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terça-feira, janeiro 31, 2006

Mais Machado, mais Chagall (uma alusão às Filipinas)


Marc Chagall, La nuit de Vence (1956)

(...) Antes de concluir este capítulo fui à janela indagar da noite por que razão os sonhos hão de ser assim tão tênues que se esgarçam ao menor abrir de olhos ou voltar de corpo, e não continuam mais. A noite não me respondeu logo. Estava deliciosamente bela, os morros palejavam de luar e o espaço morria de silêncio. Como eu insistisse, declarou-me que os sonhos já não pertencem à sua jurisdição. Quando eles moravam na ilha que Luciano lhes deu, onde ela tinha o seu palácio, e donde os fazia sair com as suas caras de vária feição, dar-me-ia explicações possíveis. Mas os tempos mudaram tudo. Os sonhos antigos foram aposentados, e os modernos moram no cérebro da pessoa. Estes, ainda que quisessem imitar os outros, não poderiam fazê-lo; a ilha dos sonhos, como a dos amores, como todas as ilhas de todos os mares, são agora objeto da ambição e da rivalidade da Europa e dos Estados-Unidos.
Era uma alusão às Filipinas. Pois que não amo a política, e ainda menos a política internacional, fechei a janela e vim acabar este capítulo para ir dormir. Não peço agora os sonhos de Luciano, nem outros, filhos da memória ou da digestão; basta-me um sono quieto e apagado. De manhã, com a fresca, irei dizendo o mais da minha história e suas pessoas.

Dom Casmurro, capítulo LXIV


Que tal?

Um sopro do coração


Miss Bennet "o orgulho" (Keira K.) e Mr. Darcy "o preconceito" (Matthew M.)

Um texto de Vasco Pulido Valente há meses atrás no Público abria o livro sobre o universo da escritora Jane Austen que, dizia mais ou menos VPV, não teria precisado de chafurdar na lama cosmopolita para traduzir fielmente a natureza humana. Fiquei alertado para os romances de Austen e comprei dois deles: Persuasion e Sense and Sensibility. Infelizmente, outros afazeres ou outras obrigações não libertaram o tempo necessário a que o meu conhecimento da obra da autora pudesse entretanto ir além do já anteriormente visto em cinema e televisão; e eis-me de novo face a Jane Austen (actualizada) por intermédio da nova versão de Pride & Prejudice, Orgulho e Preconceito que o absolutamente desconhecido Joe Wright assinou no ano da graça de 2005.
Mesmo que não tenhamos lido o romance (como é o caso...), há toda uma respiração literária que percebemos passar para o filme algo sofregamente. O que Joe Wright e a argumentista Deborah Moggach terão procurado fazer dá a sensação de ter por resultado a condensação desta obra de Austen, motivadora de um conjunto de solavancos dentro e entre cenas mais sensível na segunda metade do filme em que os acontecimentos se precipitam de modo artificial e a conclusão surge acelerada como nas (tele)novelas. Mas o filme tem por outro lado um conjunto de elementos meritórios que fazem dele uma simpática revisitação da Inglaterra rural versus aristocrática na viragem do século XVIII para o XIX que, embora indeciso entre um registo mais "mulherzinhas" ou em alternativa mais "monte dos vendavais", tira bom partido dos espaços naturais francamente inspiradores assim como dos casarões que são verdadeiros ases de trunfo de direcção artística.
Outro título de memória recente e caução autoral pronta a utilizar também pode acorrer ao consciente do espectador cinéfilo: esse filme é O Piano, de Jane Campion, que Wright canibaliza não só em termos visuais (Keira Knightley/ Elizabeth é dada a passeios longuíssimos pela orla do countryside) - procurando uma respiração melodramática que não vai além de um sopro do coração -, mas também através do recurso à música "original" de Dario Marianelli, convertido aqui em clone aplicado de Michael Nyman. Enfim, Pride & Prejudice cumpre a função escapista e se lhe desculparmos a demasiada ingenuidade dos processos dramático e formal dá para fantasiar com moderação: não será propriamente a ventania sobre os montes, embora nos tempos que para o cinema ventam a gente já se dê por contente com o mero sopro do coração.

Classificação: (5/10)

segunda-feira, janeiro 30, 2006

E comecei a recordar...


Marc Chagall, Dreamer (1945)

... esses e outros gestos e palavras, o prazer que sentia quando ela me passava a mão pelos cabelos, dizendo que os achava lindíssimos. Eu, sem fazer o mesmo aos dela, dizia que os dela eram muito mais lindos que os meus. Então Capitu abanava a cabeça com uma grande expressão de desengano e melancolia, tanto mais de espantar quanto tinha os cabelos realmente admiráveis; mas eu retorquia chamando-lhe maluca. Quando me perguntava se sonhara com ela na véspera, e eu dizia que não, ouvia-lhe contar que sonhara comigo, e eram aventuras extraordinárias, que subíamos ao Corcovado pelo ar, que dançávamos na lua, ou então que os anjos vinham perguntar-nos pelos nomes, a fim de os dar a outros anjos que acabavam de nascer. Em todos esses sonhos andávamos unidinhos. Os que eu tinha com ela não eram assim, apenas reproduziam a nossa familiaridade, e muita vez não passavam da simples repetição do dia, alguma frase, algum gesto. Também eu os contava. Capitu um dia notou a diferença, dizendo que os dela eram mais bonitos que os meus; eu, depois de certa hesitação, disse-lhe que eram como a pessoa que sonhava... Fez-se cor de pitanga.

[Machado de Assis, Dom Casmurro (Dom Quixote, biblioteca de bolso) pág. 60]


Todo um Domingo fechado em casa na companhia do morto mais vivo que ler se pode.

Verde futuro



Paguem ao homem tudo o que ele quiser.

Entretenimento maduro



Foi programa de última hora e uma das decisões mais acertadas da semana. O Quinteto Tati do (ex-) Belle Chase Hotel JP Simões apresentou-se aumentado, como é de lei, de um sexto elemento - o trompetista Tomás Pimentel - para uma necessariamente curta actuação a dois tempos no mítico cabaret Maxime, à Praça da Alegria. O concerto de sexta-feira última, próximo da meia-noite, encontrava moldura perfeita na atmosfera fumarenta e kitsch do Maxime que é gerido por Manuel João Vieira, razão do entretenimento maduro de tão mítico poiso conhecer agora outras valências.
O repertório apresentado pelo Quinteto Tati incidiu no seu excelente disco de estreia, Exílio, com duas excepções: Chico Buarque (Gota d'Água, com recados para o novo governante de Portugal) e Scott Walker (Rosemary, tema incluído num CD homenagem assim para o assim-assim). JP teve presença discreta mas competente, sempre de cigarro em riste, colado ao microfone, e volta não vir refrescando a garganta numa Sagres playback que, como sabemos, é outra das designações possíveis para a variante 0%. A noite no Maxime, pelo contrário, esteve mais próximo dos 100%, até porque os "famosos" bebidos, um em cada parte, deviam ser genuínos. Resultado: ressaca 0%.

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Post mortem


Michael Wharton (1913-2006)

A coincidência é mórbida mas a consequência promete compensar em vigor de espírito. Ouvi falar pela primeira vez em Michael Wharton e na sua criação Peter Simple na véspera de Domingo passado, data em que o cronista viria a falecer com a provecta idade de 92 anos. Fiquei a saber da morte de Wharton apenas ontem, tinha já encomendado a sua autobiografia em dois volumes - The Missing Will e A Dubious Codicil - bem com a mais recente recolha da prosa curta de Peter Simple para o Daily Telegraph - Peter Simple's Domain.
A importância de Michael Wharton mede-se por meio século de escrita ininterrupta várias vezes por semana (chegaram a ser cinco crónicas...), em coluna que começou por chamar-se Way of the World - partilhada de início com Colin Welch - mais tarde assumida por Auberon Waugh e presentemente a cargo de Craig Brown. Peter Simple's Domain chegou-me com o correio no fim da manhã e tratei de o folhear para aqui dar exemplo da prosa de Wharton que só agora me foi apresentada. Espero que gostem. E que leiam também amanhã no Expresso o que o meu amigo João Pereira Coutinho tem mais sabiamente a dizer sobre a grande figura.

PROGRESS

I have never been in Afghanistan. But with a bit more enterprise I might have got there. One day towards the end of the Second World War, it was my duty to conduct a party of Afghan army officers round military instalations in Bengal. They were affable and courteous men, whose legendery ferocity, if it existed at all, was well under control.
They spoke little English and not much Urdu. But one general, who had studied at the Potsdam Military Academy in the old days, spoke good German. He spoke of the beauties of his native land, of Persian poetry and of his own rose gardens in Kabul. "When the war is over, I hope you will come and see them for yourself."
I shall never see the rose gardens of Kabul now; nor, I dare say, will anybody else. That charming Afghan must long ago have perished with them, as the filthy tides of communism and progress, made more devastating still by the ferocity of warring tribesmen, surged to and fro over everything that was civilised in Afghanistan, obliterating its gardens and all its other treasures, and leaving nothing but a brave and noble people struggling to live among the ruins.
Fifty years later, here comes another tide of destruction in the name of progress, freedom, democracy and the international community.

(pág. 134 referente a 2001)

Departamento das canções esquecidas



«I killed the party again/ I ruined it for my friends/ "Well, you're so silent, Jens"/ Well, maybe I am, maybe I am» (Black Cab)

"Oh you're so silent Jens" reúne a totalidade dos EP's anteriores a When I said I wanted to be your dog - álbum já aqui sobejamente elogiado - do crooner sueco Jens Lekman, e verificamos que a hesitação do músico entre os registos lo-fi e hi-fi é dilema que preencherá porventura a totalidade do seu (inesgotável?) baú de canções.
O resultado da travessia destes 15 velhos temas dos anos 2003 e 2004 que desconhecia, reforça a sensação de que existe espaço para os The Magnetic Fields e para Jens Lekman na estante de qualquer melómano que saiba dar valor ao absurdo, ao irrelevante e à esperança que vem com a paixão que vem com as canções & letras de Lekman.

Classificação: (7.5/10)

quinta-feira, janeiro 26, 2006

1ª Companhia



Ao adaptar o livro do soldado Anthony Swofford, Sam Mendes terá tido a ideia de fazer um filme de guerra para não apreciadores do género. Deitou fora os "ismos" (heroísmo, patriotismo) e mandou as tropas para o deserto. Os rapazes de Jarhead, Máquina Zero, que da guerra sabiam apenas o que tinham visto nos filmes - apesar de alguns serem filhos de soldados que estiveram no Vietnam -, e filmes como Apocalypse Now, os Rambos ou O Caçador (títulos que ainda assim pouco têm que ver uns com os outros), desesperam pelo primeiro tiro, pelo primeiro árabe morto, mas vão ter menos sorte ainda do que o personagem de Camus.
O deserto de Jarhead, que é o teatro da guerra do Golfo do Bush pai, tem calor que não acaba mais e muito pouca acção. Os militares distraem-se com brincadeiras que quase não diferem do período de instrução e com o pensamento nas namoradas que já lhes terão posto os palitos. O filme de Sam Mendes não tem mais do que isto: uma tentativa de fazer existencial para apreciadores da música de Eminem ou Slipknot (que outra coisa parece o corpo de atiradores aos urros com máscaras anti-gás enfiadas na cabeça), embrulhado na fotografia exemplar de Roger Deakins (em particular nas cenas nocturnas iluminadas pelos poços de petróleo em chamas) e um retrato de grupo pouco empolgante que não conseguiu ir além do cliché quando procura caracterizar cada soldado.
Para quem se propunha apresentar uma versão alternativa do filme de guerra (em última análise um filme anti-guerra) - e, que arrisco, não terá visto Bitter Victory, de Nicholas Ray, e muito menos The Big Red One, de Samuel Fuller -, os resultados assemelham-se a um deserto de ideias. E um homem sai da sala com vontade de pegar no primeiro DVD de Chuck Norris que lhe passe à frente da vista - o que, sabemos também, não se recomenda. Só para cortar com a onda mole de Mendes.

Classificação: (4.5/10)

quarta-feira, janeiro 25, 2006

SCP


Sérgio Contreras Pardo (Koke)

Bom fantasma



Cyro Baptista como Ricardo Gross. As semelhanças são de facto inquietantes. Já agora o disco.

terça-feira, janeiro 24, 2006

A cadência de Muffat



Ando a escutar mais um excelente disco da Ramée. No caso, dedicado ao compositor franco-alemão Georg Muffat (1653-1704) que alguns musicólogos afirmam que poderá ter recebido lições de Jean-Baptiste Lully quando, com a idade de dez anos apenas, rumou a Paris para dar início aos seus estudos musicais que se prolongariam na capital francesa por seis anos. Mais tarde, Muffat viria a ser responsável pela introdução do estilo ballet do mesmo Lully - que consistia em música produzida por um agrupamento de cordas com cerca de vinte elementos altamente disciplinados e exímios na arte da ornamentação - na Alemanha e Áustria.
Em 1978, tinha Muffat 25 anos, quando conheceu, na qualidade de organista do cardeal de Salzburgo, o enorme Henrich Ignaz Franz Biber, outro nome com lugar cativo junto dos mais importantes compositores do período: onde Georg Muffat não surge habitualmente destacado talvez porque parte significativa da sua obra se tenha perdido. Outro encontro decisivo ao processo de maturação da técnica de composição muffateana, teve lugar em Roma quando o compositor apresentou a Arcangelo Corelli algumas das suas mais recentes peças: mais propriamente as que se encontram representadas neste CD - cinco sonatas de câmara no estilo dos concerti grossi - baptizadas de Armonico Tributo. Alguns dos trabalhos de Corelli posteriores ao seu encontro com Muffat também parecem indicar que a influência entre os compositores terá funcionado nos dois sentidos, o que só vem reforçar o carácter justo da presente reavaliação da obra de Muffat: marcada pelo predomínio de cadências graves (aliando os estilos francês, italiano e germânico) e sofisticação harmónica que, segundo o próprio, tinham o propósito de trazer beleza a um mundo ameaçado por conflitos entre as principais nações. Propósito nobre e música extraordinária defendida aqui com "cordas e dedos" pelo Les Muffatti sob a direcção de Peter Van Heyghen, responsável também pela clareza das notas explicativas sobre o músico e o seu tempo. Bravo!

Classificação: (9/10)

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Pronto, eu também fiz...



My Score
Your scored -0.5 on the Moral Order axis and -1 on the Moral Rules axis.

Matches
The following items best match your score:
. System: Liberalism
. Variation: Moderate Liberalism
. Ideologies: Capital Democratism
. US Parties: Democratic Party
. Presidents: Gerald Ford (90.89%)
. 2004 Election Candidates: John Kerry (88.10%), Ralph Nader (74.14%), George W. Bush (69.94%)

Statistics
Of the 149878 people who took the test:
1.4% had the same score as you.
45.5% were above you on the chart.
47.4% were below you on the chart.
28.5% were to your right on the chart.
60% were to your left on the chart.

Via: muita gente.

Emprestado até ao fim da época com opção de compra?



Gostava de ver N'Doye no Sporting. O senegalês entrou em litígio com o Penafiel da mesma forma que já havia feito com o Estoril (na sequência de um desentendimento com o treinador: salvo erro, Litos). Não me parece que N'Doye seja um jogador difícil. Acho, pelo contrário, que é um homem de palavra num universo onde a verdade de hoje é a mentira de amanhã. E depois N'Doye joga bem pelos flancos, é possante, corre que se farta, rebenta com a defesa adversária e faria uma bela dupla com o peso-pluma Liedson. E também marca golos. É o que acho. Valia a pena arriscar com N'Doye: se Carlos Freitas quiser e António Oliveira estiver pelos ajustes.

Crime e escapadelas (com Scarlett)



Match Point não parece um filme de Woody Allen, na mesma medida em que Gosford Park não parecia ter Robert Altman atrás das câmeras. Isso criou um distanciamento inicial que me levou a procurar a cada instante elementos de reconhecimento da obra do realizador de Annie Hall, Ana e as Suas Irmãs ou Maridos e Mulheres. A distância também se instalou por via da talvez demasiado perfeita construção de Match Point (a imagem de um relógio suiço vem à ideia); do seu sentido de economia narrativa (o filme parece muito mais longo do que na realizade é); e da impressão de transparência que permite um acesso constante à leitura psicológica de cada personagem (graças também ao naturalismo quase absoluto das situações e diálogos).
A pouco e pouco apoderou-se de mim a impressão de estar a assistir a uma versão rejuvenescida - embora com implicações morais menos densas e pulverizadas - de um dos filmes maiores de Woody Allen, a obra-prima Crimes and Misdemeanors, Crimes e Escapadelas, de finais da década de 80. Até ao preciso momento em que uma voz amiga me segreda ao ouvido que a sequência de preparação, execução do crime e eliminação de provas é decalcada de Crime e Castigo, um dos mais populares livros de Dostoievski, que aliás o protagonista de Match Point (Chris, Jonathan Rhys-Meyers) lê no início.
A conclusão é de que Allen finalmente recria-se permanecendo em parte aquilo que sempre foi - um habilidoso argumentista que sabe usar as referências do campo literário e cinematográfico de modo discreto (nos filmes dramáticos) ou óbvio (nas comédias). E se dúvidas houvesse de que Match Point é a sua melhor obra em muitos anos (é consensual!), elas dissiparam-se para mim com o magnífico plano que a imagem acima ilustra (embora não com o mesmo enquadramento), e que mais ainda do que a música operática que percorre Match Point do início ao fim, anuncia o destino trágico desta história que em tudo o resto é bem contemporânea: quando observamos Chris na galeria após ter desligado a chamada de Nola (Scarlett Johansson), sua amante, e o vemos cercado por um conjunto de figuras "sem alma" que sugerem o homicida em que ele se irá tornar antes mesmo que Chris disso tome consciência. E isto chega a ser muito bom cinema.

Classificação: (7/10)

domingo, janeiro 22, 2006

Uma BD chamada "Cooperação Estratégica"



Batman Cavaco e Robin Sócrates.

As Presidenciais numa imagem



Kryptonite.

A Deus o título

O empate com o Marítimo terá sido o adeus ao título: talvez não, talvez sim. A vitória na Luz torna-se mais obrigatória ainda - tendo igualmente que contar, sobretodos, com as performances do F.C.P. Mas triunfar na Luz como? O Sporting é frágil no ataque (apesar de Liedson) e a defesa tem sempre uma ou outra branca fatais. Mais importante que isto, onde tudo cada vez mais se decide, o Sporting não tem soluções nas alas e é tremendamente inoperante nos lances de bola parada: o Benfica muitas vezes aproveita, o Sporting quase sempre desperdiça. Indicativo mais do que relevante para o(s) reforço(s) que, queira Deus, venha(m) a chegar até ao final do mês.

Where the truth lies


Kevin Bacon (Lenny), Rachel Blanchard (Maureen), Colin Firth (Vince)

Onde está o cinema de Atom Egoyan? Não faço ideia. (3/10)

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Aphrodisiality


Com Dwele, "afro" quer dizer "aphro".

"It's a dream to see you here with me/ After all this time, you're still fine/ Girl let's chill for the weekend" (Weekend love)

"I got what you need, if you ever feel the need to (lay it down)/ It's your world, if only for one night/ It's for you so baby won't you lay it down/ I'm gonna give you peace of mind/ Come here lady lay it down/ Let your soul be light" (Lay it down)


Rimas simples (para quê complicar?)

Charlotte dear, time to put the clips back on!

Mais pêlo do mesmo cão



Eggs over easy
Jeffrey Bernard

Last Monday I went to the Sunday Express Book of the Year Award at the Café Royal and sat at Frank Muir's table. What a charming man he is. But I couldn't help wondering, every time I looked at him, what on earth must it be like to be Geoffrey Wheatcroft's father-in-law. It makes me wonder wich unlikely journalist will lay siege to my daughter one day. My brother, Bruce, has suggested the wine correspondent of the Cork Examiner but it doesn't really matter as long as my son-in-law-to-be does not work for the Sun.
These lunches, like the Evening Standard Drama Awards one, are strange dos. You see the same faces at most of them. I think that maybe Ned Sherrin is sustained by 365 of them every year. Laurie Lee was at the Café Royal again but he sat too far away from me to keep an eye on him. Last year I sat next to him and he shovelled four lamb cutlets into his jacket pocket without even bothering to wrap them up in a napkin. I said to him, 'I didn't know you had a dog.' He said, 'I haven't. They're for me. I shall heat them up again for my supper.' I should have thought that the royalties from such works as Cider With Rosie would bring in enough to pay for food instead of having to wash old chops covered with fluff and bits of tobacco from a jacket pocket. This year we had roast lamb served with a thick brown gravy, so God alone knows the state of his pockets the next day.
The day after the Sunday Express lunch, a BBC television crew came into the Coach and Horses. Arena are making a film about that hero, Keith Waterhouse. They gave me a walk-on part and I even managed to bungle that. Keith performed the now famous egg trick from the play to perfection. When it came to my turn I followed through too hard in the manner of an off drive and knocked the pint of water over, although the egg remained intact. That let the side down for, as Keith said, 'You should be able to do it if you are over 50 and pissed.'
Also this week a man came in from the BBC Radio 4 to interview me about my feelings about Boxing Day. I don't have any. Boxing Day is quite simply 26 December to me. He also asked for hangover cures. I haven't had a hangover since I gave up drinking whisky some 12 years ago. I had to cast my mind back some way. The best barmen in London always included crème de menthe to settle the stomach, I know, but a simple hair of the same dog will do. Hangovers are caused by an absence of alcohol.
Unlike the Arena film team who were very hospitable, this bloke didn't offer to buy me a drink in 45 minutes. Don't they teach young men anything when they join the BBC? I wonder what on earth the qualifications are to get a job at Broadcasting House. With arms as short as his and pockets as deep one thing is certain. He will definitely not have a hangover on Boxing Day.

Reach for the Ground, páginas 53/ 54.

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Idade comum

Caro Pedro, dá cá mais 35!

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Sempre que Bernard não entregava a sua crónica, a Spectator publicava a frase "Jeffrey Bernard is unwell"



A bleeding shame
Jeffrey Bernard

I was irritated last week to read that 'Jeffrey Bernard is unwell'. I had, in fact, had an accident which is quite a different thing. Unwell implies drunk and would do God I had been drunk. In that event I would not have been in agony. I got hit by a Royal Mail van in Brewer Street which then went on its merry way without stopping. My head hit the pavement with an almighty crack and was cut in four places and, worse than that, my right-hand rib cage was smashed and I had six broken ribs. That caused an internal haemorrhage.
Luckily, I am not short of blood but the pain is still making me feel sick. The Westminster Hospital kept me in for a week to make sure I didn't get pneumonia and at least they were not as mean as some hospitals when it came to dishing out painkillers. Six injections into the back with an extremely long needle are not nice if you are squeamish. I am not, thank heavens. I stood next to the charming consultant as he put the X-ray of my chest on to the light box and he said, 'God almighty. Thank God it's your chest and not mine.' I liked that. No bullshit.
So here I am at liberty again and writing to you from the Groucho Club where they are temporarily very kindly taking care of me. And yesterday, three hours after leaving the hospital, a motorbike missed me by about six inches as I was crossing Old Compton Street. Somebody up there must hate me.
But what a strange time I had of it in the Westminster. We were not allowed to smoke, of course, and those of us who wished to had to do so sitting about on the landing by the lifts and outside the wards. I was one of the very few men on that floor who did so and I spent the week surrounded by the zaniest bunch of chain-smoking women I have come across, all patients from the gynaecological ward. They talked about nothing but their operations and complaints and they seemed to really enjoy doing so. I was a little surprised that they talked to me so openly, but it would have been one hell of a job to stop them. I could now draw you a detailed and accurate map of Mrs Griffin's fallopian tubes. I also know Mrs Carter's womb inside out and I wish I knew it better inside that out. One morning, a lady called Betty nudged in the ribs - the left-hand side thank God - and confided, 'D'you know Jeffrey, I've been bleeding since 10 March.' There was nothing to say to that. I finished my cigarette feeling suddenly saddened by the thought of how many wombs have been incinerated and washed out to sea in my own lifetime. We blokes have very few problems in that area, although I was alarmed a little to see, while watching the Test Match on the television the other day, a sentence flash up on the screen when Sharma was out stating quite simply, 'Sharma, two balls, one minute.' Quite.
Well, I suppose there aren't many hospitals left in London that I haven't been to now. The Westminster I rate quite highly and give it three crossed scalpels. I was lucky to be pestered a little by the press on my first day there because it prompted them to give me a private room. So at least, awake for most of the night, I didn't have to listen to the coughing, farting and moaning of the dying. A kind woman from the Daily Express brought me in a cassete player with a Mozart tape and that mixed with my vodka sips saved me. But the real angel of mercy was our own Jennifer Paterson who brought me a box of ice every morning. In a nasty hot week it nearly made me feel quite well.

Reach for the Ground: The downhill struggle of Jeffrey Bernard (Duckbacks, 2002) páginas 44/45

terça-feira, janeiro 17, 2006

Aquele bar no Soho


O'Tolle/ Bernard

"- Why do you drink so much Mr. Bernard?
- To stop myself from jogging."

Jeffrey Bernard is Unwell (teatro) é um tour-de-force de duas horas sobre o último dos boémios, o derradeiro romântico, Jeffrey Bernard (d. 1997). Aquele que levou uma vida de auto-destruição consciente até... à inconsciência. Aquele que acolheu o absurdo da vida e convidou-o para beber um copo no The Coach & Horses: célebre por Bernard e só por Bernard.
Peter O'Toole, que nunca larga a boca de cena, sempre de cigarro ao canto da boca, é muito mais do que apenas extraordinário no papel do amigo de quatro décadas a quem chegou a prefaciar os livros. E o mítico pub surge-nos em formato expressionista para que a vida e os fantasmas de Jeffrey Bernard pudessem caber dentro dele. Great, great and triple great!

McGuffin com IQ


Daniel Auteuil e Juliette Binoche

O que muda é o dispositivo, uma vez que Michael Haneke insiste nos "funny games" que na prática são jogos de tortura psicológica do espectador. Ele dá-se bem com a receita, já que as elites festivaleiras - em particular aquelas que atribuem prémios - cada vez mais reconhecem méritos no seu trabalho. Há nisto tudo um pouco de masoquismo para "entreter a burguesia". E também mais significativa se torna a presença das estrelas - no caso de Caché, Nada a Esconder, Auteuil e Binoche - que determina a viabilidade dos projectos do realizador austríaco.
Este Caché tem uma espécie de McGuffin na história das misteriosas cassetes vídeo que registam aspectos anódinos da vida do casal supostamente alvo de chantagem. Verifica-se que há medida que o filme progride (força de expressão), o objecto da chantagem transfere-se para a (má) consciência do espectador que Haneke explora através do despertar de certos preconceitos - sobretudo de ordem xenófoba. Se a consciência de alguns por acaso adormecer fruto do carácter neutro, aparentemente desinvestido das imagens, Haneke providencia ainda, com requintes gore, uma cena-choque de nos fazer saltar da cadeira. A tortura seguirá depois, de novo lenta e silenciosa, como o labor de um vírus que pacientemente se infiltra no espaço imaterial do cérebro.
Confesso que o cinema recente de Haneke me parece demasiado mecânico e pedante. As imagens assemelham-se ao produto de uma câmara de vigilância que recusa qualquer empatia com os personagens. Uma câmara, como se sabe, não tem coração, a não ser que exista alguém por detrás dela. Haneke, na sua suposta inteligência fria - que resultou na perfeição nos primórdios e em filmes como 71 Fragmentos de uma Cronologia do Acaso (baseado num caso real) - limita-se a reproduzir em moldes ficcionais a sua prática da descrença nas imagens. Ele não acredita, ao passo que eu não me sinto mais inteligente por isso.

Classificação: (4.5/10)


domingo, janeiro 15, 2006

Três pontos

Um Sporting banal triunfou com expressão mínima sobre um banalíssimo Belenenses (isto já foi um "clássico"!). Se os reforços de Janeiro ficarem por aqui, sejamos orgulhosos e sejamos realistas: o objectivo é ficar à frente do Nacional da Madeira.

sábado, janeiro 14, 2006

All night long


Lionel Ritchie

Jeff - Hey, I got what you need. Everlast condoms, my friend. The best in the business.
Larry David - Really? Oh, thank you.
Jeff - Those babies, you're never gonna stop.
Larry - Never gonna stop?
Jeff - Never gonna stop.
Larry - I want a condom called Get It Over With.
Jeff - Not Everlast?
Larry - How long do you think I'd wanna do that for?
Jeff - I don't know. All night long, I would guess.
Larry - It's boring. Come on.
Jeff - Fucking's boring!
Larry - It doesn't get boring after a while? Hãã... hãã... hãã... (Larry finge gemer)
Jeff - No, it doesn't get boring.
Larry - What is that? That's enough. In and out. These things, by the way, give me problems. I don't know why.
Jeff - Why?
Larry - I can't get'em on.
Jeff - Come on, they fit me.
Larry - You gotta get them on so fast.
Jeff - Who's timing you?
(Larry olha para a braguilha)
Jeff - They'll make you a different kinda man.
Larry - So, they really make you last! Everlast.
Jeff - All night long.

Curb your enthusiasm, 4ª série, ep. 8 "Wandering Bear".

BD para quem gosta de (muito bom) cinema



Jiro Taniguchi é uma espécie de Yasujiro Ozu da banda-desenhada. Os seus livros são obras-primas de humanismo, serenidade, contemplação e, como pela imagem escolhida se comprova, detalhe também. Um deles, O Homem que Caminha, acaba de sair com a revista Sábado (ou com o Correio da Manhã) - vendido em separado - e ainda se encontra em alguns locais de venda. Chamar-lhe obrigatório é dizer quase nada.

Fragmentos



Gosto de Murcof e o novo disco não defraudou as expectativas. Tenho coisas em comum com o homem por detrás do projecto - o mexicano Fernando Corona - sendo as mais importantes o ano de nascimento em comum, 1970, e a partilha do gosto pelo minimalismo musical - e na clássica por nomes como Arvo Pärt, Henryk Górecki e Giya Kancheli (a editora alemã ECM deve ser-lhe familiar).
Murcof fez sair na Leaf, o ano passado, o CD Remembranza que virá apresentar no final deste mês à ZDB. O título não podia ser mais explícito, equilibrando por sua vez o carácter mais enigmático dos nove temas. Remembranza apresenta-se como um arquivo musical onde os ritmos são sobrepostos a fragmentos de outra espécie. Assim como se cada música projectasse fragmentos do inconsciente do próprio Corona: o concreto dos materiais samplados (piano, cordas...) atravessam camadas de um minimalismo que tende para o abstracto. Conceitos à parte, é de grande música que se trata. (8/10)

sexta-feira, janeiro 13, 2006

Franco



(...)
- O ano passado o meio-campo do Sporting era formado pelo Rochembach, Hugo Viana e Pedro Barbosa. A equipa era capaz, durante um jogo, de fazer circular a bola durante muitos e muitos minutos. Actualmente, o meio-campo da equipa é formado por Nani, João Moutinho, Custódio e Carlos Martins, quatro jovens que têm 20 anos ou pouco mais do que isso.
- A revolução na equipa não foi rápida de mais?
- Mais do que isso, não é possível uma equipa ter consistência ao longo de uma época se for constituída só por jovens. É fundamental introduzir-se mais experiência. Acho que o Paulo Bento tem sido tão verdadeiro e aberto nas declarações que tem feito que é uma questão de as pessoas o quererem entender. Estou completamente de acordo com ele, achando que o Sporting precisa de mais maturidade.
- O Sporting tinha essa maturidade, mas desfez-se dela de uma forma rápida e definitiva...
- O facto é que o passado só serve para nós vivermos melhor o presente e projectar melhor o futuro. Não vou falar sobre o passado porque não quero falar sobre ele. Sou um sportinguista convicto, mas como presidente jamais direi mal do passado do clube.

Filipe Soares Franco em entrevista ao jornal A Bola (13/01/06).

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Últimas palavras



Obrigado pela distinção.

Tamen sobre David (o bloqueio intelectual do agente passivo)



Ao terminar a tradução de Em busca do tempo perdido, Pedro Tamen disse em entrevista que levou tempo sem que conseguisse escrever uma linha sequer. Vem isto a propósito da alteração verificada nos meus hábitos de ver DVD's, que desde que peguei nas segunda, terceira e quarta séries de Curb your enthusiasm se tem resumido exclusivamente às aventuras vexatórias do sr. Larry David.
Mais, como se não bastasse o obstáculo ao cinema no quarto, à literatura estendido e ao aproveitamento da Sport TV diminuido para jogos do Sporting e do Chelsea (italianos e espanhóis, népias), agora dou por mim a andar na rua com aquela passada de cegonha tal como LD (deve ser alto, o gajo) e a trautear as músicas da série - a do genérico, por exemplo, "ta ra ra ra ta ra... ta ta... ta ra ra ra ta ra... ta ra ra ra ta ra... ta ta... ta ra ra ra ra ra...".
Curb your enthusiasm chegou ao final - pelo menos o derradeiro episódio da quinta série intitula-se The end - nos Estados Unidos em Dezembro último. Ainda teremos, portanto, mais uma caixinha, mas a vida até lá também tem de continuar, nem que para isso recorra ao dr. Pedro Tamen para que me explique como se ultrapassa um bloqueio intelectual do agente passivo.

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Tudo sobre Serrat



Não faço outra coisa que pensar em ti: Não faço outra coisa que pensar em ti.../ Para elogiar-te e para que se saiba,/ peguei papel e lápis e espalhei/ as provas do teu amor sobre a mesa.// Pensava numa canção e perdi-me/ num amontoado de palavras gastas./ Não faço outra coisa que pensar em ti/ e não se me ocorre nada.// Acendo um cigarro, e mais outro.../ Um dia destes hei-de considerar/ muito seriamente deixar de fumar,/ com esta tosse que sinto ao levantar-me...// Procurei, olhando o céu, inspiração/ e deixei-me ficar suspenso lá no alto./ Por certo que ao tecto não iria nada mal/ uma de mão de tinta.// Olhei pela janela e deixei-me ir/ com uma miúda que passava de bicicleta./ Distraí-me com um vizinho que também nada/ mais fazia que coçar a cabeça.// Não faço outra coisa que pensar em ti.../ Nada me dá mais prazer do que fazer canções,/ mas hoje as "musas" nada querem comigo./ Estarão de férias. (CD En transito, tradução minha)

Os cubanos adoram Serrat tal como eu. O músico catalão actuou em Cuba inúmeras vezes entre o final da década de sessenta até inícios dos anos oitenta e as suas canções não mais deixaram de se fazer ouvir na rádio que preenche parte do quotidiano das famílias cubanas. Uma das maiores fãs de Serrat, Idiolídia Benítez, que esteve por detrás de cada concerto dele em Havana deu início ao projecto Cuba le canta a Serrat que reúne os melhores músicos do país - e são mesmo os melhores, Omara Portuondo, Orquesta Aragón (que interpreta em ritmo de salsa No hago otra cosa que pensar em ti), Ibrahim Ferrer, Frank Fernández, Pablo Milanés, Chucho Valdés, Pio Levya, Leyanis López e vários outros -, entre jovens e consagrados, em torno do cancioneiro serratiano que celebram com ritmos cubanos e dos trópicos em geral.


Joan Manuel Serrat

Cuba le canta a Serrat resultou num duplo-CD que num dos lados tem ainda um documentário sobre a produção do disco e sobre a relação de Serrat com Cuba ao longo dos anos, que é interessante de ver e ouvir. Todos os intervenientes admiram Serrat incondicionalmente e, acho, têm os melhores motivos para o fazerem. Joan Manuel Serrat, que leva já mais de trinta anos como cantautor, é o maior escritor de canções em língua espanhola vivo - embora parte do seu repertório seja em catalão, o que não deixa de ser língua de Espanha - e goza de um estatuto incomparável quer junto do povo, quer no que respeita aos meandros intelectuais. A sua escrita é marcada por uma doce ironia, uma invulgar capacidade de observação e crítica social, sempre individual, despolitizada, porque próxima das gentes e nada mais. Serrat tem uma curiosidade insaciável pela vida e pelas pessoas. E tem também capacidade para desmontar as imperfeições do ser humano colocando-se a um mesmo nível, sendo muitas vezes o protagonista das histórias que canta. Há nele imensa compaixão e alguma ambiguidade. O individualismo próprio ao observador é o seu, a quem também ocorre participar daquilo que regista em verso. É por vezes romântico - quase no sentido feminino (se bem que a idealização não deixe de ser masculina, pois então...) - mas não demasiadamente sentimental. Respeitador da complexidade de cada homem e de cada mulher. Com letras mais directas e outras mais ambíguas (um pouco de Brel, um pouco de Milanés; um pouco de Neruda, um pouco de Machado) - poeta, músico e intérprete (ah... aquela voz) excepcional. E um homem exemplar em vários campos da vida (leiam as suas entrevistas), sempre!
Os cubanos também sentem muitas destas coisas e resolveram prestar-lhe justa homenagem. Cuba le canta a Serrat é um disco feliz que ainda mais do que o homem, Serrat, celebra a imprevisibilidade da vida - cheia de coisas boas e más. O CD-duplo mais DVD, pelo contrário, só as tem boas.

Tal e qual



"- A relationship is an organism. You created this thing... and then you starved it, so it turned against you. Same thing happened in The Blob."

(Seinfeld, série 2 ep. 1, The ex-girlfriend)

Frase da noite

"Love doesn't end just because we don't see each other"

(The End of the Affair, filme de Neil Jordan, livro de Graham Greene)

Sportings

A diferença entre Braga e Sporting foi a de que a equipa da casa não precisou de marcar para mostrar atitude ofensiva. A um Sporting desfalcado faltou sobretudo liderança dentro de campo, e não estou a ver de onde possa ela vir a não ser de Caneira, recém-chegado, ou de Sá Pinto, recém-castigado. A qualidade principal daquele que venha a tornar-se o próximo reforço de Inverno - seja extremo ou ponta-de-lamça - deve ser capacidade de liderança.

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Fatal



Estreia a 19.

Tudo sobre a doçura da justiça



Há discos que sabem melhor do que eu qual a minha opinião real sobre eles. E que se impõem quase sem que dê por isso, docemente, até ao momento em que os seus méritos se tornam por demais evidentes. Another day on earth, de Brian Eno, e The Campfire Headphase, dos Boards of Canada, são dois exemplos recentes desse fenómeno de conquista do prazer deste que os escuta. O CD dos Boards, tal como o de Eno, parece ser às primeiras audições um exercício de recuo estético pouco relevante, para depois fazer instalar o seu encanto retro feito menos da surpresa que legitimamente aguardávamos e mais da maturação de processos musicais que rimam inspiração com despretensão. A escuta é mais simples mas o prazer mais longo, ou como se diz na língua deles, faz-se valer o princípio do back do basics. E como ainda estamos em fase de balanços...

Conhece-te a ele próprio


L.D.

Alguns elementos da equipa artística de Curb your enthusiasm reuniram-se frente a uma plateia de fãs, em Fevereiro de 2005, em Aspen, no US Comedy Arts Festival. Esse encontro consta dos extras da edição DVD inglesa da terceira série. Umas das coisas pedida a cada um dos artistas presentes foi que escolhessem a sua cena favorita. Nenhum escolheu um momento tão bom e tão genuíno daquilo que faz a diferença de Curb... como o seu autor Larry David. Larry optou pela cena do episódio Terrorist Attack, da 3ª série, no qual uma amiga do casal David lhes comunica que o irmão dela, que trabalha na CIA, tem informações confidenciais acerca de um ataque terrorista em LA a ter lugar no fim-de-semana seguinte. Acontece que nessa data Cheryl David estaria a promover um jantar de beneficiência em casa de uns amigos, onde Alanis Morissette iria actuar. Larry volta-se em seguida para a mulher e propõe que ele vá jogar golfe para bem longe dali. Cheryl olha-o incrédula: o marido prefere salvar a pele do que correr o risco de ser vítima do ataque terrorista junto com ela. O que Larry confirma com um ar compungido - mas que não disfarça o facto de o actor ("ao contrário" do personagem) estar prestes a rebentar de riso. A cena é bem exemplificativa daquilo que torna Larry e Curb tão especialmente diferentes: Larry David é um sujeito que adoramos detestar pois concentra nele muito da mesquinhez do ser humano, embora poucos sejam os que conseguem fazer passar comportamentos tão reprováveis de modo tão irresistível porque desassombrado e hilariante. E ninguém conhece as fraquezas de Larry como o próprio Larry David. Tenho dito.

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Never



Há uma luz que nunca se apaga. E basta que uma pessoa dela se aperceba.

Tempo suspenso

Ao Tempo Suspenso o meu obrigado.

Carlos Cáceres Monteiro (1948-2006)



Tinha cara de bom homem. Era um homem bom.

Demagogia sempre!



Agora que as sondagens garantem que Cavaco Silva está apenas a dois pontos de se ver forçado a ir à segunda volta, é ouvir outras candidaturas que não atribuíam publicamente qualquer fiabilidade às sondagens a pedirem agora (pelo menos) menos dois pontos para Cavaco e consequentemente o adiamento da eleição presidencial definitiva para semanas mais tarde.

terça-feira, janeiro 03, 2006

Eruditos... vão apenas cinco (2005)

Melhor disco de "clássica" do ano:



Segundo melhor disco de "clássica" do ano:



Terceiro melhor disco de "clássica" do ano:


Desprez Circumdederunt me, intérpretes: de labiryntho (e lucevan le stelle)

Quarto melhor disco de "clássica" do ano:



Quinto melhor disco de "clássica" do ano:


Parabéns atrasados

O Da Literatura fez um ano no primeiro dia do ano. Voltaram em força e com uma bela silhueta.

Novo


Ruben eu

O mundo não me procura.

Tudo sobre mim



Percebi que era disco para mim ao ler na contracapa a sugestão do músico: play very soft or very loud. Por princípio prefiro soft a loud mas ruídos parasitas que nunca nos largam pois andam sempre à nossa volta - coisa que a concentração tonal deste CD torna ainda mais perceptível - podem exigir medidas drásticas.

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Oral sex



Ao fim de duas séries mais alguns episódios, é legítimo pensar-se que Larry David dificilmente conseguirá constranger-nos de novo. A empatia estabelecida com a figura de Larry (Lar) poderá inclusive suscitar o efeito oposto, ou seja, olharmos para ele como um azarado, um incompreendido, um injustiçado. Mas depois há episódios como o oitavo da terceira época - um óptimo episódio - no qual Larry conhece o rapper Krazee-eyez Killa e os dois estabelecem quase imediata empatia fundada na experiência de cada um com a prática do sexo oral. No final do episódio Larry terá essa cortesia para com a sua mulher Cheryl - momento suprimido uma vez que o que é gráfico em Curb your enthusiasm passa predominantemente pela palavra - e quando esta, instantes depois, aparece envergando nada mais do que um roupão e um sorriso de satisfação, o nosso homem resolve ter um ataque de "escarro" (palavra gráfica, eu sei) que atribui ao facto de acidentalmente ter ingerido um pêlo púbico. Embaraço dele? Não, embaraço nosso - e a quarta série vem já a caminho.

Tributo



Nada me comoveu mais este final de ano do que um tema cantado por Ildo Lobo que surgiu meio por acaso, dissidente do resto do programa musical da noite. Ildo Lobo morreu a 20 de Outubro de 2004, embora me apeteça dizer que foi o artista cujo falecimento mais falta me fez o ano passado (às vezes basta um instante para que a ausência se instale).
A imagem é grande porque Ildo foi um gigante que de alguma forma parece que vive ainda nos seus discos - coisa que sucede apenas com os maiores. Não ouço Ildo Lobo suficientemente. Nunca ouvimos Ildo Lobo suficientes vezes.

A suprema arte do ritual (Kill Bill 1 & 2)



Não foi desta que vi os dois filmes de seguida, mas com três dias de diferença a impressão é muito aproximada.

Tom of Finland



Jake of Kuwait.


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