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sexta-feira, setembro 30, 2005

Sanborn com "x"


David Sanborn

Quando me iniciei no estudo do sax alto, Sanborn era (um)a referência. O saxofone faz hoje parte do passado mas David Sanborn mantém-se tão actual como sempre. O segredo, perguntarão vocês? O segredo é o som de Sanborn, reconhecível até para alguém com problemas graves de audição. Sanborn é um músico imenso injustamente criticado por uma abrangência de gosto que se reflecte no repertório.
Agora que torno presente o seu penúltimo disco, timeagain, também eu me penitencio por há dois anos atrás lhe ter feito orelhas moucas. timeagain é dos melhores discos de Sanborn, como aliás poderão comprovar nesta avaliação justa da sua discografia. Sanborn com "x" igual a saxborn: façam o favor de escutar man from mars (de Joni Mitchell) e depois a gente conversa...

Above the Law






Às primeiras audições há uma música que se destaca de Guilty Too (já direi qual...), o regresso da dupla Barry Gibb e Barbra Streisand responsável pelo, à vontadíssima, melhor disco pop da cantora. Sabendo que Guilty é patamar inatingível, esta reunião, vinte cinco anos depois, está longe de constituir edição de quem já se devia ter deixado destas coisas. Guilty Too vale mais de metade do momento original, o que como já aqui havia escrito é motivo para nos congratularmos com o seu lançamento.
E depois há "Above the Law" (em dueto) - a que se segue o também excepcional "Without Your Love" - o tal tema cujo "balanço" remete para o Guilty dos anos 80, década que é objecto de um lifting musical competentíssimo pelo(s) Gibb e por Barbra.
Não sei quando Guilty Too será lançado em Portugal, mas é possível encomendar na Net a edição especial - DualDisc - que no verso tem registadas imagens da gravação do disco, os vídeos de "Stranger in a Strange Land", "Hideaway", "Above the Law" e "Letting Go", bem como entrevista com os "culpados".

Classificação: (7/10)

Tequila Sunrise



Quando realizou este seu segundo filme, Robert Towne já era um multipremiado argumentista, talvez o mais importante da década de 70. E Tequila Sunrise (1988) faz-se valer de uma narrativa intrincada e da complexidade dos personagens características de "China" Towne – aliás é necessário vê-lo mais de uma vez para perceber o brilhantismo da sua construção.
Apesar de todos estes méritos não há nada mais sexy em Tequila Sunrise do que Michelle Pfeiffer ou os solos de saxofone de David Sanborn (sobre banda-sonora de Dave Grusin). Pfeiffer fez Tequila Sunrise entre Ligações Perigosas e Os Fabulosos Irmãos Baker (mais um favorito cá de casa!) e consta que a actriz se debatia com um cancro a que felizmente sobreviveu.
Os outros protagonistas do filme de Towne são Mel Gibson - na fase intermédia dos dois primeiros Arma Mortífera - e Kurt Russell - vindo de Big Trouble in Little China, de Carpenter, e preparando-se para Tango & Cash com Stallone. Claro que Tequila Sunrise não se destinava ao público alvo das duas estrelas masculinas e daí a particularidade que faz dele um exercício revisionista dos códigos do filme negro transposto para uma paleta de alaranjados pôr-do-sóis que garantiram ao lendário director de fotografia Conrad L. Hall justa nomeação para o Óscar.
Diga-se ainda que depois de Robert Towne mais ninguém - nem mesmo Tarantino - escreveu diálogos na ponta de navalha tão bem afiada.

Classificação: (7.5/10)

Os irmãos Gilliam



De Terry Gilliam gosto apenas de Fear and Loathing in Las Vegas, pois todo o excesso é bem-vindo quando se trata de Hunther S. Thompson. Tanto excesso já me parece demais reportado ao universo gótico, ainda que descabelado e desdentado como no caso de Os irmãos Grimm. O filme começa por parecer produto do cruzamento de Ghostbusters com A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, apenas Gilliam não possui o sentido de humor de Harold Ramis nem o simbolismo fascinante de Tim Burton. Gilliam é um cineasta "da pesada" e Os Irmãos Grimm - preocupado em impressionar a cada instante, em vez de deixar forte impressão final - caminha a passo acelerado para uma conclusão feita de clímaxes em catadupa: "fogo de vista" na floresta antes da mesma ser de facto incendiada.

Classificação: (4/10)

Garganta dos milhões



O documentário Dentro de "Garganta Funda" (Inside Deep Throat) expõe a época do filme de Damiano - que virou fenómeno à escala da América - nas implicações e contradições da lógica individual e colectiva fundada na busca da notoriedade: que é afinal a lógica dos reality-shows. Inside Deep Throat é igualmente o retrato do tempo em que o cinema pornográfico viveu a sua idade da inocência (atenção: rever Boogie Nights ), mais tarde reprimida pela hipocrisia cristã, pelo feminismo e pela redução do porno a um mostruário de proezas sexuais distituídas de qualquer pretensão artística: é que no início eles estavam lá pelo prazer, e só mais tarde pelo dinheiro. A abordagem de Fenton Bailey e Randy Barbato é rica, elucidativa e sexy. A mim bastou-me.

Classificação: (7/10)

Valeu o Halmstads

Mas só terá realmente valido a pena se o Sporting não perder a oportunidade de se livrar de Peseiro (esse perdedor nato) e de substituí-lo logo por José Couceiro - exigindo deste prestações dignas no campeonato e taça que nos restam - e, já agora, por um preparador físico também. Acabou-se o crédito, fora com ele!

quarta-feira, setembro 28, 2005

VPV via CCCC do CC

My wish, his command. Obrigado pá.

As passagens mais difíceis


Saraband em rodagem ou a difícil arte dos afectos

Tinha prometido a mim mesmo que não deixaria terminar o ano sem ver Saraband, de Ingmar Bergman. Deixei propositadamente passar a oportunidade nos largos meses que o filme esteve em cartaz: o Alvaláxia é um espaço comercial medonho e as suas salas de cinema, apesar de bem equipadas, não conseguem fazer-me abstrair da área em volta. Razão pela qual a edição DVD de Saraband – a inaugurar colecção de inéditos distribuída com o jornal Público abruptamente interrompida – foi muito bem vinda.
Hoje calhou ser o dia designado para aquele que muitos consideram um dos melhores filmes estreados este ano. Imagino os motivos (claro que tenho também os meus) e imagino-me a concordar com a maior parte deles. Saraband é objecto que apresenta intacto tudo aquilo que faz de Bergman um dos autores mais reconhecíveis da história do cinema: o rigor, o pessimismo, a dedicação ao teatro (personificada no trabalho dos actores) e à música (a mais solitária e intraduzível das paixões).
Saraband trata do medo da morte e da solidão. Daquilo que a morte traz de irremediável à vida. A história tem no núcleo as figuras de um pai e de um filho que se odeiam. Uma vez desprezado por Johan (Erland Josephson, magnífico!!!), seu pai, Henrik (Börje Ahlstedt, magnífico!!) tornar-se-à para a filha Karin (Julia Dufvenius, magnífica!), um pai possessivo e superprotector até ao grau doentio do incesto. Um incesto em parte consentido pela própria mãe de Karin, que é ausência muito presente neste filme que começa já depois da sua morte prematura.
O filme de Bergman encontra-se dividido em dez actos tal como numa peça de teatro. Como no palco, a acção assenta a cada cena no diálogo entre dois personagens. Personagens que são afinal como dois instrumentos executando a música dolorosa da vida, que não se furtam a tocar “as partes mais difíceis” – expressão que alude a uma conversa entre Henrik e a filha a propósito do ensaio para um suposto recital de Bach e (comparativamente) à erosão dos afectos. Saraband é – retomando o que disse inicialmente – sobre a solidão e a morte. Mas também sobre o ressentimento que é uma forma de doença que mina o ser humano à medida que este vai envelhecendo, e que se em muitos casos não mata, seguramente que mói. E dói quase até à loucura, que é uma espécie de morte em vida.

Classificação: (8/10)

De outro planeta


pobres insectos (mortificados) que nós somos

«Lembra-me, sim, que na agitação caiu um brinco de Virgília, que eu inclinei-me a apanhá-lo, e que a mosca de há pouco trepou ao brinco, levando sempre a formiga no pé. Então eu, com a delicadeza nativa de um homem do nosso século, pus na palma da mão aquele casal de mortificados; calculei toda a distância que ia da minha mão ao planeta Saturno, e perguntei a mim mesmo que interesse podia haver num episódio tão mofino.» [pág 227, capítulo CIII "Distração"]

O capítulo 103 das Memórias Póstumas de Brás Cubas tem vários parágrafos do mais genial que alguma vez li em língua portuguesa. O capítulo justificava transcrição na íntegra, mas é longo (nas suas três páginas, não mais) e por demais belo, de modo que me inibi. Fica o breve exemplo da excelente prosa de Machado de Assis, que alías tem aqui marcado presença regular através desta que é sem dúvida das grandes edições literárias do ano. Machado é, como se lê, um escritor do outro mundo: como conceber um talento assim em alguém nosso semelhante?

terça-feira, setembro 27, 2005

Quando a música ocupa espaços


«espaço aberto»


»espaço fechado«

Na música, como na vida, prefiro tendencialmente espaços fechados a espaços abertos. No entanto, é-me difícil fazer uma opção em abstracto entre a fusão pós-rock dos Tortoise e o dub microscópico de Scott Monteith (Deadbeat). Ouvir os dois discos em sequência, então, torna mais confusa a escolha. Pouco importa. Importa, e muito, é que a música continue a ocupar espaços para que eu encontre formas de preencher o tempo.

Pedro Mexia

Estado civil: reincidente.

segunda-feira, setembro 26, 2005

Kate Moss one, two, three







Fim de colecção? Esperamos que não.

Resposta da concorrência



"Faça como Kate Moss: largue a Pepsi!"

resposta à publicidade argentina

Machado fatiado

A calúnia infame

«O marido mostrou-lhe a carta, logo que ela se restabeleceu. Era anônima e denunciava-nos. Não dizia tudo; não falava, por exemplo, das nossas entrevistas externas; limitava-se a precavê-lo contra a minha intimidade, e acrescentava que a suspeita era pública. Virgília leu a carta e disse com indignação que era uma calúnia infame.
- Calúnia? perguntou Lobo Neves.
- Infame.
O marido respirou; mas, tornando à carta, parece que cada palavra dela lhe fazia com o dedo um sinal negativo, cada letra bradava contra a indignação da mulher. Esse homem, aliás intrépido, era agora a mais frágil das criaturas.» pág. 215

A ruga da desconfiança

«Veja bem o quadro: numa casinha da Gamboa, duas pessoas que se amam há muito tempo, uma inclinada para a outra, a dar-lhe um beijo na testa, e a outra a recuar, como se sentisse o contacto de uma boca de cadáver. Há aí, no breve intervalo, entre a boca e a testa, antes do beijo e depois do beijo, há aí largo espaço para muita cousa, – a contração de um ressentimento, – a ruga da desconfiança, – ou enfim o nariz pálido e sonolento da saciedade...» pág. 217

Uma descoberta subtil

«Realmente, não sei como lhes diga que não me senti mal, ao pé da moça, trajando garridamente um vestido fino, um vestido que me dava cócegas de Tartufo. Ao contemplá-lo, cobrindo casta e redondamente o joelho, foi que eu fiz uma descoberta subtil, a saber, que a natureza previu a vestidura humana, condição necessária ao desenvolvimento da nossa espécie. A nudez habitual, dada a multiplicação das obras e dos cuidados do indivíduo, tenderia a embotar os sentidos e a retardar os sexos, ao passo que o vestuário, negaceando a natureza, aguça e atrai as vontades, ativa-as, reprodu-las, e conseguintemente faz andar a civilização.» pág. 218

Esse desvão luminoso

«O voluptuoso, o esquisito, é insular-se o homem no meio de um mar de gestos e palavras, de nervos e paixões, decretar-se alheado, inacessível, ausente. O mais que podem dizer, quando ele torna a si, – isto é, quando torna aos outros, – é que baixa do mundo da lua; mas o mundo da lua, esse desvão luminoso e recatado do cérebro, que outra cousa é senão a afirmação desdenhosa da nossa liberdade espiritual? Vive Deus! Eis um bom fecho de capítulo.» pág. 221

tudo Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas (Cotovia, 2005)


Conclusão: melhor do que o Coluna Infame só mesmo "a calúnia infame".

domingo, setembro 25, 2005

Desinspirado

Ganhámos mas foi muito mau.

Fazer ou não fazer estilo (eis a questão!)

[...] O nosso dever político é fazer voltar, trazer de volta todas as palavras, todas, todos os meios de expressão que esta redução facínora foi extirpando. Por isso me chocou o que o Pedro Mexia escreveu no “DN” sobre a “Gata e a Fábula” de Fernanda Botelho (considera ele “alguns elementos mais datados em termos de (...) linguagem como as insistentes exclamações”.) Apeteceu-me logo escrever uma crónica só com pontos de exclamação – e cá vai um! Tivesse eu um dia longo nesse dia e saía-me romance “à la Pérec” só com!!! É que, se houver uma boa percentagem em 2005, deixarão de ser antiquadas – antes pelo contrário, estarão na moda! – as exclamações que em 1960 Fernanda Botelho tão bem cerzia! E vou já colocar várias exclamações para alterar a estilistica minimalista e “underacting” dos antiexpressionistas! Um, dois, três!!! [...] Com o ponto de exclamação escapado à reprimenda de Mexia [...] eis-me a fazer estilo (nem pensara), ombro a ombro com Aquilino, metendo-me sob a sua samarra lexical, o seu vocabulário de alfarrábio e sacristia, carvoaria beirã e benzedura pagã: não por vontade minha, que sempre preferi a língua nua, sem efeitos, a limpidez de Garrett, o ir por aí pelas palavras comuns. [...]

Jorge Silva Melo, Mil Folhas/ Público 24 Set.

sábado, setembro 24, 2005

Sylvian inspira o melhor nos outros



Os fãs podem até passar ao lado das inclinações espirituais do "último dos românticos", mas ninguém pode negar que David Sylvian inspira o melhor naqueles que com ele colaboram. Acho que já o havia escrito e não me parece que ofenda alguém ao repetí-lo.

VPV vintage

A crónica de hoje é igualmente brilhante, amigo Carlos. Talvez postá-la para indefectíveis no Contra a Corrente fosse uma ideia, que te parece?

Does she?



A música de Terence Blanchard não passou despercebida.

All blues


Chelsea 2 - Aston Villa 1

Não é o sexo, a família, o estar com amigos, as novidades musicais, o cinema em sala, os livros sobre a mesa de cabeceira, as encomendas na Amazon que estão a caminho, o pôr-do-sol visto do terraço, os gatos adormecidos pela casa, a perspectiva de um novo trabalho, um sumo de laranja pela manhã, uma aula de yôga mais puxada, as autárquicas, as presidenciais, o melhor bolo de chocolate do mundo, o ar condicionado nos autocarros da Carris, nada me dá mais prazer hoje do que assistir aos jogos do Chelsea no restaurante do costume.

Karaté kid



Nas minhas infância e adolescência vi todos os filmes de Bruce Lee e Chuck Norris que havia para ver. O meu pai encarregava-se disso, assim como se responsabilizava também pelos treinos de Karaté ao fim-de-semana na barragem do Rio da Mula.
Pequena nota biográfica para dizer apenas que há mais de vinte anos que não revia Enter the Dragon, O Dragão Ataca, o filme de artes marciais que recordava como sendo o mais impressionante e que foi objecto de uma edição DVD com dois discos carregados de extras (que não vi ainda) que não consta da luxuosa caixa com a filmografia (in)completa de Lee.
Razão tinha eu! Agora que Bruce Lee é objecto de um revivalismo universal e digital, é justo reconhecer neste o seu melhor filme, aquele em que a total autonomia artística no coreografar das cenas de luta vê a exuberância das mesmas acrescida à qualidade da música de Lalo Schifrin e da realização de Robert Clouse.
Quem definiu Enter the Dragon como sendo o cruzamento de um sub-James Bond com o espírito dos filmes blaxploitation tinha toda a razão. Aqui não há tempo a perder: a puerilidade da intriga não é ofensiva, o sentido de economia narrativa serve a pancada às mil maravilhas e há ainda essa surpreendente citação de Welles - da cena da casa de espelhos na Dama de Xangai - durante a sequência final em que Lee defronta o terrível "Dr." Han (ver imagem). Quanto ao carisma da maior estrela das artes marciais de todos os tempos, mantém-se, na minha qualidade de ex-praticante, tão inatacável como há vinte e muitos anos atrás. Bruce Lee era felino, bailarino, fatal como o destino.

Classificação: (7/10)

sexta-feira, setembro 23, 2005

Culpados



Se me dão licença, este é dos discos por mim mais antecipados do ano. Provavelmente uso o verbo de modo pouco claro: anticipation tem a ver com expectativa que em relação à nova reunião de Barbra e Barry é enorme: se o CD valer metade do primeiro encontro já será muito bom. Blame me! Dia 26 estará nos correiros (pelo menos assim espero).

Azar ou nostalgia



The Cooler é menos um conto de fadas sobre a capacidade transformadora do amor, e mais uma história carregada de nostalgia pelo film-noir acerca da importância de acreditarmos no que somos e não no ascendente que outros têm sobre nós.
Quando Natalie (Maria Bello) entra na vida de Bernie (William H. Macy), este vai ficando progressivamente imune à influência de Shelly (Alec Baldwin) que tem o maior interesse que Bernie se mantenha convencido do seu azar. Para azar ainda maior de Shelly, é ele que faz chegar o amor à vida de Bernie e com isso a nova imagem que Bernie passará a fazer de si próprio.
Donde se conclui que a psicologia é pelo menos tão antiga quanto o cinema-negro ou os contos de fadas.

Classificação: (7/10)


Forbidden Love


Sex Steven Meisel ©

O Sound + Vision avança com o alinhamento do novo CD de Madonna. Estranho inclusão do tema Forbidden Love uma vez que Madonna já havia gravado canção com o mesmo nome no álbum Bedtime Stories, que mais tarde viria também a integrar a compilação Something to Remember: tratando-se dos meus dois discos preferidos da cantora é natural que não deixasse escapar a repetição. Isto é, se se tratar de uma repetição. A ouvir vamos, dificilmente antes de 14 de Novembro.

quinta-feira, setembro 22, 2005


Matar saudades de Auberon Waugh



Good News at Last

So much for the bad news. The good news is that the nation’s career women – defined by the BBC programme Watchdog as professional single women in their mid-twenties to early thirties – are drinking to much. Three million of them drink as much as two glasses of wine a day, we are told.
According to Sarah Jarvis of Alcohol Concern, this is too much. It jeopardises their fertility in later life. Half a million women, or nearly one in 50, drink five glasses of wine a day. I have the feeling that this information is supposed to shock us.
It is kind of Dr Jarvis and her friends to worry, and I am sure that their motives are the purest and best, but, for myself, I rejoice to think that the career woman in her office can enjoy life as much as any ordinary woman. Babies can be a great comfort, of course, but by no means all of them are. As Kipling might have said, a baby is only a baby, but a bottle of wine is a drink.

12 Agosto 1998

in Closing the Circle – The Best of Way of the World (McMillan)

Eu Adoro Os



5 filmes de Spike Lee para a posteridade:


25th Hour (2002)


He Got Game (1998)


Clockers (1995)


Malcolm X (1992)


Do the Right Thing (1989)


I Luv Them

Pau para demasiada obra



Spike Lee é uma mistura explosiva de moralismo e subversão. Se por um lado denuncia a descriminação de que os negros vêm sendo objecto ao longo dos tempos, por outro critíca a passividade com que os mesmos se acomodaram ao estereótipo da marginalidade. Para Lee é tão condenável a exploração do afro-americano pelo americano branco como a exploração do afro-americano pelo seu irmão de cor, embora este segundo cenário seja lateralizado quando se trata de mostrar as contradições do modelo económico dominador: o de uma sociedade onde tudo se compra e tudo se vende na qual corpo e alma se deixam corromper das mais inovadoras formas.
She Hate Me, traduzido para um literal Ela Odeia Me, é apenas a mais recente provocação deste grande realizador e trata-se de um filme escorregadio. A sátira avança consequências adentro com igual determinação à dos espermatozóides a caminho do óvulo, enquanto se conta a história de um yuppie negro que denuncia práticas incorrectas por parte da empresa farmacêutica onde trabalha, que é por isso despedido e que depois irá fazer dinheiro inseminando “ao natural” lésbicas tão bem sucedidas profissionalmente quanto ele fora, dispostas a pagar 10 mil dólares por ejaculação. As complicações que daqui advêm são férteis como a imaginação dos argumentistas (Michael Genet e Spike Lee), e acabam sendo tantas que ficamos com a sensação de que o próprio Spike terá sacrificado a coerência do filme com a superação dos limites de plausibilidade que a sátira foi acumulando.
She Hate Me quase encerra em toada capriana e tal facto não é de estranhar tratando-se Spike Lee de um conservador tornado agitador de consciências quando se coloca atrás das câmaras. A sua campanha neste filme é no fundo pelo modelo familiar tradicional, apesar de no seu desejo de subversão ter optado por um final "alternativo". Não é por isso também de espantar que o espectador veja She Hate Me ao mesmo tempo que testa os limites do seu próprio liberalismo. Spike Lee já anteriormente tinha mostrado tendência para a partir de uma intriga central tecer todo um patchwork visando expor as contradições que encontra nos Estados Unidos: país que é o seu e que ele (nos filmes) odeia e ama com a mesma intensidade. Desta vez ter-se-à perdido a meio da cerzidura mas, acreditem, She Hate Me vale ainda assim por vários dos seus bocados: a homenagem a Jim Brown e ao entretanto desaparecido Ossie Davis são apenas dois dos mais comoventes.

Classificação: (6.5/10)

quarta-feira, setembro 21, 2005

O meu ideal


Clint Eastwood, 75 anos

«Eu, com sete, oito anos, achava os velhos muito mais fascinantes do que os jovens.» [Nelson Rodrigues, A Menina Sem Estrela, pág. 100]

Não sendo tão precoce quanto o puto Nelson, cedo cheguei à mesma conclusão. Quando me dizem "pareces um velho!", tomo-o por elogio.

Veneza culta



Arte, História, os melhores restaurantes, drinks ao cair da tarde, a companhia escolhida. Quem não gostaria assim de lá ter estado?
O breve diário de Eduardo Pitta (meia centena de páginas) suscita inveja por ser bem escrito - o estilo enxuto, a exposição controlada da intimidade, o tom por vezes snobe que poderá mexer com a "consciência" do leitor (não foi o caso) - mas, mais que isso, por estar bem vivido.

Classificação: (7/10)

Masterclass



Comecei a vasculhar a integral José Álvaro Morais (preferirei chamar-lhe sempre "de" Morais), começando justamente pelo DVD de Quaresma - dos filmes que dele conheço o que menos aprecio. Mas ainda não regressei a esse filme. A noite foi dedicada aos extras, mais propriamente à notável leitura da obra de José Álvaro feita pelo crítico Augusto M. Seabra. Em 35 min., não mais, Augusto Seabra tece uma panorâmia sobre a carreira breve e dada a longas pausas do realizador de O Bobo, focando os aspectos essenciais que estruturaram o seu cinema. Em tão pouco tempo era difícil fazer melhor e mais abrangente.

terça-feira, setembro 20, 2005

Oriente


Toru Takemitsu

via Culturgest

Ocidente


Anne Sofie von Otter

via DG

Mamet "Vitoriano"



The Winslow Boy deve ser o título mais atípico na obra de David Mamet para cinema. Desde logo pelo facto de não ter sido escrito por ele; mais ainda por adaptar texto antigo da autoria do prestigiado dramaturgo Terence Rattigan (1911-1977); finalmente por fazer questão de não actualizar a acção da peça situada no início do século passado, com o propósito de comentar o tempo presente.
A ideia inicial de Mamet era levar a sua adaptação unicamente ao palco, só que face à impossibilidade de reunir pelo tempo necessário o grupo de actores com quem fazia questão de trabalhar, a hipótese filme acabou por mostrar-se a única alternativa viável.
Será The Winslow Boy, por muito ou nada disto, um filme demasiado teatral? Penso que sim, no sentido da sua total fidelidade àquilo que recepcionamos hoje como a forte impressão de naturalismo da peça de Rattigan. Mamet nada fez para contrariar a anti-espectacularidade de um texto que tem dentro características de um melodrama familiar – e de um melodrama tout court também.
The Winslow Boy é uma peça de teatro que aparenta ser cinema. Pode então dizer-se que Mamet conseguiu levar a dele avante.

Classificação: (7/10)

Candidato Duracell



Manuel Maria Carrilho entregou-se à original ideia de acompanhar os movimentos da cidade de Lisboa ao longo de 24 horas. E foi vê-lo nas esquadras, em hospitais, nas ruas de má fama, incansável na disponibilidade que devia rarear fora de horas. Na manhã seguinte, as câmaras da RTP não conseguiram destapar-lhe o menor indício de olheiras: prémio a atribuir à maquilhadora de Bárbara Guimarães ou ao fornecedor de x-tasy do Largo do Rato. Mas depois dos recentes "apanhados" da SIC-N temo que qualquer gesto, por mais heróico, do candidato socialista caia no saco que lhe pertence: o saco roto.

Erro de casting

A reportagem televisiva da estreia da Sinfonia Benfica a noite na passada no Coliseu de Lisboa, dava conta da total ausência na plateia de profissionais do clube. Avanço com a explicação: tivessem encomendado a histórica partitura a Quim Barreiros e não ao maestro António Vitorino d'Almeida que o número de craques presentes seria outro. Aliás, o próprio compositor reconheceu ironicamente que àquela hora os jogadores deviam estar a treinar...

Golaço

Como seria de esperar, Deivid manifestou maior tristeza pela derrota do Sporting na Madeira do que alegria pelo seu golo portentoso no mesmo jogo. Por ele e pelo (meu!) clube de Alvalade, oxalá que a importância do golo se venha a sobrepor ao merecimento do resultado. Ganhar um jogador é infinitamente mais decisivo do que averbar uma derrota.

Garanhões italianos


Angello della Città, escultura de Marino Marini (1948)

"Enquanto fotografam «a coisa», rotundas balzaquianas bávaras, afogueadas até ao ridículo, dão gritos roucos e engasgam-se."




"Dominando a sacristia, acanalhado, pose de gigolô, o São Marcos de Ticiano [1510] dá que pensar."

[citações retiradas a Os Dias de Veneza (quasi, 2005), de Eduardo Pitta, pág. 17]

Maldita Choupana

O que irrita mais é saber que o Sporting continua preso à maldição da Choupana. Mas o jogo de hoje, pelo que ouvi na rádio (que ouvi na totalidade dos 90 minutos), começou por ser perdido por Peseiro e só depois pela equipa. Do mesmo modo que se pode dizer que Manuel Machado seja o principal responsável pela reviravolta do Nacional da Madeira.
Na minha óptica é simples: jogo que o Sporting comece a ganhar é inadmissível que acabe em derrota - com o Nacional ou qualquer outra equipa.

segunda-feira, setembro 19, 2005

Integral



Depois da caixa com todos os filmes de João César Monteiro, a Atalanta repete a operação com a obra do também falecido José Álvaro de Morais. Sendo a obra mais curta, o trabalho em torno desta edição DVD parece tratar-se menos de um labour of love - como no caso de César - e mais de uma realização q.b. onde, quem sabe, talvez não houvesse mesmo hipótese para fazer mais. Em qualquer dos casos um lançamento que se saúda ou não fosse José Álvaro (coisa rara no cinema português) um cineasta criador de imagens de enorme sensualidade: feminina e masculina. E de uma das poucas obras-primas da nossa cinematografia: O Bobo.

Nota de intenção: este blogue compromete-se a abordar o conteúdo de cada DVD da íntegral JAM em posts futuros.

Pipocas



Red Eye é um Wes Craven popcorn, só que nele - ao contrário do que sucedia com o primeiro Scream - é o espectador que fica de posse do balde. (4/10)

domingo, setembro 18, 2005

Difícil não é viver mas conviver

Citação primeira:
«Se, Deus morto, o problema da Justiça entre os homens é (para mim é) o mais importante e ela resolve-se não pelos Códigos e Meretíssimos, suprema palhaçada tristemente ridícula e, ainda mais, revoltante, processa-se no dia-a-dia e na convivência de um com outro e isto implica um método dificílimo, utópico: a) o conhecimento próprio permanente, isto é, o conhecimento próprio e das próprias mudanças (o que poucos conseguirão); b) o conhecimento do Outro e suas mutações, coisa ainda mais difícil, esse problema tão agudo é no casal (couple), quer no hetero quer no homossexual, mas mais ali, que esses exercícios de atenção e observação se tornam mais agudos, já que na vida a dois, com problemas comuns diários a resolver, desde a economia aos filhos, e na cama, onde tudo vem ao de cima, é que está a situação-limite dessa convivência na Justiça.»

Luiz Pacheco, Diário Remendado 1971-1975, pág. 46



«a olhar para o Catumbela»


Situação segunda:
«Sabe, inspector, no meio das nossas vidas aparecem portugueses assim, vindos do nada, sem casa, sem eira nem beira, sem família, espalhados por todo o lado. Encontram-se portugueses por todo o lado e diz-se que isso acontece porque somos ousados, aventureiros, mas eu acho que não é bem assim. É por timidez. Timidez de viver na nossa própria terra, na nossa própria casa. Então partimos pelo mundo fora. Quando chega a hora de voltar, não queremos voltar, temos vergonha de encarar a gente que ficou, este mundo pequenino. Ficamos a olhar para o Catumbela durante dias e dias. Eu fiquei. Ainda estou lá, se calhar ainda estou lá e não saio tão cedo daquele miradouro. Ou a ver o mar na Baía Azul, a ver a foz do Quicombo, a apanhar sol no morro do Sombreiro. Não sei.»

Francisco José Viegas, Longe de Manaus, pág. 378


Para assinalar o momento em que saudamos um livro e nos despedimos de outro.

sábado, setembro 17, 2005

A diferença entre primeiro e segundo


Hernan Crespo

Acabo de assistir ao encontro Charlton (2º class.) Chelsea (1º class.). Resultado final: 0-2. Três conclusões: é inevitável que o Chelsea acabaria por marcar um ou mais golos; é seguro que a equipa de Mourinho manteria a sua baliza inviolada; é garantido que assistir ao jogo tendo na frente um prato de secretos confeccionado no Solar dos Duques tornaria tudo mais especial.
O esquema de compensações do Chelsea é alucinante (o porco preto, não menos!). E se me perguntarem sobre a opção por Crespo ou por Didier Drogba, não hesito: dêem-me o Hernan, por favor!

sexta-feira, setembro 16, 2005

O humanismo pelo heroísmo



O título original é La Chambre des Officiers. Não existe tradução para português porque o filme de François Dupeyron permanece inédito entre nós. Passou uma única vez na Mostra de Cinema Francês de há dois ou três anos a esta parte, que foi quando o vi. Mais tarde comprei o DVD que me possibilitou rever este que hoje considero uma obra-prima do calibre dos maiores Renoir, como é o caso d' A Grande Ilusão.
La Chambre des Officiers é um filme que substitui o heroísmo pelo humanismo. Fala da falta de sentido da guerra e da redescoberta de um novo sentido para a vida. A quase totalidade da acção tem lugar na enfermaria de oficiais de um hospital para queimados durante a I Guerra Mundial. A mise en scène de Dupeyron é assombrosa por se tratar mais propriamente de uma "mise en compassion". A identificação com o processo de convalescência do jovem tenente é-lhe fiel do primeiro ao último fotograma.
La Chambre des Officiers é ainda uma obra que nos dá a observar o despertar para a vida numa segunda vez. Reaprendizagem que nunca é demais tornar a fazer - mesmo que por via indirecta -, ainda por cima quando é feita através do grande cinema: aquele que mexe com o mais fundo de nós. Notável!

Classificação: (9/10)

Elogio da aparente falta de sentido


"wild at heart and weird on top"

Parece-me justo dizer-se que David Lynch terá criado com Wild At Heart, Um Coração Selvagem - que tornei a rever, anos depois, esta semana - o conceito de estrada-filme. Se nos road-movies (filmes-estrada) tão em voga na década de 70, o alcatrão como que se tornava também personagem das histórias que nele tinham lugar, o conceito de estrada-filme caracteriza-se por atribuir à estrada as propriedades do próprio ecrã de cinema onde se projectam os nossos maiores medos e as nossas maiores obsessões. Leitura idêntica aplica-se a uma obra posterior de Lynch – o também excelente Lost Highway, Estrada Perdida (e até em parte a Mulholland Drive) – que se nos recordarmos bem utiliza recorrentemente a passagem entre cenas com imagens nocturnas da estrada iluminada pelos faróis do carro tal como se se tratassem, digo eu, das luzes de um projector na sala de cinema. Essas imagens são como que portas de acesso a uma hiper-realidade que acentua a falta de sentido do mundo: mais ou menos como nos sonhos ou pesadelos em que lutamos com os elementos bizarros que existem no nosso inconsciente. A originalidade de David Lynch passa pelo efeito de contaminação do consciente popular – a cultura pop, as narrativas tradicionais, a América tal como imaginamos que ela seja – com elementos do seu próprio inconsciente, pesadelos pessoais que o espectador tem frequentemente dificuldades em descodificar.
Creio não estar a exagerar ao dizer que sem Wild At Heart o cinema de Quentin Tarantino, por (maior) exemplo, sairia com certeza empobrecido: Pulp Fiction não seria o mesmo filme, se bem que na minha opinião Tarantino só tenha atingido tamanho fulgor expressivo e a mesma intensidade emocional do melhor Lynch com a segunda parte de Kill Bill – A Vingança.
Moral da história: nas histórias de amor seria tudo mais simples não fosse o mundo lá fora a corrompê-las com a sua falta de sentido. Mas também que sentido faria ir ao cinema se não fosse para acrescentar outros sentidos à interpretação do mundo. Aceitar a condenação imposta por esta dialéctica é talvez o passo inicial para não perder de vez a cabeça. Que vos parece?

Wild at heart


Diamanda Galás por Annie Leibowitz 1995 ©
(pesquisa suscitada pela leitura de texto no Y sobre a intérprete)


ao vivo dom. 18/9 22h na Casa da Música

Favoritos de sempre


Murray (Frank Milo) e De Niro (Wayne Dobbie) em Mad Dog and Glory

Exercício interessante é pensar nos motivos por que gostamos dos filmes que gostamos. Às vezes nem é preciso muito tempo – o duche, por exemplo, pode dar azo a curiosas revelações sobre a nossa cinefilia.
Vem isto a propósito de ter repassado em memória (o DVD vem a caminho...) o filme The Cooler – a que me referi dois posts abaixo deste – e em simultâneo ter-me recordado de outro filme que adoro chamado Mad Dog and Glory, traduzido cá para Uma Mulher Entre Dois Homens. No meu caso, um homem entre dois filmes e assim sendo os paralelismos entre as obras de Wayne Kramer e John McNaughton começaram a estabelecer-se: ambas têm no centro uma figura masculina apagada que a determinada altura terá de lutar pela mulher que ama, embora não estando seguro de a merecer. Nos dois filmes a mulher representa uma espécie de prémio que coloca o protagonista em dívida para com um outro homem. Ficar com a mulher significa nas duas situações a libertação dessa mesma dívida, desse factor de subjugação face ao poder do segundo homem: subjugação por subjugação, mais vale que esta seja exercida pela mulher que amamos, desejamos, de quem dependemos por uma razão ou outras... E temos assim que os personagens de The Cooler interpretados por William H. Macy (Bernie Lootz), Maria Bello (Natalie) e Alec Baldwin (director do casino onde Bernie vai azarar o jogo de outros) correspondem em Mad Dog and Glory, respectivamente, às figuras interpretadas por Robert De Niro (o polícia Wayne “Mad Dog”), Uma Thurman (Glory, rapariga hipotecada pela família a um mafioso) e Bill Murray (o tal mafioso a quem Glory pertence).
É, no fundo, uma história que se repete todos os dias: a nossa tendência para subvalorizarmo-nos e consequentemente sobrevalorizá-las. Quem é que idealiza, quem é?


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