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sexta-feira, abril 29, 2005

Sempre



Deviam ter-lhe dado a capa do Y e não apenas quatro páginas no interior.

quinta-feira, abril 28, 2005

Se o "pinigolaço" do outro mundo valesse a dobrar

o Sporting não repetiria três vezes consecutivas o resultado de 2-1 com equipas holandesas. Há que então repetir uma quarta para chegarmos ONDE merecemos estar.

a equipa acusou falta de frescura e fará mais 3 jogos nos próximos 11 dias: Braga (F), AZ Alkmaar (F) e Guimarães (C) ... !!!

quarta-feira, abril 27, 2005

Lekman ilustrado 10/10



«When I said I wanted to be your dog
I wasn't coming on to you
I just wanted to lick your face
Lick those raindrops from the rainy days

You can take me for a walk in the park
I'll be chasing every single lark
I'll be burying all the skeleton bones
Peeing on every cold black stone»

When I Said I Wanted to Be Your Dog

É cantar, é cantar...........................................................................................................................................

Lekman ilustrado 9/10



«And if I'd be your psychologist, who would be the psychologists psychologist?
If I'd be your psychologist, who would be the psychologists psychologist?
If I'd be your psychologist, who would be the psychologists psychologist?»

Psychogirl

É cantar, é cantar....

Lekman ilustrado 8/10



«Oh Julie.
Oh hold me, hold me through the sleep we're after.»

Julie

É cantar, é cantar...........................

Lekman ilustrado 7/10




«When people think of Sweden
I think they have the wrong idea
like Cliff Richards who thought it was just
porn and gonorrhea

And Lou Reed said in the film
"Blue in the face"
that compared to New York City
Sweden was a scary place

They seem to have a point
after meeting with this girl
maybe not Cliff Richards
but Lou has surely met her»

The Cold Swedish Winter

É cantar, é cantar.............................................................

Lekman ilustrado 6/10



«but I still remember when I saw you as a godness
your picture on my wall, so gentle and modest
do you see these tears in my face
I thought we had a deal
that the one who falls from grace
would be the one to kneel
now it's just you and me, Silvia
don't shed no useless tears»

Silvia

É cantar, é cantar......................................................................................

Lekman ilustrado 5/10



«I know every song, you name it
By Bacharach or David
Every stupid lovesong
That's ever touched your heart»

If You Ever Need a Stranger (to sing at your wedding)

É cantar, é cantar................

Lekman ilustrado 4/10



«I saw your face in front of me
It was perfect clarity
I saw a light in the end of the tunnel
And it was you»

You Are The Light (by wich I travel into this and that)

É cantar, é cantar......................................................................................

Lekman ilustrado 3/10



«Your hand slipped out of mine
I couldn't see no love in your eyes
I knew what I had to do
Burn the avenue»

Do You Remember the Riots?

É cantar, é cantar..........................................................

Lekman ilustrado 2/10



«But I love you, yes I love you.
But I would never kiss your lips.
'Cause there's a friendship, a lovely kinship.
Here's a tulip to match your eyes.
Oh drinking cheap wine to bosanova.
You're a supernova in the sky.
The Jehovas, in their pull-overs.
Are no Casanovas, like you and I.»

Happy Birthday, Dear Friend Lisa

É cantar, é cantar..............................................

Lekman ilustrado 1/10



«Tram number one is full of fun
Tram number two is couchie coo
Tram number three has misery
Tram number four knocks at your door
Tram number five, I'm still alive
Tram number six, I think I'm fixed
Tram number seven
Tram number seven to heaven»

Tram #7 to Heaven

É cantar, é cantar.....................................................................

Mónicas e o desejo


Manuela de Freitas e Mónica Calle (mãe e filha)

Antes que o tempo mude - filmado como se fosse um documentário sobre a vida daquelas pessoas (em parte verdadeiras, em parte ficcionais) -, regista o tempo na sua duração, as meias-palavras no que revelam da incomunicabilidade existente e a nudez dos corpos vulneráveis e disponíveis. São tudo créditos mas de onde se desprende a mesma pose urbano-depressiva que é tanto a imagem que os artistas fazem das suas próprias vidas, como das vidas anónimas que igualmente idealizam com mudez (nudez!) e cinzentismo. Nesse sentido, Antes que o tempo mude é um objecto que esgota a maior parte do seu capital de interesse com o público cosmopolita e noctívago a que se dirige. Estamos face a um home-movie profissional (no sentido em que foi pensado e executado por profissionais do cinema e do teatro) onde o que falta em sustentação dramática sobra no modo de sublinhar o banal, o vazio, a angústia de viver de uma típica família do cinema português: pai mudo (João Mota), mãe louca (Manuela de Freitas), irmãs culpabilizadas: uma mais promíscua (Mónica Calle), outra mais recatada (Mónica Garnel) . Dá a sensação de que os participantes de Antes que o tempo mude não levarão existências muito distintas das que o filme regista – são actores, donde mais esbatidas se tornam as fronteiras da representação. O filme de Luís Fonseca quer-se assim próximo da verdade (da sua verdade, pelo menos...), mas a verdade pode tornar-se desinteressante e desinteressantemente moralista.

Classificação: (4/10)

terça-feira, abril 26, 2005

Curtas e argentinas


Kenny de Kenny Rogers

Se Kenny de Martín Mainoli não é a melhor curta-metragem que alguma vez vi, anda lá perto. Passa hoje (18h30) e sexta (00h00) no IndieLisboa. Junto com outros filmes do mesmo realizador: Abasto/Canes, Blanca & Negro, JR, Kenny II e Nos Vamos Todos a Casa. Trinta e sete minutos de Martín Mainoli a não perder!

Não fornicarás, ponto.

No início há uma jovem muito formosa (Adriana, Ana Moreira) que vem dos Açores para Lisboa para “constituir família por métodos naturais”. O seu pai, regente de uma das ilhas, tinha decretado a todos os habitantes – após a morte da mãe de Adriana no parto – a proibição de fornicarem. Como a ilha foi ficando despovoada, o mesmo homem resolveu dar o exemplo, vindo a ingénua Adriana a aterrar no Continente. Em vão... De acordo com a concepção da realizadora Margarida Gil, os homens da cidade ou são bichas e não gostam (Saturnino, Bruno Bravo), ou são gigolos e dispensam (David, Victor Correia), ou são otários e não sabem (o Conde, José Airosa). Adriana acaba assim por regressar à ilha do Pico de olhos abertos mas tão virgem como sempre fora. Pelo meio existe ainda um conjunto de figuras mais ou menos bizarras (e uma criancinha vedeta, particularmente irritante, chamada Amadeu) para forçar o tom de sátira e de alegoria deste filme de Margarida Gil. Adriana é uma espécie de intersecção entre os universos do desejo ritualizado segundo a realizadora francesa Catherine Breillat, e a versão garrida e senil da noite lisboeta filmada pelo decano do cinema português Paulo Rocha. Adriana é produto de uma cabeça varrida de doida. Esperava-se que tivesse graça. Tem pouca.

exibido ontem no IndieLisboa

Classificação: (3/10)

segunda-feira, abril 25, 2005

Repescagens de 2004



Ideal para a ponte Vasco da Gama;




Ideal para a Marginal;


Perfeitos também noutras ocasiões.

Bon peixe

Alcochete dista apenas meia-hora de casa, mas parecia que nos encontrávamos numa versão idealizada do Norte de África onde tudo era ainda familiar. Sobretudo quando olhávamos para Lisboa do outro lado do rio.

La mala educación


Rufus Wainwright: autor do notável Poses entre outros bons discos

Para muitos terá sido uma noite memorável: esta noite, no Coliseu. Para mim, quase. Mas o final do concerto - no mais exuberante delírio transformista - recordarei por longo tempo. Rufus é um entertainer completo, vezes dois: quando ele é ele; e quando ele é ela.

domingo, abril 24, 2005

MEC dixit

Olhe que há conservadores bons

Eu sou um conservador. Leia-se, em Portugal reaccionário, snobe, armado ao pingarelho, fascista simpático; inimigo do progresso e do Bem; menino da Linha; insuportável; profundamente estúpido.
O novo Papa, Joseph Ratzinger (parece o nome de uma máquina de costura para ratinhos de modistas ou o nome dos coristas roedores do Porquinho Chamado Babe e de Babe na Cidade que cantam desamaldamente That's Amore), também é um conservador.
O meu querido Mário Soares - esse supremo pontífice - disse logo que estava muito desiludido. O excelentíssimo teólogo Hans Kung (cujos livros são jardins) também. E não sei quantos mais. Ratzinger é conservador, coitadinho...
Haverá cardeal mais inteligente, mais intelectual, mais apaixonado pelo pensamento humano do que Ratzinger? Talvez o muito liberal e impecavelmente sobrenomeado Carlo Maria Martini, que, segundo consta, terá convencido os outros cardeais mais esquerdistas (leia-se menos conservadores) a votar por Ratzinger.
Concordo que, por razões coqueteleiras (e não sendo cristão), me agradaria haver um Papa Martini; já que não há nenhum cardeal Campari. Seria divertido classificar as encíclicas como extra dry ou, quando se aproximasse ecumenicamente da República Popular da China, rosso dolce.
Mas Ratzinger é um homem inteligentíssimo e, quando foi preciso combater o nazismo e, mais tarde, a ortodoxia católica mais inflexível e reaccionária, foi um liberal de mão cheia. É obreiro do Vaticano II - essa missão que ainda não foi inteiramente cumprida.
Os conservadores podem ser inteligentes; podem ser boas pessoas; podem gostar e saber ganhar com diálogos com pessoas de esquerda. Porque há-de ser a palavra uma espécie de insulto, se seria dificílimo distinguir alguns grandes pensadores (Hume, Burke, Oakeshott, Quinton) de feição conservadora do mais puro liberalismo?
Aquilo que os conservadores procuram preservar não é o passado - é o presente. Há, por exemplo, grandes afinidades com os situacionistas do Maio de 68. Querem, sobretudo, preservar a liberdade de cada um. Quando ela não existe, lutam tanto como a esquerdalhada.
Os conservadores amam a tranquilidade - regras estabelecidas e conhecidas por todos; padrões colectivamente aceites; tradições comprovadíssimas que não só não custam como apetecem - mas odeiam "ordens".
São individualistas ferozes - mas colectivos na aplicação dessa exigência. Cada um é senhor e cada uma é senhora do seu nariz. Ou, conservadoramente falando, do nariz dele e do dela. Mandar é coisa feia. É atroz. Já basta o que manda em nós, por virtude ou desgraça de sermos humanos e termos de viver em sociedade.
Ninguém é mais antifascista (ou anticomunista) do que um conservador. "Homem novo?", "Cidadão- -modelo?" Estão a brincar ou quê? O pensamento conservador - que é mais uma prática ou, nas palavras definitivas de Oakeshott, uma "disposição" ou um feitio, para obtermos uma tradução mais jeitosa - é radicalmente antitotalitário. Cada um é como é - e que não me chateiem.
É também estritamente democrático porque, se todos têm um lugar neste mundo, ninguém tem o direito de querer mudá-lo. É-se pintor abstracto? É-se horrendo? Paciência. É-se carpinteiro? Sublime? Paciência à mesma.
Só um conservador compreende a hesitação e os cuidados que atendem à sucessão de Paulo Portas no CDS. A ganância não existe. Existe, sim, a pena de o Paulo ter-se ido embora. Era o lugar dele. É o lugar dele. Por vontade do CDS, manter-se-ia desocupado e fragrante de alfazema selvagem e urze até o Paulo voltar.
Na reacção a Ratzinger e à despedida de Paulo Portas, os mesmos preconceitos bárbaros contra o conservadorismo manifestam-se. Os conservadores - Ratzinger ou Portas - não gostam de ser chefes. Têm feitio de conselheiros. Querem ser homens e mulheres livres.
"É proibido proibir" tem laivos de bossa-nova e de esquerdismos mas, a bem ver, é um lema conservador. O Papa Bento XVI espantou muitos com o discurso ecuménico - mas foi um discurso eminentemente conservador. Darmo-nos todos bem; sem nos querermos alterar; mudar; convencer.
Os conservadores defendem aquilo que já temos; contra tudo aquilo que "deveríamos" ter. São, neste intransigente espírito de manutenção do bem presente como o "menor dos males", a guarda mais avançada que temos.
Tal como os conservadores reconhecem a importância dos outros; era já altura dos tais outros reconhecerem a importância deles. Pode haver mudanças maravilhosas e ideias de rebentar com as cabeças mas, enquanto não se experimentam e comprovam, não será revolucionário haver quem se agarre ao que já está mais do que provado que funciona?
Haja um pouco de respeito pelos conservadores - até porque não há quem tenha mais respeito por todos aqueles que não têm (mas não faz mal...) o mínimo respeito por nós.

Miguel Esteves Cardoso no DN de hoje.

Está preto

Hoje (ontem) foi dia de marcar passo para mim e para o Sporting. Dispensava a coincidência. Para não dizer que com o mal do Sporting posso eu bem.

Berlim, ano zero


Hitler também tinha amigos...

Não compreendo as objecções que os intelectuais de boa consciência (Wim Wenders, por exemplo) colocam ao filme A queda – Hitler e o fim do Terceiro Reich, de Oliver Hirschbiegel. Acusam a obra de não demonizar suficientemente Hitler e os nazis. Recordo que nazis eram a quase totalidade dos alemães que compraram a fantasia de um país todo-poderoso que atravessou o ciclo que foi da derrota na I Grande Guerra à depressão da década seguinte, até à prosperidade no apogeu do Terceiro Reich. Demonizar os nazis seria pois demonizar uma nação por inteiro. Enfeitiçada. O realizador Hirschbiegel foi mais inteligente. A queda opta pela reconstituição dos últimos dias do nazismo, humanizando a figura do ditador e dos que lhe estavam mais próximos. No espaço de um bunker-hotel. Mostrando os acontecimentos íntimos e históricos tal como se pensa que estes tenham decorrido. É uma reconstituição competente e pedagógica. Berlim em escombros. O fim de uma fantasia que assume contornos de pesadelo real. Esse é o seu maior mérito e a sua maior limitação.

Classificação: (5/10)

sábado, abril 23, 2005

Ambos (karaoke)



WHAT KIND OF FOOL

Both
There was a time when we were down and out
There was a place when we were starting over
We let the bough break
We let the heartache in
Who’s sorry now

Barbra
There was a world when we were standing still
And for a moment we were separated
And then you found her
You let the stranger in

Together
Who’s sorry now
Who's sorry now

Barbra
What, what kind of fool
Tears it apart
Leaving me pain and sorrow

Barry
Losing you now
Wonderin’ why
Where will I be tomorrow

Chorus
Forever more that’s what we are to be
Without each other
We’ll be remembering when...

Both
There was a time when we were down and out (we cried)
There was a place when we were starting over (we lied)
We let the bough break
We let the heartache in
Who’s sorry now
Who’s sorry now

Barbra
What, what kind of fool

Barry
What kind of fool

Barbra
Tears it apart

Barry
Tears it apart

Barbra
Leaving me pain and sorrow

Barry
Oooooooooooooh! losing you now
How can I win
Where will I be tomorroooow

Barbra
Was there a moment when I cut you down
Played around
What have I done
I only apologize
For being as they say, the last to know
It has to show
When someone is in your eyeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeees

Both
What, what kind of fool
Tears it apart
Leaving me pain and sorrow
Losing you now
Wondering why
Where will I be tomorrow
What, what kind of fool
Tears it apart
Leaving me pain and sorrow
Losing you now
How can I win
Where will I be tomorrow

PROVAVELMENTE A MAIS BELA CANÇÃO JAMAIS ESCRITA. HOJE É O QUE PENSO.

Grelos salteados

Se um dia me for embora de Campo de Ourique vou sentir muitas saudades dos grelhados e dos grelos salteados do Solar do Duques.

sexta-feira, abril 22, 2005

Quinta à sexta



Se não me virem por aí é porque este disco me levou para onde precisava de estar. Um lugar interior, infinito, inclassificável.

Pagava para ver este filme



(...) Aconteceram reformas no edifício, mudanças de mobiliário, teve de dobrar de novo o poster de Teófilo Cubillas, o peruano sorridente, e de arrancar os retratos que recortara do Jornal de Notícias. Aconteceram viagens ao México, a Cuba, à Austrália, a Espanha, mas nunca foi preciso usar gravata.
«Tens uma gravata, Isaltino?», perguntou então pelo telefone.
Fez-se um silêncio do outro lado, como se fosse uma interrogação muda diante da pergunta inesperada:
«Uma gravata, chefe?»
«Uma gravata. Dessas que se põem ao pescoço.»
«Posso ir buscá-la a Valongo, a casa. À hora de almoço.»
«Não. Pede alguma aí fora. E traz-ma. E vem cá dar o nó à gravata.»
Isaltino veio meia hora depois e trazia uma gravata embrulhada num papel de presente.
«O chefe tinha pedido uma gravata e o pessoal decidiu oferecer-lhe uma. Considere-a uma prenda de aniversário. Fomos ali abaixo, ao pronto-a-vestir, era um caso excepcional. Passa-se alguma coisa?»
«Faço anos no mês que vem, já fica o problema resolvido. Como é que se dá o nó numa gravata, Isaltino?»
«É fácil, eu ajudo. Posso dar primeiro o nó e depois o chefe é só apertá-la no pescoço.»
«Faz como quiseres.»
Isaltino pôs a gravata ao pescoço, era azul-escura com motivos náuticos, âncoras, rodas de leme, golfinhos, duas gaivotas coloridas, desenhos em miniatura. Deu o nó. Alargou-o depois, retirando-a do pescoço e entregou-a a Jaime Ramos, que estendia o braço na sua direcção, já com o colarinho levantado.
«Fica-lhe bem, chefe. Se não leva a mal que se diga, claro.»
«À vontade, Isaltino.»
«E pode saber-se o que é que aconteceu?»
«Um telefonema.»
«E um telefonema pedia gravata?»
«Não. Eu é que pedi uma gravata. Um advogado. Não um desses advogados importantes, dos jornais, nem um advogado de província, mas um advogado famoso. Pediu para ser recebido.»
«O chefe nunca pôs gravata nem para receber um ministro.»
«Eu nunca recebi um ministro.»
«Não que não merecesse.»
Jaime Ramos sorriu, de gravata apertada em redor do pescoço. Deu dois passos atrás e pegou no casaco, um blazer de bombazina que usava de vez em quando com os jeans, vestiu-o, ajeitou-o nos ombros e à frente.
«Estou bem, Isaltino?»
«Para o género está muito bem, chefe. Não se preocupe. E o advogado é coisa séria? Pessoal?
«Não. O advogado é a coisa mais importante dos últimos seis dias, agente Isaltino de Jesus, aliás inspector Isaltino de Jesus. Até aqui tínhamos um corpo que ninguém queria. A partir daqui temos um corpo que levou um advogado famoso a telefonar-nos e a pedir para ser recebido, porque tinha um recado de Álvaro Severiano Furtado. Para nós. Um recado do morto, Isaltino. Não é todos os dias.»
«Isso é verdade», murmurou o outro, sentando-se. «Um recado do Furtado?»
«Um recado do Furtado. Do homem sem nome. Sem nada. E deve estar a chegar. É um velho conhecido.»

páginas 52/54

Desde que iniciei a leitura de Longe de Manaus que penso constantemente na sua adaptação ao cinema. O autor do romance, Francisco José Viegas, ficaria encarregue do argumento e o realizador seria o Mozos, tinha que ser o Manuel Mozos.

He's the Lekman!


Jens Lekman - When I Said I Wanted To Be Your Dog (Secretly Canadian)

A HIGHER POWER

She said let's put a plastic bag over our heads
and then kiss and stuff 'til we get dizzy and fall on the bed.
We were in heaven for five or six minutes, then we passed out
and I was so in love I thought I knew what love was all about.

In church on sunday making out in front of the preacher.
You had a black shirt on with a big picture of Nietzsche.
When we had done our thing for a full christian hour,
I had made up my mind that there must be a higher power.

A higher, higher power.
A higher, higher power.

At a Christmas-party, I'd hold your hair when you vomit,
I'd help you up to brush your teeth, and then I'd kiss your stomach.
We lie still on your bed, the room is lit only by the tele
and it's a perfect night for feeling melancholy.

A higher, higher power.
A higher, higher power.

Higher, higher power.
Higher, a higher power.

A higher, higher power.
A higher, higher power.

Stephin Merritt, Belle & Sebastian e o primeiro Jay-Jay Johanson em partes idênticas (ou quase...) Altamente recomendável. (9/10)

Saída espontânea


Acabei de chegar vindo do lançamento do livro do Acidental. Na apresentação do mesmo falou-se muito de esquerda e de direita e o próprio anfitrião – no sentido do blogue, do livro e do evento -, o Paulo Pinto Mascarenhas (já nos podemos tratar assim, certo?), apelou à necessidade da direita sair do armário e afirmar-se categoricamente e não mais refém das conotações salazaristas que a esquerda lhe continua a impôr.
Vem em este preâmbulo a propósito de eu me procurar situar a mim, ideologicamente, coisa que não me tira o sono mas que ainda assim me desperta neste tipo de ocasiões. Já aqui escrevi, coisa rara, alguns posts de temática política – uns mais inflamados, outros mais zen. Só que a conversa e a escrita têm uma propensão para a complexidade que é de súbito clarificada com um simples gesto: no caso, uma recusa.
Estava eu à conversa com o Luciano e com o Eduardo a propósito dos méritos do Beck, do Stephin Merritt e do João Lisboa – cruzamentos prováveis mas nem sempre esclarecedores – quando me lembrei que no saco das compras já pagas se encontrava um CD do sueco Jens Lekman que queria mostrar aos meus interlocutores porque vinha mesmo a propósito – é que vinha mesmo... João Lisboa, no Expresso, jornal que voltei a comprar por causa deste João e do outro também (e só!), referia-se a Lekman como uma espécie de émulo nórdico de Merritt, argumento mais do que suficiente para eu comprar “When I Said I Wanted To Be Your Dog” às surdas. Mas divago...
Aquilo que mesmo sem grande empenho da minha parte me define como um homem de direita é tão simples quanto isto. O saco das compras estava selado pela segurança da loja – depois de pagar na caixa, eu decidira não ir directo a casa e voltar atrás para ver se via alguém conhecido. Ora, rasgar o selo foi coisa que não me passou pela cabeça – as regras existem, eu cumpro as regras. Um homem de esquerda deixava-se destas “paneleirices”, rasgava o selo, mostrava os discos (havia ainda Brian Eno e Bonnie P. Billy/ Matt Sweeney), os livros (Acidental + o último Tolentino), sem dramas, sem regras, assim mesmo. E seria capaz, se fosse o caso da coisa dar para o “torto” (atenção trocadilho!), de trocar umas palavras mais encaloradas com a autoridade da Prosegur.
Eu, para além de ser de direita – e de me definir, como vêem, espontaneamente como tal... – sou ainda atavicamente conservador. Isto é, dou tudo para que nada aconteça. E afirmo-o enquanto bebo um chá antes de me deitar.

quinta-feira, abril 21, 2005

Vou-te dizer...


António Rocha, também poeta popular e "rei do fado menor".

Resposta fácil
letra Domingos G. Costa
música Popular (Fado Mouraria)

Perguntas-me o que significa
Saudade, vou-te dizer
Saudade é tudo o que fica
Depois de tudo morrer

Tu que jamais conheceste
A dor que as almas tortura
Que só conheces ventura
E por amor não sofreste
Tu que uma saudade agreste
Nunca te fez padecer
Nem cravou no teu viver
Um espinho que mortifica
Perguntas-me o que significa
Saudade, vou-te dizer

Saudade é um bem ruim
Que tortura o coração
É o princípio do fim
Dum sonho sonhado em vão
Saudade é doce ilusão
Dum amor que não nos quer
Que a gente teima em esquecer
E a própria dor glorifica
Saudade é tudo o que fica
Depois de tudo morrer

(Silêncio, ternura e fado)

António Rocha foi presença frequente nas minhas primeiras investidas pela noite fadista. O Nónó, no Bairro Alto, era a casa que eu frequentava, onde ceava, onde bebia, e onde alheado de tudo excepto do vinho e da música me lançava nas letras que acabava por oferecer aos fadistas que ouvia cantar. António Rocha foi a primeira pessoa a chamar-me a atenção para a métrica e para as frases que podiam ou não ser cantadas. Desde que abandonei este ritual de vida não mais tive vontade de escrever letras para o fado. E sinto que nunca voltarei a fazê-lo. Hoje, pura e simplesmente, não quero (ou não posso ter...) o culto da solidão a que o fado me obrigava.

quarta-feira, abril 20, 2005

O "Indie" pode esperar...



O INDIELISBOA vai ter de esperar.

Coincidência



Gostamos de boa música, gostamos de comer bem. É isto que tenho em comum com Ed Motta. Separam-nos para cima de 50 Kg: de peso e de talento. Eu saio a perder. Até porque tenho também que acordar dentro de cinco horas...

terça-feira, abril 19, 2005

Tem que ser desta!



Tem início no próximo dia 6 de Maio a nova digressão de Joan Manuel Serrat, na minha imodesta opinião, o maior vulto da canção espanhola dos últimos 30 anos. Baptizada de SERRAT 100x100, apresenta em palco o cantor catalão acompanhado somente pela guitarra que o próprio toca e pelo seu pianista e director musical Ricard Miralles. Serrat em formato intimista faria as delícias dos seus admiradores portugueses (que imagino serem muitos!) nesta oportunidade ideal para pôr cobro à injustiça de estarmos privados há muitos, muitos anos da possibilidade de assistir por cá ao recital de um dos poucos cantautores míticos ainda vivos e intocados na sua arte e carisma. No final da tournée, Serrat promete regressar à conclusão do novo disco de originais preenchido integralmente com canções em catalão.

€11,95 no quiosque lá da rua


Rear window, Janela indiscreta (1954)
Ainda a propósito da perfeição. E se esta obra-prima fosse a história de um indivíduo que receando ir mais além com a mulher da sua vida (a perfeita Grace Kelly), arranja um estratagema para a ter sempre por perto, longe da cobiça de outros machos, presa ao desejo mórbido de querer saber mais... Reparem, por exemplo, na ironia da imagem - do incapacitado Jeffries (James Stewart), fotógrafo, voyeur, o que deseja à distância; e a exibição da sensualidade felina - onde corria já um sangue azul "antes do tempo" - que amedronta o pobre homem que não sabe o que fazer com ela, com a sua "noiva" (Grace). Pobre Hitchcock!

segunda-feira, abril 18, 2005

A culpa é da vontade (e da falta dela)

David contra Golias. Moreirense contra o Sporting. Puro equívoco. Em Moreira de Cónegos, a equipa da casa lutava pela sobrevivência e encontrava-se hipermotivada. Impôs-se no Sporting a determinação de quatro valentes: Polga, Rochembach, Moutinho e Sá Pinto, jogadores de raça que felizmente tiveram-na de novo esta noite. Grande primeira parte, muito viva, jogo cá e lá com o Moreirense sempre muito perigoso. Valeu somente a assistência mágica de um Liedson hoje desapoiado e o golpe de rins de Douala fez o resto.
O Sporting entrou retranqueiro na 2ª parte e sofreu com isso: a merda do golo de bola parada voltou a dar-nos galo. Depois uma jogada de insistência de Moutinho concluída por Sá, mais um pontapé de Ricardo que foi meio-golo de Liedson (o 25º!) arrumaram com a questão e tranquilizaram o meu sistema nervoso. Um-dois e um-três num ápice.
Mas o Moreirense não desarmou e continuou a ser a equipa mais ofensiva. Futebol bonito que ninguém diria pertencer ao último classificado da superliga - os próximos adversários da equipa de Jorge Jesus que comecem já a rezar... Quanto ao Sporting, que agora até mostra estelinha de campeão, tudo volta cada vez mais a ser possível. Oxalá haja vontade. E estrela também.

Perfeito

É, não é?

Um homem e uma mulher


Streisand e Redford, The way we were (1973)


Redford e Streep, Out of Africa (1985)


Redford e Olin, Havana (1990)


Ford e Scott Thomas, Random hearts (2002)


Kidman e Penn, The interpreter (2005)

Os seus filmes continuam a centrar-se em pares, são dramas homem/mulher. Num mercado internacional tantas vezes dominado pela facilidade dos efeitos especiais, não se sente um pouco off-Hollywood?
Sempre fiz filmes cujo centro é um homem e uma mulher. Para mim, é a maneira mais interessante de trabalhar. Não sei se isso me coloca, ou não, off-Hollywood. O certo é que esse é o tema que mais me seduz, seja em que género for. Penso mesmo que se trata do único aspecto em que os seres humanos não progrediram, nem progridem com o próprio envelhecimento. Mesmo homens de 80 anos continuam a interrogar-se sobre a dificuldade em manter relações amorosas, gratificantes e duradouras - e a desejá-las mais do que tudo. Gosto de encenar esses homens e mulheres num mundo cujas circunstâncias reflectem os seus problemas pessoais, e também o inverso.

Sydney Pollack entrevistado por João Lopes

Não prejudica a saúde


tem um site que devia servir de exemplo a todos os filmes portugueses

Um tiro no escuro, de Leonel Vieira, é um filme razoável e razoavelmente cabotino. Razoável porque exceptuando o atabalhoamento das cenas finais - quando a história sacrifica a plausibilidade por um conjunto de clímaxes emocionais que soam falsos - o resto da trama é hábil embora algo denunciada. Já o cabotinismo deve-se à caracterização a traço grosso dos larápios – a excepção sendo o Carlos interpretado por Filipe Duarte, talvez a grande revelação masculina do cinema português dos últimos anos (ver também a este respeito O milagre segundo Salomé e sobretudo A costa dos murmúrios).
A boçalidade forçada de algumas expressões (para dar estilo? para dar verdade?), assim como o modo obstinado como grande parte das cenas têm início com alguém que acende um cigarro, revelam um propósito equivocado de dar estilo – como distinguir as diferentes figuras no meio de toda esta atracção estereotipada pelos prazeres da nicotina (que obviamente não são exclusivos).
Leonel Vieira é um realizador desembaraçado que de tanto se esforçar por emprestar um estilo Maxmen (agora também já existe a FHM!) a Um tiro no escuro, acaba sem estilo algum. Oiça-se a música, dita incidental, que sutura e satura cada nova ocasião. Música que berra aos ouvidos e que conduz a leitura de cada cena de modo pavloviano. Leonel Vieira revela insegurança para com os méritos da dramaturgia criada e algum gosto duvidoso também. O filme, no entanto, lá se vai safando no campeonato das nossas curiosidade e simpatia, apesar do descalabro nos momentos finais – o último assalto e a despedida no aeroporto. Leitores de revistas masculinas e de lágrima fácil gostarão ainda mais.

Classificação: (4/10)

sábado, abril 16, 2005

A culpa é do Nixon


are you talking to me?

O principal problema de O assassínio de Richard Nixon, The assassination of... é que uma vez espicaçada a nossa expectativa em relação ao homicídio final, o filme do estreante Niels Mueller também não consegue ser menos previsível no caminho que tem de percorrer até à cena do crime. O próprio personagem defendido por Sean Penn, Sam Bicke, junto com a sua vidinha frustrada, são decalques de outros filmes de mais grata memória – por exemplo Taxi Driver e Dog day afternoon, no caso deste último uma influência que passa também pela opção pela câmara à mão tão conotada com os cineastas dos anos 70 que vinham da TV.
O fracasso parcial desta estreia creio que se explica também pela tentativa de dramatizar um episódio real, apostando mais nos méritos da dramatização do que na história onde a mesma é inspirada. O real, tolhido na sua complexidade, passa a servir um imaginário criado pelo cinema: para o caso, de novo o cinema americano liberal e politizado da década de 70.
O público cinéfilo mais velhinho reconhecerá a matriz e não evitará a sensação de um certo déjà-vu. Déjà-vu mas com um mínimo de interesse.

Classificação: (5/10)

sexta-feira, abril 15, 2005

Aceitam-se pagamentos com cartão

«What use is profit? Can accumulating money day after day in a trade or business truly bring satisfaction? Of course not. For that, one must go shopping.»

Zen Judaism, David M. Bader (Harmony Books, NY)

Ideal para pôr ordem na cabeça



... e para pôr a casa em ordem. O que é que estou para aqui a dizer... agora a sério.

M I L A G R E



Quando o Newcastle marcou deixei de acreditar. Depois vieram-me as lágrimas aos olhos. De emoção e arrependimento. O pior sportinguista é o mais descrente.

quinta-feira, abril 14, 2005

Partir em grande estilo


Mstislav Rostropovich

Só uma grande amizade explica que o violoncelista russo tenha marcado presença tão discreta quanto sentida junto do corpo em câmara ardente do Príncipe Rainier na capela de São João Baptista. O monarca terá sido embalado - do que vi e ouvi - pelo som directo das suites de Bach. Sublime.

Da cor do céu de Lisboa, hoje



... e assim se vai piazzollando por aqui às doze da manhã.

Le Big Mac

Regresso cheio de força do bom velho MacGuffin mais os seus discos, filmes e amores por ódios de estimação. De novo em exibição no Contra a Corrente.


Nota: Eu cá gosto ainda mais deste!

Opiniões (mi piace)



Da Phantom para a Blue Note esperava-se melhor. Só que, de Jet Sounds para Other Directions, Nicola Conte regrediu. De um som original, fresco, onde a bossa nova, as tablas e cítaras, as descargas latinas e os samplers de Lalo Schifrin, se misturavam sob arranjos sónicos apurados, para um jazz de pacotilha onde à banalidade se segue mais banalidade.
Comparar Other Directions, ainda que ao de leve, com Miles, Chet Baker ou o que quer que seja do período áureo do cool, é brincar com quem trabalha para comprar discos.
Eduardo Nogueira Pinto

"Other Directions" è un disco estremamente raffinato, ben suonato e arrangiato, dove, se siete appassionati di jazz e di bossa nova, difficilmente troverete momenti che vi faranno venire la voglia di premere il tasto skip. Forse non sarà un album epocale, ma per essere un disco di maniera è davvero un gran bel disco di maniera. Di sicuro, rispetto a St. Germain, siamo su un altro pianeta. (7.5/10)
Federico Golia

Neste caso estou com os italianos.

quarta-feira, abril 13, 2005

Filme do jogo











Um dos exercícios de admissão à Escola Superior de Teatro e Cinema pede aos candidatos que remontem alguns frames de um determinado filme de modo a que com essas imagens contem uma versão (mais ou menos) alternativa da história.

todas as fotografias, Getty Images

INFORMAM-SE

... os inúmeros interessados de que A cara que mereces continuará em exibição à meia-noite na sala 2 do King nos próximos Sábado, Domingo e 2ªFeira. Obrigado.

In loco (que saudades...)





05 Mar. 2005
Grand Théâtre, Grande Salle, Luxemburgo


Há muito demasiado tempo imenso que não vou a um concerto dele.

Camané fotografado ao vivo por Paulo Lobo


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