

The Essential by Sonny Boy Williamson
There are shorter, cheaper collections but treat yourself to this double CD and you won't regret it. It contains all of the most famous sides, "Don't start me talking", "Your funeral and my trial" and "Help me" but also gives you the quirky, "Little Village", "Like Wolf" and "The Unseen Eye". A poet and the most conversational singer and harp-player you will ever hear.

Quanto ao resto: http://www.amazon.co.uk/exec/obidos/tg/browse/-/229816/ref=cs_nav_tab_m/026-3915736-1485214

segunda-feira, outubro 18, 2004

Fazer teatro

A minha «urgência» na passada sexta-feira foi sair de fininho.

Intervalo

A Inês não deixará de morar aqui tão cedo.
Até breve!

Estou com a canzoada!

A União Zoófila pede mantas, cobertas, cobertores e demais variantes que já não façam falta, para ajudar a aquecer, ao longo do Inverno, os animais alojados neste canil a descoberto. A ternura que muitas vezes me falta em relação aos humanos, sinto-a em demasia pela bicharada. Daí juntar-me nesta divulgação: venham de lá esses aconchegos!

Entrega dos materiais na:
UNIÃO ZOÓFILA
ALTO DO BAIRRO DAS FURNAS
S.DOMINGOS DE BENFICA
(perto do Jardim Zoológico)

Contactos e Informações:
Luísa - 933 221 128
Maria João - 919 908 666

Isto é o Babugem de coração mole e não é da chuva.

Assim em Portugal como no Brasil

O Melhor do Brasil

Olavo de Carvalho
O Globo, 16 de Outubro de 2004

«As pesquisas de opinião mostram que, se as eleições americanas fossem no Brasil, John Kerry obteria quase cem por cento dos votos, mas, se fossem no Iraque, Bush venceria sem dificuldade. A conclusão é óbvia: os pobres iraquianos estão sendo manipulados por uma sórdida campanha de publicidade. Que bom viver no Brasil, onde a mídia é honesta e equilibrada.

Vejam vocês: todos os cinemas brasileiros que exibiram o filme de Michael Moore contra George W. Bush projetaram também o documentário dos veteranos de guerra contra John Kerry. Nas livrarias, encontram-se, em número igual, reportagens investigativas, confiáveis ou não, com mirabolantes histórias secretas dos dois candidatos. Nos comentários de TV, cada palavra dita contra Bush é contrabalançada por uma contra Kerry.

Se os brasileiros optaram por Kerry, foi portanto com plena consciência. Eles não foram privados de nenhuma informação essencial que pudesse afetar suas preferências.

Ninguém neste país ignora, por exemplo, que um dos principais agentes financeiros da campanha de Kerry, o banqueiro iraniano Hassan Nemazee, tem altos negócios com o governo de Teerã. Nem que Kerry, portanto, tem boas razões para proclamar que o melhor a fazer com os aiatolás é abastecê-los de combustível nuclear americano, mesmo depois de o presidente do Irã anunciar que em quatro meses seu país terá uma bomba atômica.

Nenhum brasileiro foi privado de acesso à confissão do ex-comandante do serviço secreto romeno, Ion Mihai Pacepa, de que as declarações de Kerry ante o Senado, em 12 de abril de 1971, nas quais ele acusou os soldados americanos de cortar a esmo orelhas, pernas e cabeças de civis no Vietnã, se originaram em desinformação plantada pelo próprio Pacepa entre as organizações “pacifistas” da época.

Nenhum brasileiro foi impedido de ouvir a entrevista do médico militar que tratou de Kerry no Vietnã, segundo o qual as famosas feridas de guerra que deram uma condecoração ao herói foram curadas com um simples band-aid.

Nenhum brasileiro foi mantido na ignorância de que Teresa Heinz Kerry subsidia 57 movimentos radicais, muitos deles ligados a organizações terroristas islâmicas.

Nenhum brasileiro deixou de saber que George Soros, o megafinanciador de Kerry, não é só um empresário subitamente interessado em política, mas um tarimbado orquestrador de golpes e revoluções.

Nenhum brasileiro desconhece que a campanha mundial anti-Bush é dirigida pelos mesmos interesses petrolíferos que se alimentaram da ditadura sangrenta de Saddam Hussein.

Nenhum brasileiro deixou de ser informado de que, dos virtuais eleitores de Kerry, só 40 por cento gostam dele; o restante votaria em qualquer coisa que fosse contra Bush.

Nenhum brasileiro ficou sem saber que a justiça americana descobriu uma inundação de títulos eleitorais falsos, espalhados pelo Partido Democrata.

Todas essas notícias foram amplamente divulgadas e comentadas, com exemplar idoneidade, pela mídia nacional.

Mas como não haveria de ser assim? Por que o nosso jornalismo seria menos isento e objetivo com as eleições americanas de 2004 do que o foi com as brasileiras de 2002? Por acaso algum brasileiro votou sem saber que participava de uma encenação destinada a reduzir o leque das opções políticas à escolha entre variados tipos de socialismo? Alguém votou sem saber das ligações políticas de pelo menos três dos partidos concorrentes com organizações de terroristas, narcotraficantes e seqüestradores no quadro do Foro de São Paulo?

É claro que não. O país, informadíssimo, votou consciente, na eleição proclamada pela mídia “a mais transparente da nossa história”. É com semelhante conhecimento de causa que ele agora, quase unanimemente, torce por John Kerry.

O melhor do Brasil são mesmo os brasileiros. Principalmente os jornalistas.»

NOTA DO EDITOR (eu próprio): Já não há heróis. Terão sido substituídos pelos falsos ingénuos? É um risco que corremos todos, todos os dias. De facto, já não há heróis. A não ser, como escreve Olavo de Carvalho, os jornalistas brasileiros e os do resto do mundo também.

4ª feira magnética e doutoral

Bom dia! Esta é a semana em que os Magnetic Fields aterram mais a sua adorável tralha acústica na Aula Magna, em Lisboa. Se o concerto for tão informal e friendly como a anterior passagem no palco bem mais desproporcionado do CCB, a noite será uma celebração tranquila de estupendas canções interpretadas de forma blasé blasé.
Numa primeira fase fiz-me ao convite mas acabei por comprar bilhete. Este Sábado, vá-se? lá? saber? porquê?, ainda havia lugares disponíveis. Os bons é que já eram poucos. Eu vou estar entre estes.

Nota muito pessoal: Com total certeza vos digo que muito dificilmente escutarei ao vivo a minha canção preferida dos MF. Chama-se "Smoke and Mirrors", põe-me tonto sempre que a ouço, e faz parte do álbum GET LOST, aquele que antecipa a obra-prima que todos sabem qual veio a ser.

sábado, outubro 16, 2004

ROCHEMBACK

O Maestro voltou e a música foi logo OUTRA.
Tiro também o chapéu (se o tivesse) a Douala que fez um jogão e que esteve nos três primeiros golos.
Porque a matemática assim o obriga: dois de Liedson mais dois de Viana deu 4-1. Quero dizer, 1-4.

A inefável consciência do prof. Marcelo

Inefável é o que não pode ser dito. Os argumentos do prof. Marcelo, "expostos" à mesa de um jantar com profissionais da TVI, não convencem ninguém com dois dedos de juízo. Segundo percebi, o professor disse que por razões de consciência abandonava aquilo que tinha feito dos últimos quatro anos os melhores anos da sua vida. Caro prof. Marcelo, vamos lá a traduzir para bom português o que o professor quis dizer quando disse e nada disse (ou o que não podia dizer, o que vai dar no mesmo...) Não deixe que a sua última lição se limite a um exercício de oratória sobre o vazio. Na qualidade de aluno mais ou menos assíduo dos serões de domingo, apresento os meus antecipados agradecimentos.

Um colosso do saxofone

Sonny Rollins era nome da casa, bem entendido. Mas nunca antes eu ouvira um disco tão extraordinário do "saxophone colossus" como este Blue Note 1558 Vol. 2*. Um CD onde se reúnem as forças expressivas de Rollins, J.J. Johnson, Horace Silver, Thelonious Monk, Paul Chambers e Art Blakey. O disco já era histórico, eu é que felizmente ainda não o conhecia: se é intemproral, qualquer momento é ideal para a sua descoberta. E atenção que há ainda, obviamente, um primeiro volume como aqui se mostra. Os nomes, também lendários, é que são outros.

* uma das compras efectuadas na nova loja do Trem Azul, cuja inauguração já foi por mim destacada em proveito de todos os que gostam de música jazz.

sexta-feira, outubro 15, 2004

Mas não morremos todos?

Mudei de ares. Aqui quem fuma deve fazê-lo junto às escadas de incêndio. Também ninguém ouve música a não ser com headphones - regra da casa que não se discute.
Bebo todos os dias 1 litro de água quase sem esforço. Almoço no Instituto Macrobiótico o que representa caminhadas de quinze minutos, para lá e para cá. E tenho guardadas cá umas bolachinhas que de biológico só não têm o pacote.
Um colega transalpino que trabalha de frente para o corredor de acesso às casas de banho vê-me passar vezes demasiadas: oops, volto já já...
(...)
(...)
(...)
Com tanta desintoxicação um dia destes ainda morro.

quinta-feira, outubro 14, 2004

O que muda e o que permanece

Aqui à volta transportam os móveis de um canto para o outro. Aqui na mesa carregam as pálpebras de baixo para cima. Estivesse eu a fazer o trabalho de outros que logo manter-me-ia desperto.

Paradoxo e interrogação

As primeiras páginas do jornal Público, de ontem, traziam um inventário dos países que representam principais ameaças de destruição nuclear para o mundo ocidental e falavam também do desejo de um determinado "think-tank" neoconservador norte-americano (assumo o pleonasmo!) de derrubar o regime iraniano à semelhança do que os Estados Unidos fizeram no Iraque de Saddam Hussein, mas com os acertos devidos.
Paradoxo: se por um lado a iminência da ameaça da destruição em massa dá argumentos de força à política justiceira da administração Bush, temos de reconhecer que a vontade de fazer a guerra no Irão colocará na boca de muita gente expressões do género: "Ó não, lá vamos nós outra vez..." (variante: "Ó não, lá vão eles outra vez...") A quem interessará, no fundo, o surgimento deste tipo de reportagem em tão estratégico momento? A pergunta fica no ar.

Convite

É jazz. É já logo. APAREÇAM.

Gestos sem arestas

Hoje o dia foi assim como saltar de um episódio da Tieta do Agreste para o colo do paraibano Chico César. Felizmente, o músico brasileiro tinha os braços firmes e bem abertos. Outra vez. Bom espectáculo, muito espirituoso.

quarta-feira, outubro 13, 2004

O primeiro dia

Quando chegamos a um novo local de trabalho, até o simples acto de escovar os dentes depois do almoço pode ser factor de algum constrangimento.

terça-feira, outubro 12, 2004

Indigo

Escutei (ainda escuto...) duas mãos que aspiram a ser eternas, no piano de Bernardo Sassetti. Indigo: sou eu que o digo.

segunda-feira, outubro 11, 2004

Lundi matin visto l’aprés-midi

Lundi matin, Segunda de manhã é a mais recente vagabundagem cinematográfica, premiada, do georgiano Otar Iosseliani. E mais não é do que o habitual catálogo de pequenas insignificâncias, ora amargas, ora doces, filmadas a passo de crocodilo, velho observador, com lágrima ao canto do olho pelo mundo rural e pela aristocracia decrépita.
Aqui, como em outros filmes do bonacheirão Otar, prima o gosto pelo artifício, pela diletância e pela decadência de territórios e países com história que, na sua vulgarização, se assemelham cada vez mais uns aos outros.
Em Lundi matin, Segunda de manhã bebe-se muito – homens entregues ao ócio veneziano; mulheres a alombar, por vezes, também com eles... – e o filme tem o seu charme por isso, pois assim o exige esta pequena odisseia caprichosa de Iosseliani, embora a mesma resulte num teimoso e intermitente bocejo. Iosseliani especializou-se na vadiagem “trans-histórica” e multicultural repleta de seres bizarros, porque ainda há gente que cai no bluff do georgiano. Eu, por exemplo.

domingo, outubro 10, 2004

Breve nota sobre a deslocação a Marrazes em dia chuvoso

Obrigado pela simpática companhia e pela boa conversa ao Luciano (e família), ao Miguel (e mulher), ao Alberto, ao João, ao outro João, ao Carlos, ao Maradona e ao Bruno, tudo gente às direitas. Para conhecimento geral, fiquei jantado.

sábado, outubro 09, 2004

Solução: arquivos

Quando um post é demasiado longo, por vezes não é possível lê-lo na íntegra ao entrar no blogue. A solução é carregar na data mais recente dos "arquivos".
Um aviso que nunca é de mais repetir.

What it takes to be a Mann’s man

O “exterminador implacável” traja Hugo Boss no novo filme de Michael Mann, Colateral. E este é apenas um pormenor (embora dos mais significativos) de um objecto que pega numa história característica de um polícial de série B, para a transformar num thriller hi-tech que cruza as mil e uma luzes da noite de Los Angeles em direcção à manhã do dia seguinte.
O exterminador chama-se Vincent e é interpretado pelo de novo excelente Tom Cruise: Mann estilhaça com a verosimilhança do seu assassino profissional a cada frame, pelo que é quase comovente de assistir à entrega (muito) física e (não tanto) emocional da estrela americana. O brilho do assassino só é ofuscado pelos néons de LA que Mann regista com uma voluptuosidade de crisálida. O filmes de Michael Mann, sobretudo as suas ficções que incidem no mundo do crime da grande cidade, resultam invariavelmente numa espécie de "cinema-ambiente" cuja poesia reside no tratamento da luz e da temperatura das cores (de baixa graduação no digital gelado de Colateral) e na música que lhes é sobreposta – aqui uma espécie jukebox que tanto recorre à soul clássica, como ao jazz e ao grunge datado.
Nada disto é novidade, porque Colateral é mais uma variação sobre o que é necessário para que um homem se torne um herói no cinema de Michael Mann. Tal como em Heat – Cidade sob Pressão, de grata memória (tinha Pacino e De Niro em duelo de titãs), o realizador coloca de novo no centro do seu caleidoscópio urbano duas versões opostas, logo complementares, da masculinidade em queda: o homem comum (o taxista intrepretado por Jamie Foxx) que adia emancipar-se da mãe possessiva e decidir-se finalmente pela realização do sonho da sua vida, e o sociopata (interpretado por Cruise) que uma noite lhe entra pelo carro dentro e que o transforma num sobrevivente, logo, num novo homem. O destino de Vincent (Cruise) determinará o rumo futuro da vida de Max (Foxx). Vincent é um fantasma, uma criatura desligada de tudo e de todos, que mata com a frieza de um predador. A sua existência justifica-se apenas por aquilo que faz “profissionalmente”. Até ao momento em que a essa mesma combatividade se transfere para um outro ser humano...
Isto parece-me tudo muito interessante, mas há que reconhecer que exceptuando dois momentos antagónicos e prodigiosamente coreografados, representados pelo massacre na discoteca Fever e pela eliminação da última vítima de Vincent num prédio de escritórios com o despontar da madrugada nos céus de Los Angeles, Colateral vai perdendo gás uma vez que à volta dos dois protagonistas tudo parece mais frouxo (apesar da já referida excelência da moldura atmosférica) e que o final se anúncia previsível e também pouco arrojado. Mann parece ter negociado com os fãs de Cruise uma qualquer espécie de compensação que não me cabe a mim aqui revelar para não vos estragar o espectáculo. É que não sendo eu um Mann’s man (pelo menos não dentro da tela), impõe-se à mesma que esteja à altura das exigências do cinema deste norte-americano que tanto aprecio.

Fedorento

Estive presente na primeira gala de prémios do Inimigo Público. Foi divertido. Foi embaraçoso. Foi bom. Depois vêem como foi na televisão...

sexta-feira, outubro 08, 2004

A Arte de Cossery

Há livros que quando cruzam a nossa vida, parecem não o fazer por acaso.

«- Só a arte me importa, declarou Mimi. É por isso que me interesso pela tua família. À vossa maneira, vocês também são artistas.
- Não entendo, estranhou Serag. Estás enganado, nós não somos artistas. Não fazemos absolutamente nada.
- É isso mesmo, acentuou Mimi. Em minha opinião essa estranha ociosidade é uma arte suprema e distinta.» (pág. 90)

Mandriões no Vale Fértil, de Albert Cossery, tem por personagem principal que atravessa todo o livro, o sono. Uma “arte suprema” que tenho exercitado agora mais do que nunca. A obra de Albert Cossery chegou na altura certa. Tem-se revelado a tal ponto excelente (e excelentemente traduzida por Júlio Henriques para as Edições Antigona), que considero a leitura sequencial dos seus oito livros: Mendigos e Altivos, A Violência e o Escárnio, As Cores da Infâmia, A Casa da Morte Certa, Uma Conjura de Saltimbancos, Os Homens Esquecidos de Deus e Uma Ambição no Deserto, para além do título já citado e de um livro de Conversas com Albert Cossery. Títulos reveladores e tratados de uma filosofia comum de recusa das ilusões mundanas. Para seguir com sentido crítico, obviamente. E com total liberdade para ir adormecendo de vez em quando...

quinta-feira, outubro 07, 2004

Os cinéfilos "aos pés" do Público

O jornal Público dá hoje início a uma colecção de DVD's com Clássicos Americanos que reúne o melhor acervo de filmes jamais lançado em iniciativas do género. Daqui até 17 de Fevereiro de 2005 sucedem-se as preciosidades, todas de aquisição obrigatória, das quais me permito destacar os Welles' (Citizen Kane e The Magnificent Ambersons), os Hawks' (Bringing Up Baby e The Big Sky), os Ford's (She Wore a Yellow Ribbon, Fort Apache e Wagonmaster), os Ray's (They Live by Night e On Dangerous Ground) e os Tourneur's (Cat People mas, sobretudo e sobretodos, Out of the Past). Magnífica, magníficos, magnífico.

Eu também blasfemo!

No caso do “abandono” de Marcelo Rebelo de Sousa das suas funções de comentador político (e de tudo o mais...) na TVI, digo que se perdeu um grande comunicador de televisão mas que se ganhará um candidato à presidência da República igualmente muito popular. Agora que é mártir do centro-direita, Marcelo tem todas as condições de fazer o (quase) pleno consensual.

Italiano para reconciliados

A igreja de S. Sebastião da Pedreira tem pintada numa das paredes a inscrição “a revolução é a festa dos deprimidos”. Reconheço o tom provocatório da mesma mas lembrei-me dela frequentemente ao longo do visionamento de Bom dia, noite, de Marco Bellocchio, que como muitos sabem recria os 55 dias de cativeiro e o assassinato de Aldo Moro, presidente do partido Democrata Cristão italiano, às mãos das Brigadas Vermelhas, em 1978.
O filme de Bellocchio tem coisas boas e outras nem tanto. Se por um lado parece-me justo o registo mais naturalista e contido do cada vez maior autismo ideológico dos raptores - a insanidade que leva ao assassinato de inocentes (em última análise todos os homens são inocentes perante a tentativa de lhes roubarem a própria vida!) em nome de valores que definham face à violência que os mesmos originam, por outro lado existe também no filme de Bellocchio um registo mais onírico que serve de escape à angústia de Chiara, o elemento feminino das Brigadas – espécie de janela libertadora de todo o cinzentismo e da claustrofobia experimentada na clandestinidade – que se abeira do mau gosto no simbolismo iconográfico (as várias cenas despoletadas pelas reacções à correspondência de Aldo Moro quando preso; os sonhos de Chiara também) e musical: embora os apreciadores de utopias redentoras e/ ou de Pink Floyd estejam no direito de pensar o contrário...
Bom dia, noite é acima de tudo um filme importante porque assume uma tentativa de reconciliação com o período mais conturbado da história italiana recente. Mau grado alguns desvios a fazer "Arte", Bellocchio privilegia a complexidade humana do tema e as implicações morais, políticas e sociais deste.
Muito perigosamente equivocados estarão todos os que vêem no terrorismo actos de gente que não é normal como os outros. Normais eles são, apenas a cegueira ideológica tê-los-á levado ao estado de depressão dos que a determinada altura se fecham aos prazeres e à beleza da vida. Ali e então. Porque os valores tendencialmente niilistas são o contrário da vida, isto é, a sua negação.

quarta-feira, outubro 06, 2004

Cortesia

Cortesia, s. f. Polidez no trato, civilidade. Cumprimento. Garrafa de Quinta das Caldas (Douro, 2001, Alves de Sousa) trazida para o jantar.

Projecto Paulo Francis (Letra F)

FITZGERALD, SCOTT: Eu, em Botafogo, na cidadezinha deliciosa que era o Rio, quando li Suave é a noite, Tender is the night, me entreguei de corpo e alma ao glamour e ao romance do livro. Como é terna a noite da decadência dos aristocratas de Fitzgerald. Prefiro ser como eles, acabar como eles, a ser um sueco mecânico, produto do Estado de bem-estar social, que para mim é um tédio mortal. Acho não só que a experiência romântica é incomparável como irrecuperável. O livro não é literatura para moças ou kitsch. A loucura de Nicole é às vezes assustadora e o fim do amor dela por Dick é profundamente observado por Fitzgerald. Mas o homem ter tamanha esperança romântica na mulher, como Fitzgerald escreve em The great Gatsby, Tender is the night ou até The last time I saw Paris, não é mais possível, porque havia um mistério, um quê de inacessibilidade que só estimulava o desejo de possuí-la e desvendá-la, que, hoje, com a facilidade com que se oferecem mulheres, com as toneladas de sexologia que sabemos sobre ela, com a ideologia do feminismo, em suma, com os horrores da vida moderna, desapareceu. Tender is the night é também o melhor romance sobre psiquiatria que já li. A maioria dos críticos prefere The great Gatsby. Eu não. (Folha de São Paulo, 12/8/89)

terça-feira, outubro 05, 2004

Escrever... Depressão... Amizade

In praise of Bernard Levin: profundo e definitivo.

«(…) In the introduction to the first chrestomathy of my journalism, Taking Sides, I confessed that my friends had justice on their side when they complained that by reading me regularly they could find out everything about me except what was important, and that what was important was fenced off even from them. I added (and in a footnote, too!) words which now astonish me, though they were written in March 1979, hardly a lifetime ago:

There is nothing here on the subject of friendship itself. But to discuss in public what has hitherto been the most important thing in my life is, I have found, quite impossible. I beg my friends’ pardon, if not my readers’.

But surely the most important thing in our lives cannot be something to shut away in the attic like Mr Rochester’s poor mad wife? Evidently it can; well, the attic door has creaked open at last, and no mad wives, or bogeyman, or unhappinesses, have come forth to harm me, and such pain as there has been has been the rare, precious kind, accepted gladly, that comes with healing.
Why there should ever have been a need for such healing I cannot imagine, for I believe that I am fortunate above most of mankind in the steadfastness of my friends. I have sorely tested their love at times; again and again, pain has caused me to retreat into the darkest lair of depression (and has anyone who has ever suffered from real depression – the “black dog” – will know, that lair is dark indeed), where the sick soul’s desire for solitude turns into misanthropy, with invitations refused, meetings cancelled, and outstretched hands spurned.
Shaw said of William Archer that he was a friend “… whom I was never sorry to see or unready to talk to”. If you take that test literally – never sorry to see, never unready to talk to – I have absolutely no friends at all, and never have had. But that is a definition of depression and the withdrawal to which it leads, and my good fortune lies in the fact that as far as I know – and by now I know very far indeed – my friends are indeed never sorry to see me or unready to talk to me (…)»

Bernard Levin, Enthusiasms, págs. 16/17.

para o meu amigo V.G.

Programa mEco

Passeio de hora e meia pela praia. Besuntar o corpo todo em argila da Fonte da Telha. Vários mergulhos revigorantes. Miradas inconsequentes para pilas e mamocas que saltitam pelo caminho. As de outros, porque o calçãozinho aqui do "je" não saiu do sítio: por respeito aos demais transeuntes que não foram à praia para ficar deprimidos, ou para correrem atrás das respectivas mulheres subitamente ensandecidas.

Leão com fome de pontos dá dois pontapés na crise mas acaba com mais dois buracos no estômago

ARRE, até parece que marra tudo contra o meu Sporting: as desculpas do treinador, a jarretice dos dirigentes, os adeptos energúmenos, o sistema sistemático, os árbitros corruptos (quando não apenas incompetentes), o canibalismo da imprensa, as taxas moderadoras, a colocação tardia dos professores, a crise do petróleo, as eleições na Madeira, Açores e Estados Unidos, os famosos da quinta mediática, a implantação da República, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Arre!

segunda-feira, outubro 04, 2004

Murraças

Encontrávamo-nos mal parados para uma amiga poder sair. Fiz sinal ao fulano que aguardava logo atrás e parecia estar tudo bem. O tipo, afinal impaciente, resolveu recuar um pouco e ao passar por nós exclamou: "É sempre a mesma merda". Parou logo a seguir no cruzamento. E livrou-se de levar um murro nos cornos porque o meu tempo de reacção foi lento, fruto do vinho e da grappa ingeridos ao jantar. É que levava mesmo. Ah não que não levava...

Italiano para sofisticados

O restaurante La Trattoria (R. Artilharia Um, 79, Lx) que sofreu remodelações há cerca de seis meses, revelou-se agora um "senhor italiano". A calzonne da casa que experimentei estava uma maravilha: 5 estrelas, nem mais. O serviço é atencioso ma non troppo e a garrafeira "exposta" causa boa impressão (com preços aceitáveis: caso raro). A frequência é a puxar para o beto; há gente que ri muito alto porque é bem!; e a música gira em toada delicodoce tipo Michael Franks. Mas também só alguém como eu para prestar atenção à música. Come-se e bebe-se com distinção e isso é que importa.

Fumo de vista

Ok, as expectativas eram as de ver um bom filme de série B sustentado por uma história de corrupção e vingança. Uma série B não demora mais de 90 minutos e este Homem em fúria/ Man on fire, de Tony Scott, estende-se até quase às duas horas. Primeira questão: onde gasta Scott a meia-hora supostamente supérflua? Gasta supostamente na sua habitual histeria fragmentadora de planos que dilata muito para além do necessário o suspense do filme.
O principal problema de Homem em fúria que até tem por base uma historieta simpática envolvendo um mercenário tornado justiceiro para vingar o rapto da criança que estava à sua responsabilidade, na volátil Cidade do México, é que Tony Scott decide filmar a acção do ponto de vista de um míope alucinado que vai alternando grandes planos com planos gerais encavalitados por uma montagem em permanente tilt.
Denzel Washington, actor com um currículo à prova de bala, é o único elemento que sustenta Homem em fúria acima da mediocridade. Apesar dos clichés do alcoolismo (o fetiche Jack Daniels, muito macho indeed), da iconografia religiosa (depois de cada banho de sangue há sempre um mergulho redentor na piscina...), e de um entendimento da montagem como manobra de sedução ao público MTV, Homem em fúria não é um desperdício total. O filme de Tony Scott acaba por cumprir os mínimos exigíveis a um objecto que se propõe servir também de escape aos ressentimentos mais básicos que, mais cedo ou mais tarde, se alapam a todos nós – assim nos tempos de Reagan como nos de Bush.
E há finalmente algumas tiradas memoráveis como quando alguém apela ao perdão cristão de Creasy (Denzel W.), recebendo resposta pronta deste: “Isso é lá entre eles e Deus. Eu limito-me a marcar o encontro”. Kill ‘Em All, dirty Creasy!

P.S. Gostava sinceramente que me explicassem como pode haver gente que se entusiasma com as “proezas” de Tony Scott e acha John Woo um realizador banal? A carapuça assenta a quem de direito...

domingo, outubro 03, 2004

Tudo o que é demais enjoa

Se algum dia (ou tarde, ou já agora noite) experimentarem a sensação do vosso fígado a inchar durante a projecção de um filme, isso só pode ser Super Size Me, de Morgan Spurlock, que encerrou a 1ª edição do IndieLisboa.
Ou como levar a cabo um documentário de denúncia dos malefícios do consumo regular de junk food, que consegue ser tão enjoativo quanto o projecto de subsistir um mês exclusivamente com McDonalds.
Pela gula vê-se que se engasga também o obeso cinema panfletário das causas nobres. Alguém mencionou o nome Michael Moore? Alguém?

Nota: Parabéns ao Miguel pelos dois prémios conquistados com A cara que mereces: o prémio do Júri da Crítica e o prémio de Melhor Direcção de Fotografia para um filme português (entregue ao Rui Poças). Bravo aos dois!!

sábado, outubro 02, 2004

Quem merece «A cara que mereces»?

A propósito do filme do Miguel Gomes, A cara que mereces, antestreado há horas atrás no festival IndieLisboa, venho aqui propor um exercício de apreciação de ordem inversa à comummente praticada: em vez de me perguntar como antes de o ter visto, que tipo de filme mereceria cada potencial espectador d’A cara que mereces, vou pelo caminho inverso e mais consentâneo (e mais conveniente) com o espiríto sabotador que presidiu à sua construção dramaturgica, perguntando qual o espectador que merece A cara que mereces?
Longe, muito longe, o mais longe possível de reclamar para o meu juízo qualquer espécie de isenção, afirmo que o espectador que merece o filme do Miguel Gomes é todo e só aquele que mostrar disponibilidade para percorrer um jogo onde é impossível ir fixando (todas) as regras, e todo e só aquele que descobrir em si um desejo de se perder nos caminhos, nos becos com saída, por vezes lúdicos, outras vezes tristes, de uma fábula em grande parte protagonizada por sete perfeitos anormais (onde o meu personagem, Gross, obviamente se inclui).
Detendo-me noutros aspectos mais objectivos, garanto que encontrarão quer os mais quer os menos disponíveis, uma inegável beleza plástica no filme do Miguel (que já existia em Entretanto e Inventário de Natal, duas curtas-metragens por ele assinadas) e um talento muito particular para construir uma banda som que multiplica as significações do todo a cada novo plano. O Miguel Gomes tem um prazer quando escreve diálogos que se amplia no aparente caos de som ambiente+música+vozes que é mesmo muito organizado.
A questão fulcral, para voltar ao início do meu raciocínio, é saber até que ponto as armadilhas que o Miguel coloca ao espectador dos seus filmes antes de se permitir ser por ele gostado, resultam num (puro) divertimento ou numa (pura) irritação. Pela parte que me diz respeito (que é bem maior do que em outras ocasiões), digo simplesmente que me diverti. E que A cara que mereces, retribuindo palavras do realizador prévias à projecção, foi generoso comigo.

sexta-feira, outubro 01, 2004

Um em três (grava mais uma vez)

The Out-of-Towners assinala o reencontro com o trio de jazz mais celebrado das últimas décadas: Keith Jarrett (p), Gary Peacock (b) e Jack DeJohnette (d). O registo corresponde a uma actuação que teve lugar há três anos atrás, em Munique, cidade natal da ECM. Trio da casa a jogar fora dela, com que resultado? Aquele que se adivinha: The Out-of-towners é não melhor e não pior do que as anteriores gravações de Jarrett/ Peacock/ DeJohnette. A mesma perfeita sintonia; tema-título correspondendo a um blues distendido com a precisão costumeira e maníaca do pianísta.................... até aos vinte minutos; tudo se encerrando num regresso de Jarrett, a solo, para interpretar a balada muito simples e muito bela, It’s all in the game: com a serenidade de quem sabe que tinha, à partida, o aplauso garantido.
Para concluir: The Out-of-Towners é um disco aconselhável a conhecedores e indispensável aos demais ouvintes. Triunfo e receitas garantidas para o selo de Manfred Eicher.

Para lá dos melhores sonhos de editor

«Como se não bastassem a voz e as canções dele, que há décadas nos ajudam a viver, Caetano Veloso escreveu muito e bem na imprensa brasileira, desde que em 1962 fez crítica cinematográfica no Archote de Santo Amaro da Purificação, sua terra natal. Eu sabia vagamente disso, mas a oportunidade, proporcionada por Eucanaã Ferraz, de reunir num volume desta colecção – e pela primeira vez (até para o Brasil) – boa parte dessas intervenções, agora tornada realidade, ia muito para lá dos meus melhores sonhos de editor.
Terá por certo horas extraordinárias quem pare para ler e estudar este livro instigante (uma boa palavrinha portuguesa que descobri numa canção dos mais antigos LPs de Caetano Veloso), tornado possível num prazo curtíssimo pela gentileza do génio baiano e pelo esforço do seu organizador, o poeta carioca Eucanaã Ferraz.
Muito obrigado a ambos.» [Vasco Rosa, em nota editorial]

Hoje é dia de livro de Caetano Veloso, O mundo não é chato, com o jornal O Independente. OBRIGATÓRIO COMPRAR!


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